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Tataoim
Gabriell Vieira

Tataoim, o novo dialecto do plant-based

O nome é difícil de pronunciar, mas a comida é fácil de digerir. Sem ingredientes de origem animal ou artificial, e com influência na gastronomia brasileira, o Tataoim serve dose recheadas ao pequeno-almoço e ao almoço.

Escrito por
Teresa David
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É preciso ter o pulmão bem treinado para subir as Escadinhas do Bairro América, perto de Santa Apolónia, mas no Tataoim recuperam-se energias com doses generosas de refeições de origem vegetal, nas quais se incluem adaptações de pratos tradicionais brasileiros, hambúrgueres e até um brunch. 

Tataoim
Gabriell Vieira

Aberto desde Setembro, o Tataoim atrai os moradores do bairro e por quem lá passa com uma oferta gastronómica que cabe em praticamente todos os estilos de alimentação e intolerâncias, e com um ambiente leve evidenciado pelo som do samba de roda e da bossa nova que ecoa nas colunas. “Fomos surpreendidos. O bairro abraçou-nos muito. Foi até um susto, achávamos que ia ser muito mais devagar, mas tem sido óptimo”, diz Bárbara Rodrigues sobre o sucesso repentino do restaurante, que abriu com o marido Rodolfo – por agora são os dois que tratam de tudo. 

O casal brasileiro chegou a Lisboa em 2019, vindo de São Paulo. Ela para cantar, ele para estudar, mas a pandemia trocou-lhes as voltas. “Começámos a fazer comida por encomenda. Vendíamos pelo Instagram ou pelo Whatsapp a amigos e amigos de amigos”, explica Bárbara. Quando encontraram o lugar perfeito, deram o passo seguinte e abriram o espaço na Rua Washington. “Foi um salto no escuro”, afirma. O espaço, com capacidade para cerca de 30 pessoas, é tão colorido quanto a comida e divide-se entre o interior e uma zona de esplanada, num pequeno pátio.

Tataoim
Gabriell Vieira

O interesse pela alimentação plant-based já existia, mas no momento de pensar na introdução alimentar do seu filho, Bárbara e Rodolfo começaram a levar a questão mais a sério. Os valores de casa replicam-se no restaurante, que não serve alimentos de origem animal ou ingredientes artificiais. “Somos nós que fazemos quase todos os produtos. Tentamos usar muito poucos processados. Não nos intitulamos um restaurante vegan, porque vegan vai muito além da comida, mas tentamos ser sustentáveis e apenas adquirir produtos de produtores locais. Queremos apresentar outras coisas às pessoas”, acrescenta Bárbara. 

O nome — Tataoim (lê-se tátáoim) — é difícil de pronunciar porque pertence ao dialecto infantil. “É como o nosso filho chamava à pasta de manteiga de amendoim”, justifica. E é também “um nome que não existe e que ninguém confunde". Não é de estranhar por isso a presença da manteiga de amendoim na carta, nomeadamente numa das tapiocas (7€) e até numa das opções de smoothies (5€).  

Tataoim
Gabriell Vieira

Ainda assim, os pratos mais requisitados são a feijoada brasileira vegan (10€), disponível aos sábados, e também o brunch completo (13€), composto por dois pães de beijo (feitos com batata doce laranja), mini croissants, pão (cenoura e cúrcuma, batata ou abóbora e especiarias), três acompanhamentos (hummus, tomate confit, caponata de beringela, manteiga vegan, chocolate, manteiga de amendoim, geleia ou ricota), uma bebida quente (entre expresso, abatanado ou chá), uma bebida fria (sumo do dia ou chá fresco) e um doce (cookie de amendoim, aveia e chocolate, fruta com granola ou fatia de bolo). 

Tataoim
Gabriell Vieira

Há outras propostas na carta, com destaque para o suculento hambúrguer de grão e beterraba com queijo vegan (10€) e para a moqueca (10€), que é o prato do dia às quintas-feiras e é feita de banana e grão com leite de coco, acompanha arroz e farofa de beterraba. Nas sobremesas, vale experimentar a tortataoim (3€), chamada assim pelo sucesso que faz entre os gulosos, com chocolate, amendoim caramelizado e flor de sal.

Tataoim
Gabriell Vieira

Além dos chás e dos sumos naturais, há cerveja Musa e Oh K Kombucha para acompanhar a refeição.

A influência brasileira no menu vem, claro, de “memórias afectivas”. “São coisas que comemos na nossa casa e de que sempre gostámos e que hoje em dia continuamos a comer, mas sem nenhum derivado animal”, assegura Bárbara.

Para já, estão abertos de terça a sábado, das 11.00 às 16.00, mas vão começar a testar outros horários. “Temos considerado os domingos para fazer eventos”, diz Bárbara, entre eles workshops do universo das artes. “O primeiro vai ser com Paulo Novaes, um cantor do Brasil, que vai dar um workshop de composição, imersão criativa”, desvenda. Também pensam em testar o horário da noite. “Temos recebido pedidos de pessoas que querem vir jantar e se valer a pena aumentamos a equipa”, conclui Rodolfo.

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