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Queimado: o novo restaurante do Bairro Alto é movido a carvão

Queimado
©Inês Félix

No novo restaurante do Bairro Alto, é tudo cozinhado ou terminado no carvão. Não leve o nome à letra – nada saiu Queimado.

O queimado serve “comida honesta cozinhada num grelhador a carvão”. Mas não há cheiro a fumo, não há carvão à vista e a própria decoração do restaurante não denuncia exactamente ao que vamos. É pequeno, tem um bonito degradé com azul--turquesa e vários tons de rosa, um bar à entrada, um balcão de costas para a cozinha (com espelhos para ir espreitando o que se está a passar), e mais de uma dezena de lugares sentados. Shay Ola, o chef por trás disto, apresenta-se a Lisboa com pratos de barbecue que fogem à tradicional churrascada de amigos. “São mais elegantes, bonitos, mas o sabor é tudo.” 

 

O chef Shay Ola
Fotografia: Inês Félix

 

 

 

 

O nome pode não lhe ser familiar, mas Shay Ola já esteve no mundo da música e do design  até enveredar por outro meio para expressar a sua criatividade – chamam-lhe “chef acidental” em terras de Sua Majestade, onde começou a The Rebel Dining Society, um dos mais conhecidos pop-up diners de Londres. Fez consultoria de produtos para algumas marcas, teve restaurantes, chegou a trabalhar com Nuno Mendes, e há dois anos e meio, depois de uma paragem em Paris, mudou-se de Berlim para Lisboa. “O restaurante não era sequer um tópico na altura. Sabia que queria estar aqui, adorei a cidade, as pessoas, a autenticidade. Depois logo se via.”

Pensou em vários conceitos mas enquanto procurava o local ideal, foram abrindo outros que iam ao encontro do que queria, como o Prado ou a Comida Independente, projectos aos quais só tece elogios. De início resistente ao Bairro Alto, acabou por aceitar este pequeno espaço, que, embora num edifício totalmente renovado, tem o tecto com mini-arcadas e tijolo à vista. “Conquistou-me pelo tecto. Não sabia o que ia ser o restaurante ainda, mas sabia que acabaria por cozinhar alguma coisa.” Problema um resolvido (o do espaço), conheceu Hannah, que desenhou um layout para solucionar a questão das áreas reduzidas, ganhando 24 lugares. Começou finalmente a pensar no que queria, inspirado pelo ambiente descontraído de sítios como o Café Tati e a Giv Lowe. Depois recuou: a primeira vez que se meteu a brincar com o fogo, foi num barbecue para amigos num parque londrino. “A simplicidade de cozinhar com fogo é uma coisa de que sempre gostei. A primeira vez que mostrei a minha comida a Lisboa foi num jantar pop-up n’A Sociedade [pólo criativo no Príncipe Real], o tema era este mesmo, burnt. Fazia sentido continuar isso num sítio físico e a tempo inteiro”, diz, inspirado também pelo episódio da série da Netflix Chef’s Table sobre o chef argentino Francis Mallmann, mestre na arte do fogo.

 

Patas de caranguejo no barbecue com manteiga de miso
Fotografia: Inês Félix

 

 

 

 

O menu é de partilha, só usa produtos locais e regionais e vai mudando consoante as estações do ano – tudo a preços acessíveis e com a recomendação de três a quatro pratos para duas pessoas. Não há distinção entre entradas e pratos principais, num total de nove opções.

 

Tacos com cabra no barbecue e molho três chiles
Fotografia: Inês Félix

 

 

Pode construir a sua refeição com um flatbread caseiro grelhado com cebola assada e queijo amanteigado de ovelha (6€), patas de caranguejo no barbecue com manteiga de miso (8€), asas de frango glaceadas com tamarindo e arroz selvagem (7€), tacos com cabra no barbecue e molho três chiles (9€) ou com cogumelo ostra (7€), batatas assadas com crème fraîche fumado e ovas de peixe (6€) ou bife de vaca selado com molho de morango assado na base e umas folhas amargas estilo kale (9€). À sobremesa, duas opções, uma mousse de chocolate negro com marshmallow, bolacha de amendoim e cereja (6€) ou abacaxi grelhado com caramelo tonka e gelado de milho chamuscado (5€).

 

Bife de vaca selado com molho de morango assado na base e umas folhas amargas estilo kale
Fotografia: Inês Félix

 

Por enquanto servem apenas jantares durante a semana e brunch ao domingo – mas esqueça tudo o que sabe sobre essa refeição. “Não há pão de banana nem panquecas. Queria arranjar alternativas para todos os cafés e sítios de brunch que estão a aparecer pela cidade e a destruí-la. Têm todos exactamente a mesma coisa”, critica. “É uma espécie de brunch para quem quer mesmo divertir-se ao domingo. Vai ser bastante alcoólico. Se foste sair para o Lux no sábado, podes vir directo para aqui no domingo”, ri-se, descrevendo-o como “um brunch estilo americano, gordo, bom”.

 

Abacaxi grelhado com caramelo tonka e gelado de milho chamuscado
Fotografia: Inês Félix

 

 

Todas as semanas tem um menu fixo diferente – na primeira semana, no último domingo, houve waffle com coelho frito, inspirado nos waffles com frango frito americanos, e um éclair de caranguejo, um twist nos famosos lobster rolls, as sandes de lagosta habitualmente a preços exorbitantes. Haverá sempre algo vegetariano – no menu avisam também que têm pratos vegan e os que não forem podem ser transformados – e cocktails de gin e tequila a 5€ no bar. A boa música também vai ser sempre um tópico – não estranhe o DJ pela zona do bar, onde há cerveja artesanal, vinhos portugueses e cocktails de autor. “Se quiseres vir comer, comes, se quiseres só estar aqui a beber qualquer coisa, estás.”

Rua Luz Soriano, 44 (Bairro Alto). Ter-Sáb 18.30-01.30, Dom 13.00-01.30.

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