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Santo Infante: um novo santuário para o saber-fazer português

Acaba de abrir portas, congrega mais de 50 marcas portuguesas e a contagem continua. Fomos conhecer a Santo Infante.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Loja Santo Infante
©Mariana Valle Lima Santo Infante
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Esta pode não ser a artéria lisboeta mais afamada no que toca a compras, mas se é verdade que muitas das ruas e avenidas da moda começaram assim, com modestas inaugurações e conceitos maiores do que a sua localização geográfica, talvez a nova Santo Infante seja apenas o primeiro (ou o mais proeminente) motivo para fazer desta zona, a mesma à qual inverteu o nome, um destino de romaria. Mesmo que não seja, a iniciativa dos irmãos Paz e Gonçalo Braga – reunir meia centena de marcas portuguesas num único espaço – marca pontos só por si.

Ele é um homem da gestão, ela a arquitecta que há cinco anos voltou a Portugal, após uma década a viver e a trabalhar no Brasil. No regresso, teve uma surpresa. "Foi quando descobri o que se fazia por aqui. Sabia que éramos bons em várias áreas, mas ver tantas marcas novas a aparecer foi uma novidade para mim", começa por explicar Paz, enquanto nos guia pelos cantos da nova loja. Prefere chamar-lhe espaço, tal a dificuldade em encontrar uma designação mais assertiva que faça jus à empreitada dos últimos meses.

Santo Infante
Mariana Valle Lima

Paz demorou um ano a elaborar uma lista de 100 marcas portuguesas. Estamos no domínio do design e da decoração, mas nem o rol está todo na loja – o catálogo é extenso e aqui haverá sempre só uma amostra , nem o contador fica por aqui. "Quando voltei para Portugal, comecei do zero e surgiu logo este interesse em integrar peças portuguesas nos meus projectos. Mas demorava muito tempo a descobrir onde é que estava o quê e os clientes acabavam por desistir. Não tinha tempo para isso", continua.

A vontade de reunir as novas descobertas – em áreas tão distintas como o mobiliário, a cerâmica, o têxtil, a luminária, a tapeçaria e mesmo a ilustração – num único espaço trouxe os dois irmãos até ao 23B da Avenida Infante Santo. Poucos metros quadrados recheados com o que de melhor se faz aquém-fronteiras, mas também com múltiplas possibilidades de colaborar, co-criar e firmar parceiras. Promover sinergias entre as marcas e respectivos criativos, mas também entre as primeiras, Paz Braga e o atelier de arquitectura homónimo.

Gonçalo e Paz Braga, criadores da Santo Infante
Mariana Valle LimaGonçalo e Paz Braga, criadores da Santo Infante

Um capítulo já inaugurado por Rita Sevilha, que expõe uma tapeçaria única numa das paredes da loja. Ao lado, estão as máscaras em barro da Grau. A marca de Isac Coimbra e Diogo Ferreira está prestes a fazer deste recanto showroom, resultado do incentivo dos proprietários que esperam que o espaço sirva também de ponto de encontro entre fornecedores e os seus clientes directos. Avistam-se outras etiquetas – os tapetes da Gur, as toalhas e guardanapos da Bicla, móveis Olaio, atoalhados Torres Novas e ilustrações de Carolina Celas, entre muitas outras.

Numa casa onde o foco são os projectos de interiores (e Paz já provou que é possível decorar uma casa inteira só com produtos portugueses), também os clientes finais têm a porta aberta para pequenas compras de ocasião. A tabela arranca nos oito euros (preço dos puxadores de Irena Uebler, desenhados e produzidos em Portugal a partir de garrafas de plásticos recicladas) e demora-se na casa das dezenas, com belas opções de presente pelo caminho. E o Natal não está assim tão longe.

Na cave, há um pequeno espaço de cowork com capacidade para dez pessoas e está praticamente esgotado. Designers e arquitectos estão no topo da lista, amigos e amigos de amigos também eles convocados para contribuir para o projecto dos irmãos Braga. Um deles, Afonso Almeida, foi o responsável por toda a imagem da Santo Infante, que até conta com uma fonte tipográfica própria, desenhada por um português, claro.

Loja Santo Infante
Mariana Valle Lima

Até ao final do ano, esta loja 2.0 vai crescer – não em área útil, mas em marcas e autores, resultado de uma procura que não acaba, muito menos com a quantidade de novos negócios e ideias que populam o Instagram. Por essa altura, serão perto de uma centena e a loja online também já deverá estar a todo o vapor. Resta esperar pela agenda de workshops. Esses chegam já em Setembro e vão exigir que ponha mãos à obra.

Avenida Infante Santo, 23B (Alcântara). Seg-Sex 10.00-13.00 e 14.00-19.00.

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