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Guardador de Sonhos
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Uma viagem sem fronteiras com o 'Guardador de Sonhos'

Por
Vera Moura
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Numa era em que as mudanças políticas e as crises mundiais fazem com que milhões de pessoas sejam obrigadas a abandonar o seu país e a começar uma vida nova, Guardador de Sonhos fala de esperança e de ser diferente. Fomos conhecer um migrante muito especial.

Ouvia-se a redacção da Time Out um dia destes, perante uma crise de folha em branco: “Escolhe uma citação forte para começar o texto.” É um bom conselho, e a jornalista adoptou-o de imediato. Mas e se ao longo da entrevista, há citações fortes umas atrás das outras, qual devemos escolher para começar? “É preciso sonhar para salvar o mundo”, parece-lhe bem? Ou será melhor: “Há diferenças entre todos, mesmo entre iguais”? Rita Costa, encenadora da peça infantil Guardador de Sonhos, que chega este sábado ao Teatro Ibérico, não nos facilitou a vida. 

Então já sei. Vamos arrancar com uma frase bonita do protagonista do espectáculo. Oh, não vai dar: ele não diz uma única palavra ao longo de toda a peça. Não é preciso – a expressão corporal, a música e o cenário tratam de contar a história. 

O melhor, então, é mesmo começar pelo princípio. A ideia para este espectáculo surgiu no seguimento de Diário de um Migrante, peça infantil que em 2018 a Companhia João Garcia Miguel adaptou do livro com o mesmo nome de Maria Inês Almeida. “Quisemos aprofundar a personagem. Quem é este migrante? O que traz ele na mala, das suas viagens e das rupturas que faz com as cidades que tem de deixar?”, pergunta Rita Costa antes de dar a resposta: sonhos. Não há outra forma de salvar o mundo, garante a encenadora, que quer pôr os mais pequenos a pensar sobre assuntos sérios, como as migrações forçadas pelas mudanças políticas e as crises mundiais. “Partimos de uma coisa má para chegar à parte boa: a esperança. É de forma poética e num ambiente onírico e de fantasia que se abordam temas como a poluição, o egoísmo, a mudança e o amor”, descreve.

A peça é infanto-juvenil, mas não infantilizada: os adultos também têm muito a aprender com Guardador de Sonhos e a viagem atribulada deste migrante:  “As crianças têm esse universo do sonho, os adultos têm tendência para o ir perdendo ao longo da vida, esquecem a criança que há em si.” 

A ideia é haver interacção com o público, que fica à vontade para responder e quebrar a distância entre o palco e a plateia.“Não há barreiras, tal como no sonho, aqui não há barreiras”, diz Rita. E olhe que esta declaração também tinha ficado bem bonita no começo deste artigo.

Teatro Ibérico, Rua de Xabregas 54. Sáb e Dom 16.00 (repete a 7 e 8 de Março). 5€

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