Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Uma carta aberta ao vizinho que não diz bom dia nem boa tarde
Notícias / LOL

Uma carta aberta ao vizinho que não diz bom dia nem boa tarde

Uma carta aberta ao vizinho que não diz bom dia nem boa tarde
Mariana Soares

De certeza que já vos aconteceu: vão a descer as escadas do prédio, cruzam-se com um vizinho, dizem “bom dia” e ele ignora-vos olimpicamente. Não é um ignorar básico, de uma pessoa distraída. É um ignorar especial: sério, empenhado, inequívoco.

É nestes momentos que algumas pessoas começam a duvidar: “Será que morri e me transformei num fantasma?”; “É possível que os meus novos cereais de pequeno-almoço contenham uma substância que me torna invisível?”.

Mas depois, com o passar das horas, reparam que todos os outros seres humanos dão pela sua presença e essas suspeitas desvanecem-se. Só nas escadas do prédio, e só perante algumas pessoas, é que a nossa existência é colocada em causa. Não sabemos se é má educação ou o fruto de algum desentendimento: pode ser que o tal vizinho lamente a música que ouvimos muito alto de manhã ou tenha o seu quarto mesmo por baixo do nosso WC e seja acordado por cada uma das nossas micções. Não sabemos.

Esse desprezo é particularmente dramático nos elevadores. Quando chegamos a um destes meios de transporte verticais e não obtemos resposta ao nosso “boa tarde”, o silêncio transforma-se numa espessa camada de desconforto gelado.

O Provedor não faz ideia se o seu vizinho é mal educado, se lhe tem um ódio de estimação ou se a sua palidez faz com que o confundam com uma parede. Mas gostava de ouvir só um rápido, desinteressado e tremendamente eficaz “bom dia” a sair daquela boca.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com

+Uma carta aberta às pessoas que entram no metro sem deixarem os outros sair primeiro

+ Uma carta aberta aos vendedores de louro prensado

Publicidade
Publicidade

Latest news