Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right The Crown: o tempo passou e as caras mudaram, mas a série não
The Crown
Sophie Mutevelian The Crown

The Crown: o tempo passou e as caras mudaram, mas a série não

Publicidade

À terceira temporada, The Crown mudou os actores, mas a série continua igual a si mesma. Uma lição de história que nos deixa espreitar pelo buraco da fechadura da monarquia britânica.

De repente o tempo passou e as caras mudaram. Saiu Claire Foy para entrar Olivia Colman, que interpreta uma rainha mais velha, mais adaptada ao cargo, mas também mais fria. A estranheza que poderia existir por encontrarmos actores diferentes dura, no entanto, muito pouco. Mérito de Peter Morgan, que logo ao primeiro episódio desta nova temporada resolve perfeitamente o assunto. Numa sala do Palácio de Buckingham, é apresentado à rainha Isabel II o novo selo oficial com o seu perfil. De um lado, o que já foi. Do outro, o que é agora.

“Todos nos Correios estão felizes com o novo perfil. Consideram-no um reflexo elegante da transição de jovem mulher”, diz o secretário pessoal da rainha, Michael Adeane (David Rintoul), rapidamente interrompido por ela. “Para uma velhota”, atira a monarca. “Mãe de quatro e soberana instituída”, conclui ele. Isabel II resigna-se: “A idade raramente favorece. Ninguém pode fazer nada. Só nos resta aceitá-lo”.

Entra o genérico e voltamos a encontrar a rainha a tomar o pequeno-almoço com o marido, o príncipe Filipe, duque de Edimburgo, agora interpretado por Tobias Menzies. Estamos em 1964 e o trabalhista Harold Wilson (Jason Watkins) está prestes a ser eleito primeiro-ministro. À terceira temporada, The Crown continua igual a si mesma: uma mega produção, muito bem interpretada e uma porta de entrada de luxo para a monarquia britânica que continua até hoje a suscitar tanta curiosidade quanto títulos de notícias.

Quando a Netflix a anunciou em 2015, apresentou-a como tendo por base a peça de teatro The Audience, também escrita por Peter Morgan. Mas se no palco a história se resume praticamente aos célebres encontros das terças-feiras à tarde entre a rainha e os sucessivos chefes do Governo, na televisão o enredo vai cada vez mais para lá da política.

O príncipe Carlos, de quem tínhamos ainda ouvido falar muito pouco nas primeiras duas temporadas, aparece agora com mais destaque. Josh O’Connor dá vida ao príncipe de Gales entre os 16 e os 22 anos, um jovem triste e inseguro que luta por se manter independente e ter uma voz própria, apesar de acabar tantas vezes instrumentalizado pelo poder. É nesta altura que surge o romance com Camilla (Emerald Fennell), mas o namoro é impedido pela Rainha Mãe (Marion Bailey) e pelo Lord Mountbatten (Charles Dance), que engendram um plano para afastar o casal.

Cada vez mais perdida está também a princesa Margarida (Helena Bonham Carter), irmã da Rainha. A sedutora e aventureira, até então protagonizada por Vanessa Kirby, vive presa numa relação tóxica com o fotógrafo Anthony Armstrong-Jones, conde de Snowdon. Refugia-se em bailes e festas, sempre de cigarro e whisky na mão.

Ao longo dos dez episódios, a história prolonga-se até 1977. Resta saber se na quarta temporada o elenco continua. Afinal, a Netflix avisou desde o início que os actores iam mudando conforme os anos fossem passando.

Netflix. Sex (estreia T3)

+ Cinco séries para ver em Novembro

Share the story
Últimas notícias
    Publicidade