Tasca do Chico
Francisco Romão Pereira | Tasca do Chico
Francisco Romão Pereira

Doze casas de fado em Lisboa

Com mais ou menos turistas, o fado nunca morre. Do Bairro Alto a Alfama, passando pela Graça e por Chelas, eis 12 casas de fado para diferentes gostos e bolsos.

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Vão mais de dez anos desde que o fado foi declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade. O título chegou em 2011, já o género tinha enchido, décadas antes, salas e pavilhões por todo o mundo, com Amália como astro maior e Marceneiro ou Severa segurando os alicerces do canto vadio. Entretanto, o fado ganhou novas vidas e misturas, mas nunca perdeu a faculdade de se fazer ouvir em tascas, restaurantes e casas que são também escolas mais ou menos informais de música. Ao mesmo tempo, as casas de fado tornaram-se paradeiro obrigatório de turistas, mas ainda há algumas que escapam ao roteiro mais mainstream. Nesta lista, partilhamos lugares onde é obrigatório fazer silêncio e espantar males, enquanto se canta e toca o fado.

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As melhores casas de fado em Lisboa

Fica nas traseiras de um edifício em Chelas, junto a um stand de automóveis. O panorama, à partida, em nada faz antever um momento solene de fado. Mas não se deve julgar um livro pela capa. No Clube Lisboa Amigos do Fado, que é escola e casa de fados (querendo, é reservar mesa para o domingo, entre as 16.00 e as 20.00), já se formaram centenas de fadistas, que começam desde a adolescência (ou mesmo antes) a treinar o timbre para a canção. Por aqui já passaram Amália Rodrigues, Mariza ou Sara Correia, essa mesma, filha de Chelas. Para acompanhar, há petiscos como caldo verde ou chouriço assado.

Rua Dr. José Espírito Santo, 49 C (Chelas). Dom, 16.00-20.00. Consumo obrigatório

Chico, isto é, Francisco Gonçalves, é presença assídua nesta tasca que, ao mesmo tempo que é meca do fado vadio, se transformou em pouso de figuras da cultura internacional, de Marisa ao falecido Bourdain. Inaugurada em 1996 num antigo armazém de azeitonas e enchidos, a tasca foi-se afirmando como lugar de amantes e amadores do fado, mas também ponto de encontro de músicos profissionais, nas horas pós-concerto. As noites costumam acabar tarde, mas bem. Entretanto, Chico também abriu uma tasca em Alfama, na Rua dos Remédios.

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  • São Vicente 

Os fins-de-semana são de casa cheia na Tasca do Jaime, onde reina o fado vadio, mas também os habitués do bairro, os pastéis de bacalhau e as taças de vinho tinto. Quando começa a cantoria, pelas 16.00, os preços das bebidas sobem, mas é por uma boa razão: para pagar aos artistas. Nesta tasca da Graça (também há Jaime em Alfama), não vai ouvir famosos, mas vai perceber o que é o fado. A cada semana, voltam os religiosos para cantá-lo, até que a voz lhes doa.

Típica de Alfama

Longe de ser uma casa de fados, a Típica funciona desde 1998 numa ruela de Alfama, a do Vigário. Primeiro foi gelataria para a seguir mudar radicalmente de hábitos, como café do bairro. No pós-pandemia, músicos de diferentes frentes como que pressionaram Paulo Antunes, o dono do espaço, a abrir a casa também ao fado, sempre às segundas. Hoje, as cordas de André Ramos, António Duarte Martins e Pedro Dias dominam o espaço, mais ou menos a partir das 22.00 (assim que eles chegam dos seus trabalhos), havendo sempre alguém que aparece para dar voz ao trio e não sendo raras, também, as surpresas. As actuações acontecem cinco dias por semana, de música dos Balcãs ao Sul de Itália, entre bifanas e imperiais servidas ao balcão e conversa do bairro nos intervalos. 

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Já se chamou Bela – Vinhos e Petiscos, quando abriu na Rua dos Remédios, em Alfama, trazendo consigo noites longas de vinho, fado, poesia e tertúlia, e se afirmou como um ponto de encontro da malta que ali parava, de diferentes gerações. Os tempos mudaram e Bela adaptou o negócio, transformando-o numa Casa de Fados, exclusivamente. Quem quer ouvir fado, pode chegar, de quarta a domingo, para um menu de jantar tradicional, com bebidas da casa à descrição. A partir das 22.30, comer umas pataniscas ou uns peixinhos da horta. Só é preciso fazer silêncio e acompanhar a pedalada.

Rua dos Remédios, 190 (Alfama). Qua-Dom, 21.00/21.30. 57,50

  • Bairro Alto
  • Recomendado

"Quem vier visitar o Bairro Alto/ P'ra ouvir esta canção sempre sincera/ Não poderá passar sem dar um salto/ Ao Restaurante Típico A Severa". Assim diz a marcha sobre a casa que abriu portas em 1955, pelas mãos de Júlio e Maria José de Barros Evangelista. A quarta geração da família continua ao leme do negócio, por onde têm passado nomes como Lina Santos, Natalino de Jesus ou Nadine. Além do fado, o restaurante A Severa aposta em gastronomia tradicional, à luz das velas. E é lá jantando que se podem ouvir os artistas. 

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  • Bairro Alto

Fundado em 1947, pela fadista Lucília do Carmo (a mãe de Carlos do Carmo), o Faia é uma casa de fado histórica do Bairro Alto, por onde passaram grandes nomes da canção de Lisboa – de Alfredo Marceneiro a Camané. Hoje, Lenita Gentil é a estrela de um plantel onde alinham também António Rocha, Sara Correia, Maura Airez e Beatriz Felício.

  • Alfama

É a casa de Argentina Santos, uma veterana do fado castiço, que por lá está desde a década de 50 e onde chegou a ser cozinheira. Na carta encontra-se, como não podia deixar de ser, comida portuguesa – bifes, algum marisco, pratos de bacalhau, etc. – e nas cantorias destacam-se Maria Amélia Proença e Maria de Fátima.

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Fado ao Carmo

Estamos junto ao Largo do Carmo, numa casa em que o fado surgiu em 2019 da vontade de dois artistas, Rodrigo Costa Félix e Luís Guerreiro, de criar um espaço como “os de antigamente”. E o que quer isso dizer? Que há tertúlia, que a hora do fecho é às 02.00 “mas às vezes a coisa prolonga-se”. Com fadistas profissionais e amadores, a dinâmica é inesperada e nenhuma noite é igual à outra. Entre a actuação mais programada e o improviso, o fado roda de segunda a domingo. O consumo mínimo é de 30 euros por pessoa. Já na casa de Alfama, o menu para jantar (que inclui o espectáculo) é de 65 euros por pessoa.

  • São Vicente 

Não sabe o que perde se ainda não visitou a famosa capelinha do fado de Alfama e os seus belíssimos azulejos. A Mesa de Frades é habitual cenário de actuação de Rodrigo Rebelo de Andrade, Ana Sofia Varela, Teresinha Landeiro ou João Braga, que são sempre bem acompanhados pela gastronomia nacional.

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Maria da Mouraria

O Largo da Severa, berço do fado em Lisboa, ainda guarda a aura de uma outra Lisboa. Sem carros, chão de pedra, laranjeiras e bancos de madeira, num dos cantos surge uma casinha com andorinhas de cerâmica à vista onde se faz silêncio para cantar o fado. Foi nesta casa que viveu Maria Severa Onofriana, a mulher-fado, fora dos canônes do século XIX, e que, desde aa recuperação e adaptação pelo arquitecto José Adrião, em 2012, se janta e se ouvem artistas como Hélder Moutinho, que faz as honras com Bela e Carlos Silva, de quarta-feira a domingo.

Rua do Vigário, 2. Mouraria. Qua-Dom, 18.30. Sujeito a reserva. Menu de degustação: 67,50 euros.

  • Santa Maria Maior

Neste Clube de Fado, que em tempos foi um estábulo e armazém de azeite, o leque de artistas é clássico e composto por nomes como Cristina Madeira, Carlos Leitão ou Maria Ana Bobone, noite após noite. Já a ementa recheia-se de bacalhau, bifes, polvo à lagareiro e outras iguarias portuguesas. 

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  • Estrela/Lapa/Santos
  • Recomendado

O projecto de Maria da Fé, de portas abertas desde 1975, é pretexto para uma visita à Lapa. Sabe quando procura um serviço de cozinha aberto até à meia-noite e meia e tem dificuldades em encontrá-lo? No Senhor Vinho, não é um problema. Há boa comida portuguesa e um elenco de luxo que inclui nomes como Aldina Duarte ou Francisco Salvação Barreto. Para jantar, são 65 euros por pessoa.

  • Bairro Alto
  • Recomendado

É na Adega Machado que se pode cruzar com as vozes de Pedro Moutinho ou Marco Rodrigues. A casa remonta a 1937 e em 2012 beneficiou de uma reinvenção. O belo trabalho da fachada, da autoria de Thomaz de Mello, merece ser apreciado antes de entrar no mundo da fadistagem.

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  • Bairro Alto

Dos mesmos donos da Adega Machado, o Café Luso está aberto desde 1927 onde antes funcionavam as adegas e cavalariças do Palácio Brito Freire. Hoje, serve comida portuguesa, como amêijoas à Bulhão Pato, arroz de polvo ou o clássico bitoque, mas também a mestria de Elsa Laboreiro, Yola Dinis, Catarina Rosa, Filipe Acácio e Cristiano de Sousa.

Mais que comer

Já foi mais fácil encontrar restaurantes em Lisboa até dez euros e a culpa não é só do turismo ou dos tempos difíceis que o sector atravessa depois de dois anos intermitentes. Na maior parte das vezes, a qualidade paga-se, mas felizmente ainda há excepções. Comer fora não tem de ser caro e na cidade existem verdadeiros achados. Pense num prato rico, em comida saborosa e atendimento simpático às vezes até familiar. Para encher a barriga sem esvaziar a carteira, este barato não lhe vai sair caro. Corremos a cidade em busca de pechinchas gastronómicas e reunimos aqui 21 restaurantes onde poderá ser feliz.

As novidades na restauração multiplicam-se de tal forma que, à medida que damos conta dos restaurantes que abriram nos últimos meses, novas mesas já nos esperam. Felizmente, os projectos que tinham ficado em suspenso dão-se agora a conhecer. Há restaurantes de alta-cozinha, comida democrática e street food, refeições para qualquer hora, pratos daqui e do mundo. Fazemos-lhe um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa, abertos nos últimos meses. Não se deixe sentir desactualizado e marque já uma mesa – é só escolher o que mais lhe apetece hoje.

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Comer de forma saudável não é equivalente a passar fome. E, em Lisboa, há cada vez mais restaurantes com opções leves, mas muito saborosas, perfeitas para desintoxicar o organismo depois de alguns excessos. E não. Não falamos só de saladas e de comidas de passarinho. Falamos de alimentos nutritivos, saciantes e bem apetitosos. Assim, se segue ou quer seguir um estilo de vida mais saudável, vai querer experimentar alguns destes espaços na cidade, que se adaptam a todos os gostos e também às mais variadas restrições e preferências alimentares. Bom apetite e muita saudinha.

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