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Diego Miranda
DRDiego Miranda

Um dos melhores DJs do mundo é português

Diego Miranda figura desde 2013 no conceituado ranking da ‘DJ Mag’. Este ano subiu ao 51.º lugar. Falámos com o DJ português sobre os desafios da electrónica em tempos de incerteza.

Por Clara Silva
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A britânica DJ Mag, uma das mais importantes revistas de electrónica, revelou no fim-de-semana o seu top anual de melhores DJs do mundo. David Guetta voltou ao topo do ranking principal (em 2019 o primeiro lugar foi de Dimitri Vegas & Like Mike), na qual se encontra um português: Diego Miranda, em 51.º lugar. A belga Charlotte de Witte lidera a lista dos melhores DJs alternativos.

“Este top serve de referência à indústria, muitos promotores de eventos usam o top como referência para a contratação de artistas”, explica Diego Miranda à Time Out, enquadrando a importância do acontecimento. O DJ, de 41 anos, diz que “acontece frequentemente em alguns mercados ser anunciado o DJ #45 do top 100, em que o número é apresentado maior que o nome. Creio que isto mostra bem a importância deste ranking.”

Este ano, Diego Miranda, que já está no top desde 2013, subiu quatro posições. “Por ser calculado através de voto popular este top espelha a popularidade e a notoriedade de um DJ no mundo. Conseguir estar no meio da tabela é um privilégio muito grande, ainda mais por ser o português com mais entradas consecutivas no top 100”, afirma.

O interesse por electrónica começou aos 14 anos. “Dois dos meus melhores amigos eram DJs de techno e admirava-os bastante. Com o Michael Angelo e o John-e comecei a praticar, a produzir em estúdio, ganhei o gosto e desde aí nunca mais parei”, recorda Diego Miranda. A primeira festa em que tocou foi na terra natal, a Ericeira, na antiga discoteca Virtual. “Tinha 16 anos e foi um festão, gostaram tanto que me convidaram logo para outro grande evento com artistas internacionais, como o lendário Carl Cox, através do visionário empresário Nuno Carvalho, que produziu eventos como o Olá Love 2 Dance”, continua.

A partir daí, a carreira disparou. Hoje é residente no Ushuaia, em Ibiza, e o seu tema “Ibiza For Dreams”, lançado em 2009 tornou-se um hit. Este ano, preparava-se para ser o primeiro português a actuar no palco principal do festival Tomorrowland, na Bélgica, até ficar confinado em Portugal. “Pude continuar a partilhar a música que gosto com os meus fãs em sets emitidos online, mas claro, faltaram as festas. Para alguém que, há mais de dez anos, está habituado a tocar todos os dias seguidos nos meses de Verão foi muito complicado e desmotivante.”

Sendo a noite um dos sectores mais afectados com a pandemia, o DJ teve de se reinventar, o que não é fácil. “O digital ajuda imenso, permite que o artista não desapareça, e têm-me convidado para tocar em algumas lives de clubs, empresas. Vou continuar a produzir música e existem várias plataformas que podem ser usadas na internet, até já pensei em dar aulas online. Mas claro que, para quem é artista, o calor humano e o feedback imediato às nossas músicas é crucial. Sem isso, um artista sente-se sem alma”, diz.

Para já, continua a tocar em live streaming e a esperar por dias melhores. “Além de ser difícil gerir a carreira, as pessoas que estão envolvidas, as equipas de trabalho, também foram afectadas, desde operadores de câmara à produção de palcos. É muito difícil se tudo não voltar ao normal rapidamente porque muitas pessoas dependem dos espectáculos e o público também tem necessidade de sair e ouvir música. É um bem essencial.”

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