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Televisão, Séries, Comédia, Drama, Mistério, Resident Alien (2021)
©DRResident Alien

‘Resident Alien’: um extraterrestre demasiado humano

Série criada por Chris Sheridan aterra no Syfy na segunda-feira, com o multifacetado Alan Tudyk aos comandos. Damos as boas-vindas a este extraterrestre – que não vem em paz.

Escrito por
Hugo Torres
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Harry Vanderspeigle é um ser peculiar. Isolado na sua cabana de pesca junto ao lago, onde se vai cultivando através da televisão, recebe certo dia uma inesperada visita das autoridades policiais da pequena cidade de Patience, Colorado. É necessária a sua ajuda para examinar o corpo do médico local, encontrado morto em circunstâncias que apontam para homicídio. Vanderspeigle (Alan Tudyk) é, também ele, médico – agora o único por aquelas paragens – e acompanha os agentes até à cena do crime. Lá chegado, a singularidade da sua personalidade é logo posta a descoberto. Perante o cadáver, Vanderspeigle exulta: “Isto é espectacular! Um bom mistério para descobrir o que aconteceu, como em Lei & Ordem. Chung-chung!” A imitação do memorável efeito sonoro daquela série policial deixa os restantes desconfortáveis, como se estivessem na presença de um alienígena que não se sabe comportar à altura da ocasião – e é exactamente esse o caso. Vanderspeigle é um extraterrestre, que chegou ao planeta com a missão de aniquilar a espécie humana, mas foi obrigado a contemporizar por ter perdido na aterragem o dispositivo letal que lhe permitirá concretizar o plano. Enquanto busca uma solução para o seu problema, mata um homem – o Vanderspeigle original – e assume a sua identidade. Para manter o disfarce terá, contudo, de ocupar o lugar deixado vago pelo clínico assassinado – e ele não faz ideia como.

Resident Alien, que se estreia esta segunda-feira no Syfy, não é uma sitcom. É uma comédia dramática, que apesar de recorrer a uma premissa já explorada pela ficção científica, tanto na literatura como no ecrã, promete trabalhá-la com frescura e desenvoltura. Isto a acreditar no consenso da crítica internacional, que tem recebido de braços abertos esta criação de Chris Sheridan (Family Guy, Family Guy, Family Guy). Antes de mais porque a série não se centra em absoluto neste alien em Patience, Colorado, adicionando camadas narrativas com personagens como a do jovem e idealista mayor Ben Hawthorne (Levi Fiehler) e do seu filho, Max (Judah Prehn), uma criança cujo código genético apresenta uma raríssima – e oportuna – mutação que lhe permite ver o verdadeiro aspecto de Vanderspeigle, que por isso o quer matar antes dos restantes humanos; a da dupla policial composta pelo xerife Mike “Big Black” Thompson (Corey Reynolds) e pela sua número dois, Liv Baker (Elizabeth Bowen); ou a da bartender D’Arcy (Alice Wetterlund) e de Asta Twelvetrees (Sara Tomko), a assistente clínica do médico local, com quem Vanderspeigle vai aprender mais e mais sobre as relações humanas, levando-o a questionar a sua missão e a ponderar se não deveria permitir que as pessoas da Terra continuassem por destruir. Por tudo isto, é certo, mas sobretudo por Alan Tudyk, que mobiliza para esta série a sua vasta experiência tanto enquanto actor diante da câmara como atrás dela, nas múltiplas dobragens que já protagonizou – do Sonny de Eu, Robot ao K-2SO de Rogue One: Uma História de Star Wars.

A personagem alienada composta por Tudyk, que deambula entre a excentricidade verbal, o autismo de quem não consegue reconhecer emoções ou o total desajuste social – que o leva a interromper um enterro, abrindo o esquife para cheirar o defunto –, é a grande atracção de Resident Alien. A sua gargalhada, roboticamente teatral, sintetiza todas estas características. Vanderspeigle é um espírito que corre à margem do que as pessoas pensam e esperam dele, mas que simultaneamente se sente compelido a cumprir as regras (mau grado as tenha aprendido através da ficção televisiva, o que na maior parte das vezes desajuda). Ora, não precisamos de ver o verdadeiro aspecto físico deste extraterrestre para reconhecer aqui um comportamento inequivocamente humano. Resta saber o que fará quando finalmente encontrar o dispositivo aniquilador que perdeu na desastrosa aterragem. Os fãs da Dark Horse, casa mãe dos comics de Peter Hogan e Steve Parkhouse, que têm sido editados desde 2012 e dos quais a série foi adaptada, provavelmente já viram umas luzes no céu que lhes indicam aonde isto vai parar – mas farão o favor de evitar os spoilers.

Syfy. Seg 22.15 (estreia T1).

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