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Sr. Lisboa volta a receber fregueses n’A Cozinha, totalmente renovada

A taberna moderna reabriu em Outubro, depois de ter estado uma temporada fechada. Agora serve mais pessoas e tem uma nova carta, com opções mais verdes.

Teresa David
Escrito por
Teresa David
Jornalista
Pica-pau e batatas-fritas
Arlei Lima
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Sete meses depois de ter fechado para obras, A Cozinha do Sr. Lisboa, a taberna moderna que se deu a conhecer em 2016, na Rua de São José, junto à Avenida da Liberdade, voltou a abrir portas. Serve mais comensais, está com uma decoração renovada, e também tem novos pratos para experimentar – mudanças levadas a cabo pelo proprietário, Francisco Breyner (o próprio Sr. Lisboa), e pelo chef executivo Pedro de Sousa, que se mantêm como anfitriões da casa. 

A Cozinha do Sr. Lisboa
Arlei Lima

A pequena Cozinha – um contraste com O Jardim, o segundo restaurante do Sr. Lisboa, aberto em 2022, com uma carta focada nos vegetais – senta agora mais de 50 pessoas, divididas pelos dois pisos. “A mudança passou por melhorar o espaço para receber os clientes, não necessariamente por aumentá-lo, para poder servir melhor. Melhorámos as condições da cozinha, dos bares, e há mais lugares, mas não era esse o foco principal”, sublinha Pedro de Sousa. 

As salas têm mais luz, mas permanece o cunho português de outros tempos, presente nas louças, nos bancos e cadeiras, e até nas mesas, muitas com grades de fogão a enfeitá-las. Como numa cozinha, há prateleiras com recipientes que guardam alimentos. Assegurada está também a filosofia da partilha, a inspiração no receituário português e a arte de bem receber. “Na carta, a ideia é ser sempre um registo de partilha, com base na cozinha portuguesa ou naquilo que nos faz sentido servir”, começa por explicar o chef. 

A Cozinha do Sr. Lisboa
Arlei Lima

A identidade d’A Cozinha segue, então, inalterada, mas há pequenas mudanças. A mais significativa talvez seja a notória ligação ao conceito irmão, O Jardim. “Queremos continuar a fazer o trabalho que temos vindo a desenvolver n’O Jardim, e ter outro tipo de visão sobre o consumo excessivo de proteína animal. Daí termos parte dos pratos que servimos n’O Jardim aqui também”, diz Pedro de Sousa, que se divide entre os dois espaços. “Antigamente tínhamos apenas uma ou duas opções vegetarianas, hoje em dia temos seis ou sete”, acrescenta. A beterraba fumada com óleo de pimenta rosa, creme de caju, alcaparras, sriracha, framboesas, amoras, mirtilos, ice plant e vinagre de flores (15€) é uma delas. 

Pani puri
Arlei Lima

Apesar disso, a intenção era trazer “algo não muito diferente, para que os clientes não sentissem uma grande diferença”, diz o chef. O couvert (7,50€), com pão de fermentação lenta da Marquise, espuma de queijo Serra da Estrela, manteiga de alho negro e miso e molho bolhão pato, é uma boa forma de começar a refeição. Para partilhar, a sugestão vai para o polvo de outras raízes (17€), polvo do Algarve no carvão, molho romanesco, batata assada, óleo de salsa e molho chimichurri; para o de lamber os dedos (14€), pani puri, holandês fumado de camarão, gamba da costa e pérolas de algas; e para as fritas e boas (8€), batata frita com emulsão de manteiga castanha e parmesão – nomes todos dados pela casa. Para terminar, um tributo à avó de Francisco Breyner com a torta de chocolate (10€). “Ela faz uma torta de chocolate para os netos que é sem farinha. Então decidi homenageá-la”, conta Pedro de Sousa. 

A Cozinha do Sr. Lisboa
Arlei Lima

Nesta nova vida, mantiveram também alguns dos pratos anteriores, como o pica-pau com molho de mostarda e pickles (16€), “mas com algumas alterações/interpretações diferentes, tanto do ponto de vista dos ingredientes que usamos como da maneira como os confeccionamos”, garante o chef. Mantém-se, igualmente, a forte aposta nos vinhos para acompanhar a refeição, mas os cocktails também merecem destaque, com o Bem-vindo à Tuga (5€), uma bebida com medronho, lima, hortelã, tomilho, coentros e bitter de aipo, a ser uma boa opção para o pré-refeição. O menu executivo (15€), um dos grandes responsáveis pela clientela fiel, continua a ser um dos ex-libris do restaurante. É servido ao almoço, muda todas as semanas, e inclui sopa, uma opção de prato principal, um sumo do dia ou água, e café. 

A Cozinha do Sr. Lisboa
Arlei LimaRavioli

Os clientes mais antigos perceberão que a reabertura trouxe, ainda assim, uma inevitável subida de preços. “Houve preços que tiveram de sofrer alterações não muito significativas, até porque é um compromisso que nós temos. Não queremos que as refeições sejam muito caras. Não é um restaurante dos mais baratos, mas esforçamo-nos ao máximo para não inflaccionar os preços”, esclarece Pedro de Sousa. 

Para breve está o terceiro projecto do Sr. Lisboa. Seguindo a lógica de dar a conhecer várias divisões da casa, chamar-se-á A Despensa, e ficará num anexo d’A Cozinha. “Estamos só a terminar os últimos retoques estruturais e de decoração. Não sei quando vai abrir, quero acreditar que este ano, e vamos fazer uma coisa diferente daquilo que temos vindo a fazer. Pode ser um menu degustação, pode ser um speakeasy, ou pode ser o que o Sr. Lisboa quiser”, revela o chef. Até lá, a mesa põe-se n’A Cozinha e n’O Jardim. 

 Rua São José 134 (Avenida da Liberdade). 21 342 3512. Seg-Dom 12.00-00.00

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