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Uma carta aberta ao vizinho que fecha a porta com um estrondo

Por O Provedor
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Será o caro vizinho um ser dotado de uma força sobrenatural? Estará a tentar lidar de forma trapalhona com um recém-adquirido superpoder?

Alguma justificação tem de haver para os estrondos que se ouvem todos os dias, sempre que o gentil coabitante entra e sai de casa.

Todos os prédios têm pelo menos um inquilino destes. Por vezes é o mesmo homem ou mulher que sobre e desce as escadas como se calçasse sapatos de betão. E não, este ruidoso espezinhar nada tem a ver com o peso da pessoa que está em cima dos pés. É uma atitude perante a vida. A mesma atitude que faz com que estas pessoas encarem cada porta como um pesado portão de uma quinta.

Será gente tão zelosa das suas posses que fecha todas as portas como se pertencessem a um cofre gigante?

O mais curioso deste arquétipo da má vizinhança são os horários. Pelo ribombar que se ouve nas escadas de madrugada ou de manhã cedo, diríamos que são todos padeiros ou guardas nocturnos. “Acordem todos! Aqui vou eu a caminho do serviço”, parece anunciar este ruidoso cavalheiro.

Mas nem tudo é mau. Se forem pontuais, estes vizinhos podem até ajudar-nos a acertar o relógio e a saber a quantas andamos. Para quem se levanta às 08.00, um “BA BAM!” às seis da manhã traz aquela alegria adocicada de saber que ainda temos mais duas horas para dormir.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta a Lisboa, Capital Verde

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