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Tudo para todos: até domingo, o coração cultural de Lisboa está em São Vicente

Smashed
D.R. Smashed

Histórias de homens e mulheres, instalações, debates, comidas do mundo, circo, teatro, música, visitas guiadas e arte urbana. Haja fôlego para o festival TODOS – Caminhada de Culturas, que faz 10 anos e arma a festa em São Vicente.

O TODOS é muito mais do que a soma dos inúmeros intervenientes. O festival, que pela segunda vez consecutiva se instala na zona de São Vicente, celebra este ano o seu 10.o aniversário em plena Graça, sob o mote “Avizinhar o mundo”.

Desde que surgiu em 2009, idealizado por Miguel Abreu, actor, encenador, produtor cultural e director do evento, o festival assenta arraiais por três edições num bairro da cidade e depois segue caminho, como tantos de nós actualmente, atrás de coisas como a felicidade, um novo trabalho, paz ou dignidade. O seu maior propósito é contar histórias de quem habita esses locais e aproximar vizinhos, desconhecidos e o resto do mundo, abordando assim preocupações e interesses transversais a toda a gente.

A festa acontece de quinta-feira a domingo, 19 a 22 de Setembro, e a programação deste ano celebra uma das ideias e palavras-chave do TODOS: o outro. O outro que está aqui mesmo ao nosso lado, tão próximo e semelhante, qualquer que seja a sua cultura de origem e/ou antiguidade no território que partilhamos. “Este festival assenta no interculturalismo, na proximidade e troca entre pessoas de diferentes culturas, e não no multiculturalismo, onde há chineses, filipinos e angolanos, mas está cada grupo no seu canto”, explica-nos Miguel Abreu.

Com base nas últimas edições, são esperados, de acordo com o director, “entre 7 a 8 mil pessoas”, a maior parte delas durante o fim-de-semana. 

A extensa programação estará distribuída por três áreas: a Zona Vermelha (Rua Voz do Operário/Campo de Santa Clara), a Zona Laranja (Rua da Graça/Jardim Cerca da Graça), e a Zona Azul (Largo da Graça/Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen). Haverá teatro, música, debates, instalações, encontros, performances, dança, fotografia, novo circo, arte urbana, visitas guiadas e gastronomia. É tudo gratuito, à excepção do concerto de Capicua (5€, mas já lá vamos) e das oficinas gastronómicas (10€/ refeição), sendo que neste último caso as receitas servirão para ajudar os imigrantes cozinheiros, como é caso de D. Gilda, de Minas Gerais, no Brasil, ou da angolana Edna, que servirá dois almoços no pátio de sua casa. 

Como muitas das actividades e espectáculos têm entradas limitadas, mediante a ordem de chegada e/ou inscrição prévia, Miguel deixa o alerta: “Acima de tudo o TODOS serve para vir ao encontro do outro, mesmo não sabendo ao que vão. A intenção é essa, provocar essa disrupção, esse desvio da rota.”

Tudo vai começar com uma salada de fruta comunitária, anunciam no site do evento, a propósito dos jantares viajantes com paladares do mundo, vindos do Brasil, China, Índia e África que vão ser servidos pela Cozinha Popular da Mouraria (Quiosque do Jardim da Cerca da Graça, Calçada do Monte, 46. 20, 21 e 22 Set. 19.00-23.00). Cada um é convidado a trazer uma peça de fruta para juntar à sobremesa que será confeccionada por todos. O que sobrar será utilizado na preparação de “uma sangria capaz de alegrar o mais triste fado”, garantem. 

Outro dos pontos altos da programação e um bom exemplo da essência do evento, é a exposição de fotografia “São Vicente de Fora para dentro” (Escola Oficina n.o 1 – Largo da Graça, 58. 19 Set 19.00-20.30, 20 e 21 Set 15.00-19.00, 22 Set 15.00-18.00) que propõe um olhar sobre as vidas de pessoas que, não dormindo na freguesia, a habitam e lhe são indispensáveis. Gente que “num vaivém entre zonas longínquas, cumpre travessias diárias de transportes públicos, a pé, em filas, para vir trabalhar, limpar, cuidar, ou respirar um ar de esperança a São Vicente”, afirmam no programa.

Com todos juntos e misturados, a programação segue e apresenta no sábado às 22.00, na Voz do Operário, Capicua & Mulheres da Lusofonia, um espectáculo com a colaboração da luso-cabo-verdiana Sara Tavares e da luso-angolana Eva RapDiva. Mas também há concertos ao domicílio para idosos acamados, música clássica ao som da Orquestra de Macau no Panteão Nacional (22 Set, 18.30, as portas abrem meia hora antes do espectáculo), ou a actuação de Edu Miranda Trio com a convidada e fadista Silvana Peres, onde chorinhos, sambas, baiões, forrós, maracatus e até mesmo fados ganham novas sonoridades.

Conte ainda com Smashed, um divertido espectáculo vindo do Reino Unido e que envolve 9 malabaristas, 100 maçãs e música que vai desde Tammy Wynette, até ao music- -hall, passando por Bach; visitas guiadas como “Da Mouraria à Graça Pelo Olhar de Ewelina” ou ‘“Pátios”, “Vilas” e “Bairros” da Graça; Nós e os Outros, uma criação de Bruno Cochat inspirado num conto infantil de Álvaro Cunhal; Mas Para Onde Caminham Elas?, uma performance em forma de caminhada poética feita por mulheres oriundas de diversos países; Enxada, um espectáculo de circo contemporâneo sobre a ruralidade e os seus imaginários urbanos e contemporâneos; ou Vivências, do grupo de Teatro O Bando, com Paula Só como intérprete da personagem Ti Miséria, pela qual lhe foi atribuído o Prémio de Melhor Interpretação do Ano da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro em 1986. 

Venham todos. 

Graça (Vários locais). Qui 14.30- 23.00, Sex 10.30-02.00, Sáb 11.00-00.30, Dom 11.00-23.00. www.festivaltodos.com

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