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Uma carta aberta ao carro em cima do passeio
Inês Martins

Uma carta aberta ao carro em cima do passeio

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Quando perguntaram ao alpinista George Mallory por que é que ele queria chegar ao topo do monte Everest, ele respondeu: “Porque está ali”. A subida à montanha mais alta do mundo não precisa de justificação. É um fim em si mesmo.

O mesmo não se pode dizer dos montanhistas amadores que todos os dias assomam aos cumes dos passeios da cidade com as duas ou quatro rodas dos seus carros.

Porquê? Porque está ali. Mas sobretudo porque estacionar é difícil e meter o carro em cima do passeio é fácil.

A calçada portuguesa não pode ser comparada a uma montanha. Representa um desafio vertical mínimo, pode ser vencida por pessoas com vertigens e sem equipamento adequado. No entanto, todos os dias há dezenas de lisboetas que fazem pequenas expedições até ao topo das pedras de calcário onde as pessoas metem os pés.

Há zonas da cidade em que os passeios são autênticas gincanas. Percursos de obstáculos difíceis para qualquer peão e impossíveis para pessoas de mobilidade reduzida ou a empurrar um carrinho de bebé. Parece que os condutores estúpidos de Lisboa se juntam para construir um Everest horizontal, uma barreira intransponível que testa os limites das pessoas que querem ir de A para B.

O Provedor do Lisboeta desconfia que existe uma variação qualquer do Paris-Dakar onde, em vez de dunas e desertos, há pequenos cubos de calcário branco. E é para essa desafiante prova que andam a treinar os nossos vizinhos.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta às pessoas sentadas nos lugares prioritários

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