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Marriott Lisboa
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Quando o quarto de hotel se torna casa por tempo indeterminado

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No hotel Marriott, em Lisboa, tudo mudou. Os turistas deram lugar a um edifício vazio, mas agora a prioridade é dar abrigo aos profissionais de saúde que têm medo de contaminar os seus familiares.

Se no início do ano se sugerisse que a hotelaria sofreria um rombo tão grande como o que enfrenta devido à pandemia, muitos seriam cépticos. O sector, em particular o da capital, parecia inabalável, sempre com taxas de ocupação altas e uma tendência de crescimento. Mas tudo mudou nos últimos meses. O estado de emergência fechou-nos em casa, paralisou a economia, e a hotelaria e turismo não escaparam à paragem forçada.

Por todo o país, multiplicam-se os gestos de solidariedade para com os profissionais de saúde e forças de segurança. Com o avançar da pandemia, a Associação Portuguesa de Hotelaria (AHP) recebeu pedidos de hospitais em Lisboa para acomodarem médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde, que não podem regressar a casa, com receio de infectar os seus familiares.

O hotel Marriott, junto ao Hospital Santa Maria, foi uma das unidades hoteleiras que aceitou receber profissionais de saúde, disponibilizando 100 quartos. A iniciativa partiu do movimento Tech4Covid19, lançado por 120 startups e empresas  de tecnologia em Portugal, e a AHP fez a ponte com as unidades de alojamento. A plataforma RoomsAgainstCovid permite encontrar alojamento para profissionais de saúde em todo o país.

Encerrado desde o início do mês, com 169 trabalhadores em lay-off, o futuro é uma incerteza. Elmar Derkitsch, director do hotel, sabe que “todos os profissionais de saúde estão a travar uma incansável batalha contra o coronavírus”. De momento, diz o responsável, “há entre 10 a 15 profissionais de saúde hospedados no hotel”. São todos trabalhadores no maior hospital da capital. Mas há mais hotéis em Lisboa a receber profissionais de saúde.

Um desses profissionais é Carlos Nogueira, 51 anos, enfermeiro na Unidade de Cuidados Intensivos de Santa Maria. O profissional de saúde tomou a decisão de se mudar para o hotel há quase um mês. “A carga física e emocional é muito grande”, descreve à Time Out. Há uma consciência do risco, mas não sente propriamente medo. “Tentamos fazer o melhor possível. Os doentes estão sempre vigiados e alguns já saíram desta unidade”. Os turnos continuam a fazer-se dentro do horário previsto, “aparentemente a situação está controlada”, diz.

Mas a vida mudou. Do hospital, vai para o quarto de hotel. Não é permitida a circulação em todas as áreas da unidade hoteleira, e só um elevador dá acesso aos quartos. Entretém-se ao telefone com a família e vai vendo televisão. “O serviço no hotel está adaptado às circunstâncias”. O pequeno-almoço é entregue no corredor e tomado no interior dos quartos. São os próprios profissionais de saúde que têm de fazer a limpeza dos quartos, para minimizar os riscos para os trabalhadores do hotel.

A pandemia veio obrigar à adopção de novos hábitos e a repensar novos modelos de gestão de negócios. A hotelaria será um dos sectores mais afectados, mas, por agora, dá o seu contributo como pode, dando guarida a quem passa os dias a enfrentar um bicho invisível, que fez o impossível e parou o mundo.

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