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Marvel, BD, The United States of Captain America, LGBT+
©DRThe United States of Captain America

Vem aí um Capitão América gay

O novo personagem vai ser introduzido nas páginas de ‘The United States of Captain America’. Nós aplaudimos.

Por Clara Silva
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A América está a mudar e a prova disso é que em breve haverá um Capitão América gay. O anúncio foi feito em Março pela Marvel e a aventura fará parte das comemorações do 80.º aniversário do Capitão América, na nova série de banda desenhada The United States of Captain America, com cinco edições e cinco versões do super-herói. A personagem, que o site Pride.com descreveu como “o Capitão América gay que merecemos”, chega a 2 de Junho – “em homenagem ao mês Pride”.

Esta será a primeira figura LGBT+ a vestir o fato do famoso super-herói desde que a banda desenhada foi lançada pela Timely Comics (a antecessora da Marvel), em 1941. O Capitão América foi criado na altura da Segunda Guerra e tornou-se o herói patriótico mais popular da editora nesse período. No pós-guerra, o interesse por super-heróis diminuiu no país e a saga foi interrompida em 1950, para voltar definitivamente nos anos 60, com o Capitão América já integrado no universo dos super-heróis da Marvel e a liderar a pandilha dos Vingadores.

Nas comemorações dos 80 anos da personagem criada por Joe Simon e Jack Kirby, a Marvel lança The United States of Captain America, com Steve Rogers à procura do seu escudo roubado de Capitão América numa roadtrip pelos Estados Unidos com outros colegas, também antigos Capitães América. Pelo caminho conhecem várias pessoas que, inspiradas pelo verdadeiro super-herói, assumem o papel de heróis nas suas comunidades locais. A primeira é Aaron Fischer, com tatuagens e um piercing no nariz, apresentado como o “Capitão América dos Caminhos de Ferro”, “um adolescente destemido que protege os fugitivos e os sem-abrigo”, adianta a Marvel em comunicado.

“O Aaron é inspirado por heróis da comunidade queer: activistas, líderes e pessoas normais que lutam por uma vida melhor”, revelou o autor da série, Josh Trujillo. “Representa os oprimidos e os esquecidos. Espero que a história de estreia tenha impacto nos leitores e que ajude a inspirar a próxima geração de heróis.” Jan Bazaldua, artista trans que desenhou Aaron Fischer, diz ter ficado feliz por “poder apresentar uma pessoa abertamente gay que admira o Capitão América e luta contra o mal para ajudar aqueles que são quase invisíveis para a sociedade.”

Segundo o jornal britânico The Guardian, a Marvel chegou a proibir homossexuais nos seus livros de banda desenhada nos anos 80. Nos anos 90, pôs um selo de “Só Para Adultos” nos livros com personagens LGBT+. A primeira foi Northstar (Estrela Polar) da Tropa Alfa. O autor, John Byrne, criou Northstar em 1979, mas a sua sexualidade só foi revelada em 1992. Em 2012, foi uma das primeiras personagens de banda desenhada mais mainstream a casar com outro homem.

Raquel Smith-Cave, uma das co-fundadoras do Queer Books, clube de leitura português dedicado a livros LGBT, organizou uma sessão virtual dedicada à banda desenhada no fim-de-semana passado, mas tratou-se de uma “coincidência” que não estava ligada ao Capitão América. “A Mariana, uma das pessoas que conhecemos na nossa primeira sessão, há um ano, disse-nos que um dos temas que gostava que trabalhássemos no grupo era banda desenhada e manga”, conta. A representatividade LGBT na BD é “todo um universo, com vários mundos dentro”, diz Raquel. “Há muita gente queer que se identifica com certas histórias e personagens, algumas com uma queerness não muito explícita.” Não é o caso do próximo Capitão América, “abertamente gay”, garante a Marvel.

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