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Uma carta aberta aos rompe-filas

Uma carta aberta aos rompe-filas

“Quero só perguntar uma coisa”, diz a senhora acabada de chegar ao balcão dos CTT, ignorando o sistema de senhas e todas as pessoas à espera. Em seguida, ficará debruçada no balcão a tentar esclarecer um assunto que se tornará cada vez mais complexo, empatando o funcionário durante largos minutos e levando ao desespero uma pequena multidão.

Os rompe-filas funcionam assim. Aproximam-se dos seus alvos de mansinho, emanando confiança, convencidos de que estão no direito de desrespeitar a ordem de chegada ou o bom senso.

É gente que parece que existe apenas para curar pessoas com excesso de paciência.

O rompe-filas desenvolveu com o passar dos anos uma audição selectiva, que lhe permite ignorar os rabujos das pessoas ignoradas, e uma eloquência muito própria que faz com que qualquer empregado de uma repartição pública se sinta na obrigação de escutar a sua incrível história.

Toda a localidade, por mais pequena que seja, tem o seu representante da arte de evitar bichas. São as mesmas pessoas que levam carrinhos cheios para a caixa de dez unidades, ultrapassam pela direita, ainda não aprenderam como funcionam as rotundas e põem o carro em segunda fila, com os piscas ligados, para “ir só ali”. Se calhar vão “só ali” romper uma fila “só para perguntar uma coisa”.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta às lojas de lâmpadas

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