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Teatro, O Corpo de Helena, Teatro Nacional 21
©DRO Corpo de Helena

Teatro Nacional 21 estreia uma tragédia via Zoom

A companhia Teatro Nacional 21 estreia ‘O Corpo de Helena’ em directo nas redes sociais. Fazemos a antevisão.

Por Mariana Duarte
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Antes de voltar aos palcos, a companhia Teatro Nacional 21 (TN21) estreia, online, um espectáculo que tem estado a preparar desde o período de confinamento: O Corpo de Helena, com texto de Paulo José Miranda, direcção de Cláudia Lucas Chéu e interpretação de Albano Jerónimo, António Durães, Emília Silvestre, Marta Bernardes e Luís Puto. Esta peça coloca em confronto, e em diálogo, duas temporalidades – a tragédia grega, o mais antigo cânone teatral, e o Zoom, um dos mais modernos dispositivos digitais. Será transmitida em directo no Facebook e no Instagram da companhia, de sexta-feira a domingo às 21.00.

Foi um “duplo desafio”, conta Cláudia Lucas Chéu, que em 2011 fundou a TN21 juntamente com Albano Jerónimo, tendo como uma das principais linhas de acção as novas dramaturgias portuguesas. “Já tínhamos este texto do Paulo José Miranda na calha antes da pandemia. É um dramaturgo muito pouco conhecido”, assinala a encenadora e dramaturga. Em O Corpo de Helena (1998), Paulo José Miranda reconfigura a tragédia grega à luz da contemporaneidade. “Uma experiência radical” a que a TN21 acrescentou um segundo nível de experimentação, criando uma janela virtual interactiva para as personagens de Menelau, Agamémnon, Ulisses e o Coro.

O processo de criação e os ensaios foram realizados online, envolvendo vários elementos da equipa, como Tiago Pinhal Costa, cenógrafo e figurinista, e Rui Monteiro, desenhador de luz. “Eles estão a construir o espectáculo a partir da casa de cada actor, mas à distância, com o material que cada um deles tem em casa. Era essa a proposta”, explica Cláudia Lucas Chéu. Tiago Pinhal Costa escolheu a divisão da casa em que cada actor e actriz fará o espectáculo, enquanto Rui Monteiro orientou, por exemplo, o uso dos candeeiros que cada um tinha disponível.

Para Cláudia, todo este processo revelou-se simultaneamente “estranho”, “difícil” e “interessante”, sobretudo quando se reflecte sobre o teatro como “uma arte que exige a presença do outro”. “O texto fala precisamente da ausência de corpo, de alguém que é privado do corpo, e nós estamos a trabalhar nessas circunstâncias. Estamos a contracenar sem a presença do corpo do outro.” Isso faz com que se mergulhe “numa zona que é uma espécie de terra de ninguém”, em algo que fica a meio do caminho, observa a encenadora. “Isto não é bem teatro. Também não é cinema. É o quê? Temos conversado muito sobre isto”, conta. “Estamos ainda a perceber o que se pode acrescentar com este tipo de experiência porque só agora estamos a vivê-la.”

Apesar de não estar nos planos da TN21 continuar a desbravar o teatro em formato digital, haverá um segundo round entre Setembro e Outubro: a companhia vai apoiar a criação de um espectáculo online por um jovem artista português, formado em artes performativas no último ano lectivo. A bolsa de criação é lançada a par da estreia de O Corpo de Helena e o vencedor será escolhido durante o Verão. O espectáculo é gratuito, mas o público é convidado a contribuir para este fundo, cujo valor inicial é de 500€. Numa altura em que as artes em Portugal estão a passar por uma crise profunda, toda a força é bem-vinda.

Sex a Dom 21.00. Facebook do Teatro Nacional 21. Grátis.

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