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Uma carta aberta ao vizinho de cima (o meu e o vosso)

Uma carta aberta ao vizinho de cima
Inês Martins

Caro vizinho, muito bom dia. Como está esta manhã? Imagino que um pouco cansado depois de uma noite inteira a fazer sapateado com calçado feito de chumbo. Ou será que o barulho que ouvimos de madrugada foi uma chuva de meteoros direccionada exclusivamente ao seu andar?

Seja como for, espero que estejam todos bem. Todos os vinte indivíduos que parecem viver aí em cima, dado o movimento na escada e o imparável bater de portas.

Sobre o bater de portas: será que as vossas são assim tão pesadas que justifiquem o estrondo que ouvimos todos os dias? Não possuímos um sismógrafo em casa, mas temos quase a certeza que algumas portas das vossas divisões provocam estremecimentos capazes de deixar marca na escala de Richter.

Existem, cá em casa, pessoas que acreditam que o que se passa no vosso andar é toda uma performance. Uma encenação elaborada, uma peça de teatro para uma audiência involuntária e hiper-específica. A semana passada tivemos o drama “Casal Discute Muito Alto Sobre Como se Dobram Bem os Lençóis”, esta semana assistimos com gosto ao “É a Tua Vez de Despejar o Lixo, Sou Sempre Eu a Despejar o Lixo”.

Já que estamos aqui: obrigado por ter sempre a sua televisão no volume máximo e assim poupar-nos a chatice de ligar o nosso próprio aparelho. O vizinho não sabe, mas faz-nos muita companhia.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta às axilas da cidade

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