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Uma carta aberta às lojas de lâmpadas

Uma carta aberta às lojas de lâmpadas
Ilustração: Inês Martins

O Provedor quer começar por pedir desculpa aos seus leitores por se debruçar esta semana sobre um tema tão específico. Mas como entidade não-oficial responsável por dar voz aos humores dos lisboetas e autor da mais respeitada coluna de irritação colectiva, não pode deixar de referir este curioso fenómeno.

Já repararam na quantidade de lojas de lâmpadas que existem em Lisboa? E já viram o tamanho dessas lojas? Agora pensem: qual foi a última vez que precisaram de ir a correr comprar uma dessas ampolas luminescentes.

Há bairros onde é difícil encontrar uma padaria, uma farmácia ou um banco. Mas lá numa esquina qualquer estará, muito bem iluminada, uma loja de lâmpadas e candeeiros.

Não interpretem mal este desabafo. As lâmpadas são importantes. Sem elas seria impossível brincar às sombras chinesas e os abat-jours tornar-se-iam estranhos chapéus. Mas se praticamente todos os supermercados, hipermercados, minimercados e lojas de electrodomésticos vendem lâmpadas, quem é que vai a uma loja da especialidade para adquirir um objecto tão comum?

Imaginem uma loja que vende apenas aqueles tapetes feios que se põe à entrada dos apartamentos.

Já agora, alguém sabe onde se compram esses tapetes feios?

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta aos homens do lixo

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