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Uma carta aberta aos homens do lixo

Uma carta aberta aos homens do lixo
Ilustração: Inês Martins

Há quem se queixe que fazem barulho. Que arrastam os caixotes pelos passeios. Que assobiam a altas horas da noite. E isso é tudo verdade. E também é verdade que não se pode mover os caixotes de sítio sem os arrastar, que não se recolhe o lixo sem fazer barulho e que, ao fim da noite, também há uns quantos pássaros a assobiar.

Os homens do lixo são heróis. Trabalham a horas em que ninguém quer trabalhar e lidam com uma matéria-prima que ninguém quer - literalmente.

Por altura do Natal os caixotes do lixo da cidade enfeitam-se com papel de embrulho rasgado e caixas de cartão. Os contentores ficam a abarrotar de espinhas de bacalhau e restos de couve cozida, conferindo um odor especial às ruas da cidade. Mas quem tem de lidar de perto com este problema são pessoas que passam a noite penduradas, à chuva e ao vento, num camião que acelera pelas ruas estreitas da cidade.

Por vezes, nos famosos grupos de vizinhos do Facebook, há pequenos movimentos anti-Almeidas, com indivíduos barafustando com o barulho e os horários. Mas pior do que acordar estes cidadãos exemplares a meio da noite é não fazer nada. Os senhores até poderiam dormir descansados, mas as nossas ruas (e os nossos narizes) nunca mais teriam descanso.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta ao Pai Natal decorativo pendurado na varanda

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