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‘Terra Nova’: a derradeira epopeia dos heróis do mar

A RTP estreia esta quarta-feira uma série sobre a pesca do bacalhau nos anos 1930: ‘Terra Nova’. Fomos tirar azimutes com a ajuda do realizador, Joaquim Leitão.

Por
Hugo Torres
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A pesca do bacalhau foi, talvez, a derradeira epopeia marítima portuguesa. A última vez em que o mundo olhou para os homens do mar deste pequeno país e os viu como heróis: aventureiros, valentes, ambiciosos. A faina maior, como ficou conhecida, era uma actividade incentivada pelo Estado Novo, desejada pelos armadores e financeiramente compensadora para os trabalhadores. Todos tinham interesse em encher os barcos o mais depressa possível e a competição que existia entre pescadores levava-os a deixar os navios-mãe e a afastarem-se em botes à procura do fiel amigo nas águas frias do Atlântico Norte. Uma prática fundamental na mitificação destes homens – eram os únicos no mundo a largarem assim, solitários, em alto-mar. Mas, tal como noutras epopeias navais, também esta tem um reverso doloroso: alguns destes pescadores não conseguiam regressar, e os que conseguiam trabalhavam jornadas de até 20 horas diárias em condições duríssimas. Muitos morriam.

Terra Nova, que se estreia esta quarta-feira em horário nobre no canal 1, mostra em 13 episódios como era a vida das comunidades piscatórias envolvidas na Campanha do Bacalhau, nos anos 1930. “O mais provável é que maior parte da população, sobretudo as gerações mais novas, não tenha a menor ideia de como esta actividade marcou as vidas de tanta gente durante tantas décadas”, diz o realizador da série, Joaquim Leitão (Até Amanhã, Camaradas), que pegou na parte televisiva de um projecto que envolve ainda um filme, de Artur Ribeiro (a partir de Bernardo Santareno), cuja estreia estava prevista para a semana em que foi decretado o estado de emergência e acabou por ser adiada, continuando suspensa.

“A série e o filme centram-se em personagens diferentes, têm climas diferentes e têm qualidades próprias. Ver a série nunca pode substituir a experiência de ver o filme”, sublinha Joaquim Leitão. “O Artur não tinha possibilidade de fazer o filme e a série, e a produtora Ana Costa [da Cinemate] fez-me a proposta para realizar a série. Depois de ler o argumento, percebi que tinha as condições para ser uma série de qualidade.”

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Artur Ribeiro, que assina o argumento da série a meias com Nuno Duarte (com quem trabalhou na telenovela Belmonte), ficou com a água, tendo filmado no Mar do Norte; Leitão permaneceu em terra, centrando-se nas comunidades a que pertenciam aqueles pescadores. “Felizmente, as localidades onde se passa a história preservaram muita documentação da época e [houve] gente dedicada que recolheu informações e histórias passadas por tradição oral. E, juntando esses dados, [foi possível] perceber como as pessoas se vestiam nessa época, como eram as suas casas, as ruas, etc.”, nota.

Das tensões sociais e políticas vividas no início da ditadura às distensões amorosas e familiares, Terra Nova traça um retrato de angústia e conflito de quem lutava por se manter à tona. A série conta com extenso elenco de caras conhecidas do grande público: Virgílio Castelo, Sandra Faleiro, Beatriz Barosa, João Jesus, Vítor D'Andrade, João Reis, Pedro Lacerda, Maria João Falcão, Catarina Rebelo, Miguel Borges, Carla Chambel, João Craveiro, João Catarré, Ricardo de Sá, Carolina Amaral, Sara Norte, Vítor Norte, João Baptista, Patrícia André, Miguel Partidário, Dinarte Branco, Rodrigo Soares, Rodrigo Tomás, Figueira Cid, Paulo Manso, Tomás Alves, Manuel Sá Pessoa ou Miguel Melo.

RTP1. Qua 21.00 (estreia T1).

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