Tasca do Chico
Francisco Romão Pereira | Tasca do Chico
Francisco Romão Pereira

11 grandes casas de fado em Lisboa

Com mais ou menos turistas, o fado não morre. De Alfama a Chelas, eis casas de fados em Lisboa para diferentes gostos e bolsos.

Rute Barbedo
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Há as clássicas matinées e também as noites que voam pela madrugada. O fado não está preso a horas nem a regras, a não ser a sacrossanta ordem de silêncio sempre que começam a soar as guitarras. Vivo em tascas onde se comem bifanas no chão e em casas solenes de toalha branca e bacalhau assado, a música nascida no século XIX tornou-se chamariz turístico mas também, e ainda, refúgio exigido pelos locais. Nesta lista, partilhamos lugares onde tocam e cantam músicos de todas as gerações, com e sem consumo obrigatório.

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As melhores casas de fado em Lisboa

  • Português
  • Alfama

Longe de ser uma casa de fados, a Típica funciona desde 1997 numa ruela de Alfama, a do Vigário, mas os fados só lá andam há dois anos, vigorosos. De café de bairro – famoso pela cerveja barata (0,70€, no arranque do século, atesta uma página de jornal na parede), pelos caracóis e pelos ajuntamentos para ver futebol – a posto comunitário de música no pós-pandemia. Isto porque artistas de diferentes frentes como que obrigaram o dono, Paulo Antunes, a ceder-lhes palco. "Já tínhamos música todos os dias [de rodas de choro ao rock], menos à segunda, que era quando a Típica fechava", conta à Time Out Paulo Antunes. O que se fez? Abriu-se também a casa à segunda, para ali receber o trio-base de cordas composto por André Ramos, António Duarte Martins e Pedro Dias.

As noites de fado são as que começam e terminam mais tarde, e às vezes nem terminam, prosseguindo para o relento do Miradouro de Santo Estêvão. Também não é certo como acontecem. "Às vezes estão aqui oito ou nove guitarras e violas" e nem sempre há tempo para acomodar todos os que querem cantar, de amadores a profissionais. Nos intervalos (também longos) vivem as bifanas, os queijos, o chouriço assado, os pregos e as imperiais (já não a 70 cêntimos mas a 2€).

Rua do Vigário, 70A (Alfama). Seg-Dom 21.00-02.00

  • Português
  • Bairro Alto

Chico é Francisco Gonçalves, o homem que já posou com “toda a gente” para a fotografia na sua tasca de fados, de Mariza a Ana Moura, passando por Anthony Bourdain. Presença assídua na casa do Bairro Alto, que existe desde a década de 90 (entretanto, abriu uma segunda em Alfama), Chico tornou-a pouso sagrado do fado vadio, tanto para amantes regulares como para amadores e profissionais do fado, que muitas vezes vão lá parar após os concertos noutras casas. A par da música, há o jarro de vinho e o chouriço assado a acompanhar, mas também a certeza de que nem sempre se consegue entrar. Há que chegar cedo.

Rua Diário de Notícias, 39 (Bairro Alto). Todos os dias 19.00-03.00; Rua dos Remédios, 83 (Alfama). Qui-Dom 19.00-02.00

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  • Português
  • Santa Maria Maior

Já se chamou Bela – Vinhos e Petiscos, quando abriu na Rua dos Remédios, em Alfama, trazendo noites longas de vinho, fado e poesia. Durante anos, a Bela afirmou-se como um ponto de encontro de artistas, lisboetas que não queriam ir cedo para cama, gente ávida de experimentar. Os tempos mudaram e Bela adaptou o negócio, transformando-o numa Casa de Fados, exclusivamente. O regime é simples: quem quiser jantar (entradas, um prato de bacalhau e um de vitela, sobremesa e bebidas) e assistir ao espectáculo completo, deve chegar antes das 21.00 (com mesa reservada, claro), que é quando se faz silêncio. A partir das 22.30, mais coisa menos coisa, pode-se chegar para beber um copo, comer umas pataniscas ou uns peixinhos da horta e assistir ao resto, que dura até às 00.00/01.00, "depende do dia", explica Bela.

O painel de músicos é composto por Teresinha Landeiro, Carolina Varela Ribeiro, Flávia Pereira, Maura Airez, Sara Paixão, José Geadas, Paulo Jorge, Sérgio Onze, Pedro Galveias, Luís de Matos e Miguel Moura.

Rua dos Remédios 190 (Alfama). Qua-Dom 20.00-02.00. 57,50€ (jantar e espectáculo)

  • Português
  • Marvila

Estando em Chelas, é fácil adivinhar quem se formou nesta casa junto a um stand de automóveis e um templo evangélico: Sara Correia. Embora a envolvente urbana em nada faça antever um momento solene, no Clube Lisboa Amigos do Fado formaram-se e cantaram diferentes gerações de artistas, com todo o ritual que isso implica. No interior do prédio de estética dos anos 80/90, há paredes forradas a pedra e xailes, iluminadas a luzes baixas e vermelhas, e mostra-se o resultado (e não só) do que se aprende na escola de música. As apresentações acontecem sempre ao domingo, entre as 16.00 e as 20.00, sendo obrigatório reservar mesa, onde se podem comer petiscos como caldo verde ou bifanas.

Rua Dr. José Espírito Santo, 49C (Chelas). Dom 15.00-20.00

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  • Português
  • São Vicente 

Os fins-de-semana são de casa cheia na Tasca do Jaime, onde reina o fado vadio, mas também os habitués do bairro, os pastéis de bacalhau e as taças de vinho tinto. Quando começa a cantoria, pelas 16.00, os preços das bebidas sobem, mas é por uma boa razão: para pagar aos artistas. Nesta tasca da Graça (também há Jaime em Alfama), não vai ouvir famosos, mas vai perceber o que é o fado. A cada semana, voltam os religiosos para cantá-lo, até que a voz lhes doa.

Rua da Graça, 91 (Graça). Seg-Dom 09.00-20.00; Rua de São Pedro, 40 (Alfama). Ter-Sáb 19.00-00.00

  • Português
  • Santa Maria Maior

Esta pequena capela fez parte do Palácio da Dona Rosa, desse tempo, ainda há para apreciar a arquitectura, o ambiente e os azulejos do século XVII. Desde 2006 casa de fados, com as formalidades da mesa, da reserva e do jantar à luz ténue, por aqui passaram Carminho, Carlos do Carmo, Camané, Ricardo Ribeiro ou Pedro Moutinho. Mas, calma, que a Mesa não é uma igreja e, a partir das 22.30/23.00, pode-se aparecer em modo descontraído para beber um copo de vinho e ver em que fados a noite vai tropeçar. Pedro de Castro, o seu fundador, ainda não tinha 30 anos quando abriu a casa, pensada como um espaço inspirador e livre, que rapidamente passou a ser procurado pelos próprios fadistas para ouvirem os seus pares. Hoje ouvem-se aqui artistas como Ana Margarida Prado, Ana Rita Prada, Daniel Freire, João Braga, Vanessa Alves ou o próprio Pedro de Castro.

Rua dos Remédios, 139 (Alfama). Seg-Sáb 20.00-02.00. 60€ (jantar e espectáculo)

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  • Português
  • Estrela/Lapa/Santos

O projecto de Maria da Fé, diva do fado, começou na Lapa em 1975, na ressaca da Revolução. Desde então, no Senhor Vinho, o serviço de cozinha é tardio (até à meia-noite e meia, de segunda-feira a sábado), cumprindo-se o respeito pelas vidas a desoras do fado. Além da boa comida portuguesa, a casa recebe nomes como Filipa Cardoso, Ana Sofia Varela, Francisco Salvação Barreto, Vanessa Alves e Paulo Parreira. Maria da Fé costuma estar por ali, mas “vale a pena telefonar antes e pedir para confirmar, porque as noites em que está lá ganham outra força, mesmo quando não canta”, aconselha a fadista Carminho. “A energia que traz e a forma como se relaciona com os fadistas é extraordinária.”

Rua do Meio à Lapa, 18 (Lapa). Seg-Sáb 20.00-02.00. 67,50€ (jantar e espectáculo)

  • Português
  • Martim Moniz

Nesta casa viveu Maria Severa Onofriana, mulher-fado do século XIX, marcante não só por ter sido uma das primeiras, como também por se ter imiscuído tanto com o povo como com as elites, numa altura em que as águas estavam bem separadas. Decaída, a casa da Mouraria foi recuperada e transformada em casa de fados em 2012, pelo arquitecto José Adrião, ganhando uma fachada branca de onde sobressaem andorinhas de cerâmica voltadas para o pátio de pedra e laranjeiras. Se a história é cativante e o cenário idílico, a experiência também não deixa a desejar: gastronomia tradicional portuguesa, ambiente familiar e Hélder Moutinho, Bela e Carlos Silva fazendo as honras da casa.

Largo da Severa, 2 (Mouraria). Qua, Qui, Sáb e Dom 20.00-02.00; Sex 17.00-02.00. 67,50€ (jantar e espectáculo)

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  • Português
  • Bairro Alto

“Quem vier visitar o Bairro Alto/ P’ra ouvir esta canção sempre sincera/ Não poderá passar sem dar um salto/ Ao Restaurante Típico A Severa”. Assim diz a marcha sobre a casa que abriu portas em 1955, pelas mãos de Júlio e Maria José de Barros Evangelista. A casa por onde passaram Lina Santos, Natalino de Jesus ou Nadine andou nas mãos de quatro gerações, afirmando-se como um dos nomes mais antigos da praça. Além do fado, o restaurante aposta em gastronomia tradicional, à luz das velas. E é lá jantando que se podem ouvir os artistas.

Rua das Gáveas, 51 (Bairro Alto). Qui-Ter 20.00-01.00. 55€ (consumo mínimo por pessoa)

  • Português
  • Bairro Alto

Fundado em 1947 pela fadista Lucília do Carmo (a mãe de Carlos do Carmo), o Faia é uma casa de fado histórica do Bairro Alto, por onde passaram grandes nomes da canção de Lisboa – de Alfredo Marceneiro a Camané. Hoje, Lenita Gentil é a estrela de um plantel em que alinham também António Rocha, Ricardi Ribeiro, Maura Airez, Beatriz Felício, Luís Matos, Diana Vilarinho e Paulo Ramos. Na casa, há duas modalidades: a do jantar (80€) e a dos petiscos (20€).

Rua da Barroca, 54-56 (Bairro Alto). Seg-Sáb 19.30-01.00

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  • Português
  • Chiado
  • preço 3 de 4

É uma aposta recente no sector e surgiu em 2019 da vontade de Rodrigo Costa Félix e Luís Guerreiro em criar um espaço como “os de antigamente”. E o que quer isso dizer? Que há tertúlia e que a hora do fecho é às 02.00, “mas às vezes a coisa prolonga-se”. Com fadistas profissionais e amadores, a dinâmica é inesperada e nenhuma noite é igual a outra, asseguram os fundadores. Entre a actuação programada e o improviso, o fado roda de segunda a domingo. No prato, há delícias como cozido de grão à alentejana, costela mendinha com arroz de feijão, cabrito à minhota ou açorda de camarão, mas também bife de couve-flor ou pataniscas de legumes com arroz de tomate. Além da casa do Chiado, os sócios abriram também um espaço em Alfama.

Rua da Condessa, 52 (Chiado). Qua-Dom 19.00-01.00. 40€ (consumo mínimo 19.00-22.30)/ 15€ (consumo mínimo a partir das 22.30: 15€; Travessa do Almargem, 1B (Alfama). Seg-Dom 19.30-02.00. 65€ (jantar e espectáculo)

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