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Uma carta aberta às escadas rolantes da estação de metro Baixa-Chiado

Por O Provedor
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Lembram-se do jogo "Macaquinho do Chinês? Um jogador estava de olhos fechados, virado para a parede, e cantarolava: “Um, dois, três, macaquinho do chinês”. Enquanto isso, os restantes jogadores tinham de fugir, afastando-se o mais possível. Mas assim que o jogador encostado à parede acabava a lengalenga e se virava, fitando os adversários, estes tinham de ficar imóveis como estátuas.

Serve esta longa introdução para dizer que as escadas rolantes da estação Baixa-Chiado, na saída que vai dar ao Largo do Chiado, parecem estar a fazer um longuíssimo jogo do macaquinho do chinês com a população inteira da cidade. Será que elas só se mexem quando não estamos a olhar para elas? É que são pouquíssimas as vezes em que as vemos em movimento.

As escadas rolantes são uma invenção engenhosa porque mesmo quando estão avariadas, funcionam. São escadas na mesma. Esta versatilidade é muito familiar aos lisboetas, que se deparam todos os dias com um interessante dilema: usar as escadas convencionais ou usar as escadas rolantes paradas. É à escolha do freguês.

Tempos houve em que este meio de transporte funcionou em pleno. Os mais antigos recordam com saudade as subidas sem esforço, a sensação de emergir na Rua Paiva de Andrada com os pulmões plenos de ar, as pernas e os joelhos cheios de vigor.

Será este um plano sofisticado do Metropolitano para combater o sedentarismo? Estará a Câmara Municipal de Lisboa interessada em fortalecer as coxas dos seus munícipes?

Entretanto cá vamos andando, a pisar estas escadas rolantes solidificadas, sempre com esperança que elas acordem do seu sono profundo e nos ajudem a vencer a gravidade. 

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está arreliado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedorprovedor@timeout.com

+ Uma carta aberta ao empregado que diz “queria, já não quer?”

+ Uma carta aberta ao tipo encostado ao varão no metro

Carta aberta à senhora parada no lado esquerdo das escadas rolantes

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