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The New Pope
Gianni Fiorito/HBO

The New Pope: eyeliner e fumo branco com John Malkovich e Jude Law

Após dois anos de espera, eis finalmente ‘The New Pope’. Uma segunda temporada que Paolo Sorrentino quer que vejamos como uma nova série.

Por
Claudia Lima Carvalho
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Um Papa como anti-herói diz-nos logo ao que vem Paolo Sorrentino, como é aliás seu apanágio. Não há santos aqui, mesmo que o protagonista seja o Papa, o Santo Padre. The New Pope, que o realizador italiano quer vender como uma nova minissérie mais do que como uma segunda temporada de The Young Pope, não é sobre Deus, mas sobre quem por ele clama. Os mesmos que no início deste ano se chocaram quando o Papa Francisco se irritou com uma crente que puxava por si, reagindo com uma palmada na mão da mulher. “Às vezes até eu perco a paciência”, disse ele um dia depois, pedindo desculpa.

Em The New Pope, como já acontecia em The Young Pope, não há culpa porque todos os homens são falíveis, mesmo aqueles que estão no topo da hierarquia da Igreja. Todos podem cair em pecado. A religião não os salva, a religião são eles que a fazem.

A nova série começa precisamente onde The Young Pope acabou – atenção aos spoilers a partir daqui. Lenny Belardo (Jude Law), que se tornou o Papa Pio XIII, o mais jovem pontífice, uma figura egocêntrica, radical e que, ao mesmo tempo, revolucionou a Igreja expondo os podres da instituição, teve um ataque cardíaco enquanto pregava no Vaticano. Está em coma, tendo já sido submetido a um transplante de coração. Na Praça de São Pedro reza-se por um milagre, enquanto nos corredores do poder se congemina já a sucessão. Pio XIII não está morto, mas também não se sabe se acordará. Além disso, os velhos conclavistas que se sentiram defraudados, por terem imaginado que aquele jovem seria um Papa manipulável, podem agora mudar o jogo. A primeira escolha recai no cardeal Viglietti, que procura abrir a Igreja aos refugiados, aproximando-a das suas raízes solidárias e despojada de ouro e ostentação. Mas, naturalmente, não tem o perfil que agrada aos corruptos que fazem o Vaticano mexer, liderados pelo maquiavélico cardeal Angelo Voiello (Silvio Orlando), que arranja forma de o conclave nomear o Papa de que a Igreja precisa. É ele o excêntrico John Brannox (John Malkovich), nascido na aristocracia inglesa e amigo de celebridades como Meghan Markle. Apesar de usar eyeliner e receber no Vaticano algumas das suas “pessoas famosas favoritas”, como Sharon Stone e Marilyn Manson (a fazerem deles mesmos), Brannox, de nome santo João Paulo III, é o oposto de Belardo. É delicado, cerebral e hesitante – e sabe o quão difícil será substituir o carismático Pio XIII. Ou pior, atormentado pelos seus próprios segredos, teme o encontro com o antecessor, caso este acorde do coma.

The New Pope continua num território estranho, num tom absurdo e provocador, entre o drama e a comédia. Sorrentino sabe o que está a fazer: também a fé tem tanto de significado como de absurdo.

Para marcar esta estreia, os Canais TVCine promovem um especial dedicado ao realizador italiano. The Young Pope está a ser transmitido no TVCine Emotion até ao dia 11 de Junho. No mesmo dia, o TVCine Edition passa os filmes A Juventude (19.55) e A Grande Beleza (22.00).

TVCine Emotion. Qui 22.10 (estreia T1)

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