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Rita Chantre | Raio
Rita Chantre

Os melhores restaurantes em Lisboa até dez euros

Comer bem e barato. Nestes restaurantes de Lisboa, ainda é possível comer até 10€. Encontra bons almoços, jantares, petiscos e refeições rápidas.

Hugo Torres
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Já foi mais fácil encontrar onde comer bem e pagar pouco. O turismo é habitualmente o bode expiatório – e tem a sua quota-porta de culpa. Mas a vida de uma cidade como Lisboa não se pode simplifcar assim. Há outros factores a ter em conta: os preços disparam nos últimos anos e, se os processos de gentrificação ajudam a explicar o aumento das rendas, já não servem para justificar o encarecimento da matéria-prima. Além do mais, nos restaurantes baratos, é preciso trabalhar muito para garantir que se sobrevive com margens tão estreitas. Quem se quer sujeitar? Na maior parte das vezes, a qualidade paga-se – mas ainda há excepções. Aqui damos-lhe conta de verdadeiros achados. E garantimos que este barato não lhe vai sair caro. Nestes 20 restaurantes em Lisboa até 10€, vai ser bem servido.

Recomendado: Os melhores restaurantes em Lisboa até 20 euros

Os melhores restaurantes em Lisboa até 10€

  • Português
  • Castelo de São Jorge

É, provavelmente, o balcão mais pequeno da cidade – quatro pessoas já é demais –, mas nem por isso o menos concorrido. À hora do almoço, a fila fala por si. José Rodrigues é o homem que comanda a frigideira, onde as finas fatias de carne de porco se envolvem num molho sem segredos: vinho branco, banha e alho. A arte está na facilidade com que tudo é feito, sempre a olho, sempre certeiro. As bifanas começam a sair logo cedo e não há hora em que o movimento abrande. As Bifanas do Afonso é uma casa com quase 50 anos de história e também serve couratos e torresmos, tudo para acompanhar com uma imperial. E agora é deles também A Parreirinha do Chile.

  • Frutos do mar
  • Benfica/Monsanto
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

A Boa Esperança é um restaurante escondido, pequeno e de mesas estreitas, mas com a cozinha aberta para a sala e uma ementa curta e directa ao essencial. Entre os mariscos, há percebes, canilha, gamba tigre, camarão e amêijoa do Algarve. Nas carnes, tem bife, pica-pau e o santo graal cá do sítio: os pregos. Tem o normal e o Sonhé (maior). Vêm tenros, mal-passados e cheios de alho, numa carcaça estaladiça – com umas gotinhas de picante da casa, não há melhor. Para uma refeição limpinha a menos de 10€, sugerimos sopa, prego, fino (sim...) e café. Sai daqui a cantar.

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  • Italiano
  • Lisboa
  • preço 1 de 4

Um restaurante pequeno e arrumadinho, onde sentimos o aconchego de uma casa italiana, onde cheira a massa fresca, a música é alegre e o ambiente descontraído. O CaJa tem dez lugares no interior e funciona apenas a quatro mãos: as da chilena Catalina (Catita) no serviço e as do marido Bubacar, quase sempre na cozinha. Com preços amigos da carteira, não tardou a tornar-se uma opção popular nos Anjos. Na carta, há uma dezena de pratos de massa pelos quais optar (tagliatelle, gnocchi, ravioli, corzetti...) e outros tantos molhos para acompanhar (pedidos à parte, à escolha). Nas sobremesas não falta o tiramisù e a lista de bebidas é diversificada. Também é possível comprar a massa fresca para levar e preparar em casa.

  • Português
  • Santa Maria Maior

O self-service da Associação Católica Internacional ao serviço da Juventude Feminina é mais conhecido como Cantina das Freiras – é aberto a todos e, para cantina, tem das melhores vistas da cidade. Fica em pleno Chiado e deixa ver o rio e a outra margem. O melhor de tudo é que come por 8€ com menus completos, incluindo sobremesa. Há pataniscas, quiches e pratos do dia sempre variados. 

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  • Português
  • Campolide

Escusa de perguntar pelo Alfredo. Ao contrário do que se poderia pensar, não há nenhum cicerone ou figura com esse nome, é só “um nome comercial”. Albino José Miguel ganhou prática no mundo da hotelaria na Suíça e, no regresso, comprou este Cantinho vai já para 30 anos. Na ementa escrita à mão, os preços mais parecem desse tempo. Na cozinha, a D. Helena começa a preparar o cozido da quinta-feira às oito da manhã e é também das suas mãos que sai um dos bons bitoques da capital, tal como as belas das pataniscas de bacalhau e um arroz de polvo soltinho. De 15 em 15 dias, aos sábados, o pato no forno com laranja é imperdível.

  • Pizza
  • Sete Rios/Praça de Espanha

As pizzas de Joana Paramés vendem-se al taglio, à fatia, como manda a tradição romana. São para pegar e andar. Há propostas clássicas como a Margherita ou a Marinara, a par de combinações improváveis, como cogumelos e azeite de trufa, alho francês e três queijos, batata e alecrim ou courgette e flor de leite. Não faltam ainda opções com salame picante, presunto ou mortadella, bem como uma pizza vegan. Assentes numa base alta e “super crocante”, são cortadas em generosos rectângulos – duas fatias alimentam um adulto. Se quiser encomendar um tabuleiro inteiro (nove fatias), pode. Se quiser juntar-lhe sobremesa, faça favor: tem à escolha duas cookies exclusivas da Donnie Dough (tiramisù e limoncello).

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  • Chinês
  • Martim Moniz
  • Recomendado

A Calçada da Mouraria é a rua das cantinas chinesas – que não são restaurantes clandestinos, atenção. Este Dawanmian, tal como o vizinho Mi Dai, veio da região de Wenzhou, na China, e tem à frente um casal de guerreiros. Chen e Ruan vieram para Portugal com uma mão à frente e outra atrás, mas trouxeram com eles boas sopinhas de massa. No caso, a especialidade são as sopas de noodles, massa feita todos os dias numa cozinha sempre a 200km/por hora, onde não faltam coisas extravagantes (para portugueses, claro), como cabeças e línguas de pato ou tendão de vaca. Não é o sítio mais arrumado do mundo, mas é especial e tem uma sopa de noodles de entrecosto que está entre os melhores pratos mais baratos da cidade.

  • Campolide

Os argentinos Carolina Cifuentes e Gaston Costa já levam as suas empanadas (uma receita com herança portuguesa) a vários pontos da cidade, de centro comerciais (Amoreiras e Vasco da Gama agora, antes no Colombo) a mercados tradicionais (Ribeira e Campo de Ourique), e até já tiveram uma loja na Graça. O que nunca muda é o quartel-general, em Campolide. É aqui que funciona a fábrica que abastece as outras bancas, mas é também um espaço aberto ao público. Há cinco opções de empanadas clássicas (argentina, carne doce, frango, carne piri-piri, burguer), três vegetarianas (cogumelo e queijo, caprese, maçã) e uma vegana (berinjela). Na compra de cinco, leva uma grátis.

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  • Estrela/Lapa/Santos

É uma casa minhota, modesta como há muitas a fazer história e tradição em Lisboa. Com poucas mesas, não há momento nas refeições em que a azáfama acalme, tal é a procura, tanto de clientes habituais como de turistas que acabam ali a comer (alguns levados pela mão de guias que conhecem bem os nossos segredos). As iscas de porco são uma das especialidades, mas os pratos do dia vão variando – e não costumam falhar. Por encomenda, também se preparam uns petiscos como umas amêijoas à Bulhão Pato.

  • Chiado/Cais do Sodré

A Palms trouxe para Lisboa o espírito das pizzarias nova-iorquinas: pizzas gigantes (com mais de 50 centímetros de diâmetro) vendidas à fatia, hip-hop e punk a ecoar na sala e uma atmosfera descontraída que contamina a rua. A primeira abriu em Margate, Inglaterra, tendo entrado na lista das 50 melhores pizzarias britânicas do jornal The Times. Esta é a segunda loja. O menu é curto mas certeiro: seis pizzas (3€-5€ a fatia, 20€-25€ a pizza inteira), com destaque para a Sausage & Pesto, a House Pie! e a Vodka Pie. Há IPA própria, vinho natural produzido em Portugal e até shots de whisky com sumo de pickles. O espaço tem 14 lugares, funciona só ao jantar e fecha cedo para não perturbar a vizinhança – mas é ponto de encontro para pizza e boa disposição.

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  • Português
  • Santa Maria Maior

Numa zona pejada de restaurantes que mais não são do que armadilhas para turistas, esconde-se esta tasquinha de bons pratos tradicionais a preços de antigamente. Em tempos um segredo, hoje é preciso chegar cedo para conseguir um lugar ou arrisca-se a ficar à porta na fila  – e por mais boa vontade e simpatia que tenha Carla, a filha do dono, o Sr. Américo, sempre atrás do balcão, é coisa para ainda demorar um bocado. Os pratos do dia anunciam-se à porta num papel branco com meia dúzia de sugestões, de bacalhau à minhota ao cozido à portuguesa, de jaquinzinhos com arroz de tomate a cabidela ou pernil. Depois há sempre os bons clássicos: alheira com ovo, choquinhos grelhados, bitoque...

  • Campo de Ourique

A cadeia húngara hummusbar instalou-se em Lisboa no Mercado de Campo de Ourique. Aqui, todos os pratos que existem na carta (maioritariamente vegetariana e com opções vegan), têm hummus feito com grão de bico trazido do Egipto. Há sanduíches de pita bem recheadas, saladas, shakshuka e pratos de hummus, sempre acompanhados pelo pão pita fresco. O mais simples é o hummus com tahini. Depois é consoante a fome e o tipo de refeição que quer fazer.

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  • Turco
  • Princípe Real

Se há coisa que hoje em dia não falta na cidade – aqui, na verdade, como em qualquer outra – são lojas de kebab abertas até tarde. São tantas que fica difícil saber onde é que se comem realmente bons exemplares. Não se engane, nem procure mais: estes são dos melhores kebabs de Lisboa. E tudo porque aqui não se inventa, sabe-se o que se está a fazer e respeita-se o produto. Dez euros chegam e sobram.

  • Português
  • Avenidas Novas

No Pato Real, um café-restaurante bem-disposto convenientemente situado ao pé da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, as imperiais são ao preço da chuva. Se a cerveja lhe der fome, há pataniscas e natões (isso, pastéis de nata mutantes) para o lanche. Se veio para almoçar ou jantar conte com pratos de bacalhau, filetes de pescada, lulas, chocos e choquinhos, bife, escalopes, alheira, bitoque e lombinhos. E não só. Tudo a preços bem modestos.

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  • Benfica/Monsanto

Com passagens por espaços como a Taberna do Calhau ou a Isco, André Andrade e Victor Hugo Sintra decidiram mudar de vida e tomar conta de uma cafetaria no mais inusitado dos sítios, no interior do Complexo Desportivo de Benfica. É uma cafetaria, mas a dupla criou um menu de almoço, com pratos do dia, sandes, saladas, quiches e sopa, que seduziu de imediato a população do bairro. Os pratos mudam todos os dias. Pode ser moqueca de pescada, ervilhas com ovos escalfados, moussaka, arroz de moelas, xerém de cogumelos, caril japonês, croquetes de rabo de boi… A sopa vai do creme de legumes à ajoblanco espanhola. Já as sandes, com o pão da Massa Mãe, podem ser de ovo com farinheira, porco à portuguesa, couve-flor assada, manteiga de alcaparras e mortadela, sardinha braseada... Tudo feito com produtos comprados nas imediações (é esse o conceito por detrás do nome). E a compor tudo isto estão os preços anti-gentrificação que fazem questão de praticar.

  • Padarias
  • Lisboa
  • Recomendado

Primeiro destino de eleição para amantes de bagels em Lisboa, o Raffi's tem a mão e o talento de uma francesa que viveu por todo o lado até assentar por cá, tem as receitas caseiras de bagels da avó de outro dos donos e tem matéria-prima de qualidade no recheio. Muito recomendável o Chelsea, com queijo creme e salmão fumado; o Brooklyn, com bife de vaca, pickle de pepino (caseiro) e mostarda ancienne (idem); o Central Park, com hummus, cheddar e espinafres; ou, nos quentes, o BEC, com bacon, omelete e cheddar derretido. Para beber, há smoothies e, nas sobremesas, não falta um bagel de Nutella, mas não deixe de provar o cheesecake nova-iorquino. Se preferir, opte pelo menu de pequeno-almoço.

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  • Indiano
  • Martim Moniz
  • Recomendado

Na Rua do Benformoso, o Royal Spicy é um dos restaurantes bengalis mais interessantes da cidade. A cozinha é intensa e reconfortante, com um tarka dahl vibrante e um notável caril de vaca, com um molho escuro feito de especiarias e quilos de cebola, tudo cozinhado até ficar num creme de veludo, a ensopar uma carne a que não falta textura. A acompanhar, arroz basmati generoso, pães paratha e chaa com leite e especiarias. Come-se aqui muito bem por muito pouco, num espaço que prova que o Benformoso é mais oportunidade do que problema.

  • Indiano
  • Lumiar

Comer bem por pouco. A cantina do Templo Hindu segue esta máxima com um regime buffet de gastronomia indiana. Os pratos mudam todos os dias e não há ementa que lhe dê espaço para indecisões. Também não há álcool, nem faca e garfo, coisa sem importância uma vez que o roti (pão indiano) serve de talher. Nesta cozinha, onde não entra carne, peixe nem ovos – alegria para os vegetarianos –, há sempre sopa, arroz branco e leguminosas, que acompanham os pratos principais, normalmente um dhal e dois guisados. Ao almoço pagam-se 10€ direitinhos (bebendo água, sem sobremesa). Ao jantar é ligeiramente mais caro: 12€.

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  • Bairro Alto

Seja a que horas for, o Trevo está cheio e arranjar um espacinho ao balcão pode ser um desafio. Tão certo como estar (quase) toda a gente a comer a bela da bifana, que até Anthony Bourdain conquistou. A frigideira está sempre ao lume, à vista de todos, com uma gordura controlada e saborosa. Também há pratos do dia a preços modestos. Além disso, o Trevo tem umas das melhores canjas da cidade, disponível todos os dias.

  • Português
  • Lisboa

O nome já deixa adivinhar a origem. É de Vila Verde que Horácio e a família são originalmente e é nesta casa, escondida numa curva da Calçada de Santana, que cada dose é uma grande travessa de boa comida – ou talvez possamos dizer que são doses verdadeiramente minhotas –, independentemente do prato do dia (e há sempre duas ou três opções de peixe e carne). A grelha a carvão, plantada à janela direita de quem entra, é a oficina da melhor parte de uma ementa que vai rodando em dias mais ou menos fixos. Os preços já são difíceis de encontrar e isso ajuda também a explicar o sucesso da casa.

Lisboa em modo poupança

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