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“Water Closet”: uma parceria público-privada para o palco

Water Closet
D.R.

Water Closet – espectáculo de Catarina Campos Costa que se estreia quinta-feira na Rua das Gaivotas 6 – é sobre acharmos que perdemos identidade por alguém gostar da mesma coisa que nós.

A meio de uma dança trôpega – com roupa e perucas coloridas e platinadas – urge a típica e madrasta falta de memória. Três amigos tentam recordar-se daquele jantar com sangria de maracujá onde tiveram uma ideia incrível e mesmo importante para um qualquer projecto. Deduz-se que não seja este – quer dizer, deduzimos nós.

Water Closet, que tem como subtítulo Um Projecto de Higiene para o Futuro, é uma criação de Catarina Campos Costa sobre os direitos de autor, a diferença entre original e autêntico, a fronteira entre público e privado, e a tal constatação dolorosa: está tudo inventado, nada do que faças é novo. Lavemos então as mãos, entre quinta-feira e sábado, na Rua das Gaivotas 6.

Há quase dois anos Catarina tinha uma ideia para um espectáculo quando, no intervalo de uma aula de Direitos de Autor (de um curso de produção que estava a fazer na altura) lê uma notícia sobre um artista, de quem gosta muito, que ia fazer um espectáculo sobre a mesma coisa a que ela queria dedicar-se. Foi como que uma epifania que a fez estar seis meses a ler o Código de Direitos de Autor e dos Direitos Conexos, e que lhe mudou a direcção. Deixou cair a ideia que tinha tido e decidiu fazer um espectáculo sobre isto que agora andava a ler. E ainda lhe juntou mais uma camada: “Tinha um projecto anterior que queria fazer que tinha que ver com o universo das casas de banho e depois liguei as duas coisas, porque percebi que esse contraste entre uma coisa ser privada e pública é algo que se colocarmos fisicamente num espaço é o espaço das casas de banho, é o sítio onde tens os teus momentos mais íntimos, mas se estiveres numa casa de banho de uma discoteca com um urinol ao lado tens o confronto da tua intimidade com a do outro e a tua intimidade passa a ser pública”, explica.

Foi viver para Berlim e desatou a entrevistar desconhecidos em casas de banho públicas, continuou a ler, a trazer referências para a mesa para a qual convidou Francesco Napoli, André Loubet, Miguel Dias (som) e André Pollux (vídeo), referências essas que são introduzidas aqui quer pela música, também ela transfigurada, e pelo vídeo, que parece sempre ter uma interferência qualquer, como se se tratasse de uma televisão meio estragada ou com vida própria. Há Tame Impala noutra velocidade, há “Far l’amore”, de Bob Sinclair, há tudo e mais alguma coisa.

E também há estilhaços de um enredo estabelecido por dois apaixonados que começam a gostar das mesmas coisas, a confusão das identidades, como se um deles não pudesse gostar de plantas só porque o outro também gosta, aquela coisa do “mas tu antes não gostavas de plantas”. E sobra ainda um terceiro elemento que é aparentemente o elemento apaziguador, mas que também começará a duvidar de tudo, também haverá de dizer: “Por que é que as pessoas têm sempre a mania que sabem o que eu sinto?”. Percebe-se a irritação. Não vamos arriscar dizer algo como tudo é de todos. Mas que todos nos achamos únicos e criativos, lá isso...

Rua das Gaivotas 6. Qui-Sáb 21.30. 5€.

De Catarina Campos Costa
Com André Loubet, Catarina Campos Costa, Francesco Napoli
Som Miguel Dias
Vídeo André Pollux

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