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Samuel Úria e Luís Severo cantam para financiar filme sobre a Palestina

Samuel Úria
©Inês Félix Samuel Úria

O Yala Fest, que se realiza a partir das 15.30 de sábado no Anjos70, é um festival de música. Mas é mais do que isso, pelo que a sua apresentação não pode começar por aí. Tem de começar por um documentário independente chamado Bukra, que está neste momento a ser completado por Balolas Carvalho e a realizadora Diana Antunes, e pretende “dar voz às diferentes formas de resistência à ocupação israelita, no Campo de Refugiados de Jenin (Palestina)”. É para ajudar a financiá-lo que existe o Yala Fest.

O documentário começou a ganhar forma há um ano e meio. A ideia de Diana e Balolas era passarem duas ou três semanas em Israel e na Palestina para explicarem “o que se passava de cada um dos lados”, segundo Diana. “Ia ser metade da viagem [na Cisjordânia] e metade em Israel. Já tínhamos entrevistas marcadas com israelitas e tudo. Queríamos explicar a resistência não violenta de cada um dos lados. Mas chegámos ao campo de refugiados de Jenin e nunca mais de lá saímos.”

O que encontraram em Jenin foi inspirador – ainda que, depreende-se pela conversa, chocante. Diana fala na resistência pacífica, na generosidade, na capacidade de sobrevivência e sobretudo na esperança daquelas pessoas. Fala numa história que tem de ser contada. “O campo tem talvez um quilómetro quadrado e habitam lá 16 mil, 17 mil pessoas que todos os dias acordam e lutam por uma coisa que não sabem se vai acontecer. Não sabem sequer se o amanhã vai existir”, expõe a realizadora.

Foi, em parte, para ajudar a financiar o documentário que surgiu a ideia de fazer um festival no Anjos70. “Desde o início que queríamos fazer uns eventos em Portugal para mostrar o que se passava em Jenin”, conta Diana. “Só que agora estamos a fazer um evento maior, com música e com talks, porque a partir do momento em que dissemos que estávamos a fazer algo vimos muita gente interessada em participar. Incluindo nomes grandes.” Houve até gente que quis participar e não conseguiu, como Filipe Sambado ou os First Breath After Coma.

Quem vai mesmo tocar é Samuel Úria, que deve lançar um novo disco este ano e é o nome mais sonante do cartaz. Além dele, estão confirmados mais dois cantores e compositores que se movem por territórios próximos da folk: Luís Severo e Benjamim. E depois há uma espécie de espectáculo de família da editora Omnichord, que junta Surma e LaBaq a Nuno Rancho, dos Jerónimo. Após os concertos, há DJ sets do duo de Elísio [Sousa] & Xico da Ladra e de Hélio Morais (de Linda Martini e PAUS).

Além da música, o cartaz propõe um par de conversas abertas ao público e moderadas pelo jornalista Renato Teixeira, respectivamente com Ricardo Esteves Ribeiro, do Fumaça, e com Nabil Al-Raee, que durante anos dinamizou o Freedom Theatre em Jenin e é um dos protagonistas de Bukra. Haverá slam poetry, entre estas conversas, bem como a apresentação de partes do documentário pelas autoras.

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