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Uma carta aberta ao marco do correio
Inês Martins

Uma carta aberta ao marco do correio

Por O Provedor
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É possível afirmar, com algum grau de certeza, que existem hoje mais homens chamados Marco a trabalhar nos correios do que marcos do correio. Essas pequenas gavetas cilíndricas sorvedoras de matéria postal são tão raras que, sempre que vemos uma em Lisboa, nos perguntamos: será que alguém se esqueceu de tirar isto daqui? Ou ainda: será que este táxi de onde acabo de sair era afinal uma máquina do tempo que me transportou de volta aos anos 90?

São uma relíquia de outros tempos, o testemunho de uma vida sem e-mails, sms e mensagens rápidas. Uma altura em que, para fazer chegar uma mensagem a outra pessoa, tínhamos de pôr um pouco da nossa saliva num selo.

Em que parte das nossas trocas de mensagens usamos a saliva hoje em dia? Nenhuma. É uma pena.

Os marcos do correio são uma espécie em vias de extinção, os pandas do serviço postal.

Os poucos que ainda conseguimos encontrar estão maltratados, ao abandono, como se a privatização dos CTT os tivesse enviado para a pré-reforma sem qualquer tipo de compensação.

Há muita coisa a desaparecer na cidade e muita coisa a mudar. Se os marcos do correio fossem maiores e mais altos, podia ser que ainda alguém se interessasse por eles e os transformasse num hotel.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta a Lisboa, Capital Verde

+ Uma carta aberta ao co-living

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