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Uma carta aberta ao carro estacionado na linha do eléctrico

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Há várias maneiras de ser um empata. Umas mais criativas, como o senhor que pára o carro no meio da estrada para cumprimentar um amigo que está a conduzir no sentido contrário. E outras menos originais, mas igualmente eficazes, como a pessoa que fica meia hora no Multibanco a fazer aquilo que parece ser a contabilidade inteira de um pequeno país.

De entre todos empatas –Lisboa é um viveiro desta espécie – há um que se destaca: o condutor que deixa o carro estacionado em cima da linha do eléctrico.

É incrível como uma pessoa sozinha consegue colocar em alvoroço dezenas de cidadãos, dos utentes de transportes públicos aos automobilistas, só para deixar o carro num sítio que lhe dá mais jeito.

Imaginem o capitão de um navio que, ao chegar à barra de um porto, diz para a sua tripulação: “Está bom aqui, não se mexe mais, os outros barcos se quiserem passar que vão à volta”. Ou o piloto de linha aérea que deixa o avião no meio da pista, para não ter que dar aquela volta tola até à porta de embarque. “Eles que venham cá ter”.

O empata da linha do eléctrico é um cidadão munido de uma lata gigantesca. Um ser cujo corpo devia ser doado à ciência, pois a glândula que segrega o bom-senso deve estar mirrada ao ponto de se tornar invisível.

Atenção: há uns quantos empatas benevolentes que deixam o carro em cima dos carris com os quatro piscas ligados, dando-nos esperança num rápido regresso. Passados uns minutos lá aparecem eles afogueados, pedindo desculpa, deixando para a nossa imaginação as razões que os terão levado a cometer aquele erro. Será um obstetra que teve de efectuar um parto urgente? Um viajante no tempo que veio evitar a Terceira Guerra Mundial? Ou alguém com pressa para registar o Euromilhões? É mais provável que seja esta última opção.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está arreliado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedorprovedor@timeout.com

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