0 Gostar
Guardar

Os melhores balcões de Lisboa

Sem sub-primes, resgates, contas em offshore e gestão danosa, estes são os melhores balcões de Lisboa

Fotografia: Ana Luzia

O balcão foi durante muito tempo o gueto da sala de restaurante. “Só temos lugar ao balcão” era, aliás, um lamento clássico do empregado de mesa. Ora, o estigma está a acabar, como estão a acabar os bancos altos e instáveis e o mobiliário formatado de snack bar. Há cada vez mais balcões lindíssimos onde se come muito bem e onde ainda se consegue assistir a um showcooking de borla.

Dos clássicos às novidades, das marisqueiras aos japoneses, são mais de 250 metros de balcão onde os únicos levantamentos que tem de fazer são para erguer o copo ou levar o petisco à boca.

Os melhores balcões de Lisboa

A Cevicheria

Caso para dizer: “Ganda Peru”. Falamos da magnífica cozinha que o chef Kiko trouxe da América do Sul (e não do guarda- -redes Artur). O balcão, circular, é particularmente bonito e divertido. Conselho: fique do lado oposto à entrada – os grandes janelões dão-lhe uma vista luminosa para a Rua D. Pedro V e para os arejados transeuntes do Príncipe Real. Mas se não conseguir, não se preocupe, o espectáculo está sempre garantido. Os ceviches, as causas e os quinotos são montados mesmo ali à frente do cliente, com pinças (e não é metáfora). No tecto também há coisas para ver: sobre o lugar paira um muito impressionante polvo. Para conseguir lugar, vá fora do horário nobre – ou seja antes das 13.00 e depois das 15.00, ou antes das 19.30 e depois das 22.30. Não se aceitam reservas.

Balcão: 4,5 metros

Princípe Real

Pigmeu

O único restaurante suinocêntrico da cidade tem um menu de petiscos que parece feito à medida do balconismo mais clássico: croquetes, torresmos, pezinhos de coentrada e outros acepipes de trás da orelha – incluindo salada de orelha. O ambiente é mais cool do que o menu pode sugerir e comer ao balcão cria aquela tensão “isto é um lanche ou um jantar?” perfeita para um final de tarde na cidade. As sandes contemplam várias partes da anatomia do porco (lombo, cachaço, pernil, barriga) e o difícil é escolher – é aí que a porca torce o rabo.

Balcão: 3,5 metros

Campo de Ourique

Sea Me

Já estamos mais do que habituados a ir a sítios onde podemos comer e levar para casa (e não estamos a falar de doggy bags, obviamente), mas quando a Sea Me – Peixaria Moderna abriu no Chiado, em 2010, causou um zunzum por toda a parte. O peixe era, finalmente, moda e passava a poder ser comprado no mesmo local onde se jantava. Aqui, é sempre fresco e nacional, uma vez que a Sea Me tem viveiros na Ria Formosa e compra grande parte do pescado em Sesimbra, Setúbal e Açores. Segundo António Querido, um dos donos do grupo, a peixaria “foi a precursora do sushi de influências luso-nipónicas na cidade”. Por isso, não se espante se encontrar niguiris de sardinha assada, com flor de sal (7€/2 unidades), um dos pratos mais emblemáticos e mais pedidos ao balcão.

Balcão: 6,5 metros

Bairro Alto

Coelho da Rocha

Este é um daqueles casos em que a fama teve precedentes. Os donos do Magano, um dos mais conceituados restaurantes alentejanos da cidade, abriram um novo espaço na Rua Coelho da Rocha, em Campode Ourique. Os irmãos Bruno e Marco Luís decidiram dar novo fôlego ao restaurante trintão do senhor Esteves, que ali “servia boa comida portuguesa”. Desde meados de Maio que servem petiscos como folhados de perdiz (10€) e moelas de pato estufadas (5€), e no futuro espera-se presunto Pata Negra e arroz de pombo. Quanto às sobremesas, também não vai daqui mal servido, muito pelo contrário. Há pastéis de amêndoa (2€), sericaia com ameixa de Elvas (4€) e variados cheesecakes (4€).

Balcão: 9 metros

Campo de Ourique

O Trevo

Lembram-se do episódio de Antony Bourdain em Lisboa?Há um momento em que o apresentador de No Reservations está genuinamente feliz e não é quando está a ouvir fado com António Lobo Antunes ou a pescar no meio do Tejo. A maior alegria de Bourdain está guardada para o fim, quando ferra os dentes numa bifana do Trevo. “The glory of Lisbon”, chamou-lhe no Twitter. Bourdain pode ter colocado o Trevo no mapa gastro turístico da capital, mas há anos que este balcão, na esquina do Largo Camões com a Rua da Misericórdia, é uma instituição lisboeta. Nenhum outro lugar consegue juntar turistas, operários, executivos, estudantes e artistas. Todos a trocar a mostarda ou a disputar o frasco de piripíri. Não há sítio na cidade mais democrático onde pousar os cotovelos. A bifana é rainha – vinda de uma frigideira que parece estar ao lume desde o primeiro parágrafo do Génesis – mas o prego também recebe louvores. É grelhado na chapa, mas não semantes mergulhar no molho amarelado do bifanário. A canja tem um rácio surpreendente de galinha/caldo e é tida comou ma das melhores da cidade. Há ainda os pratos do dia, que podem ser consumidos nas poucas mesas (sempre cheias) ou que pode pedir para levar para fora – aos clientes habituais até se emprestam talheres.

Balcão: 9 metros

Bairro Alto

Bistro 100 Maneiras

“Olhó Moniz, olhá Moura Guedes, olhá Sofia Aparício, olhá…” Não haverá em Lisboa outro sítio com tanta gente da televisão e das artes por metro quadrado como no mítico balcão/hall do Bistro 100 Maneiras, ainda herdado do tempo em que se chamava Bachus. Hoje em dia, muita gente segue do balcão para a sala de refeições, mas há boas razões para não sair dos bancos altos. Uma delas são os extraordinários cocktails de Jorge Camilo, um dos melhores barmen da cidade, como o popular Red Hot Guava (11,50€), a outra é a boa carta de entradas que se podem picar mesmo ali, e que inclui desde as cascas de batata com ervas aromáticas (7€), às bolinhas de bacalhau com aioli de coentros (8,5€).

Balcão: 4 metros

Chiado

Hikidashi

Aqui não há hipótese: só pode comer ao balcão. E ainda bem. O espaço do mais procurado restaurante de Campo de Ourique por estes dias está desenhado todo à volta dessa extraordinária peça de madeira Mutene, oriunda de África. A sala, longilínea, estende-se desde a pequena cozinha aberta, ao fundo, até quase à porta da entrada. O chef e dono do sítio, Agnaldo Ferreira - que passou pelo Estado Líquido e pelo Yakusa -, diz que compraram um tronco inteiro e depois cortaram-no à medida do balcão, por blocos. De resto, experiência de corte não falta aqui, nomeadamente de peixes, seja para ceviches, seja para sashimi ou para os gunkans e outras coisas do sushi de fusão de origem brasileira que Agnaldo trouxe para Lisboa. Da cozinha vêm desde camarões grandes salteados em molho de alho e sake (12€), a feijões de soja vaporizados em flor de sal. Mas a grande inovação é a robata, um grelhador com carvão aromatizado, de onde saem por exemplo pianos de leitão que se desfazem na boca (12€). Dada a procura, o restaurante funciona com dois turnos: o primeiro dos quais começa agora às 19.00 e o segundo inicia-se às 21.30. Reserva obrigatória.

Balcão: 12 metros

Campo de Ourique

Beira Gare

Ir ao Beira Gare e não comer uma bifana é como ir a Roma e não ver o Papa. Um sacrilégio. E aqui não há desculpa que lhe valha, muito menos argumentar que não tem tempo para almoçar. Entre pedir e tê-la debaixo do nariz são menos de dois minutos. Neste que é provavelmente o balcão com o atendimento mais rápido de Lisboa (e que há mais de cem anos começou por servir só leite), as bifanas, cuja carne vem de Mafra, levam um molho feito com sal e vinho branco. “O resto é segredo”, diz Marcos Rodrigues, um dos donos. Mas como tudo na vida, neste restaurante também há dois pesos e duas medidas. A bifana ao balcão custa 2,50€, e à mesa encarece 0,40€. Além das bifanas, que muito sucesso fazem entre a clientela, há ainda polvo à lagareiro, sardinhas assadas, bitoques e alheiras de Mirandela. Tudo a sair rapidinho.

Balcão: 9,5 metros

Santa Maria Maior

By the Wine

É um dos melhores balcões de Lisboa para um copo e petisco ao fim do dia. Do lado de cá, tem 16 bancos altos. Do lado de lá, tem 38 vinhos, tudo José Maria da Fonseca, e 12 empregados, tudo gente nova formada nas suas caves. E tem uma carta de preços racionais: o copo começa nos 2,60€, tem uma escolha incrível até aos 4€, mas pode trepar aos 25€ se quiser a experiência única de um moscatel Trilogia. No petisco, pode até ficar pelo couvert: azeite, azeitona, passata de tomate, e um belíssimo pão rústico algarvio que vem de Azeitão, como quase tudo nesta casa (3€). Mas a tábua de embutidos belota e queijo (25€) ou a ceviche (salmão, cebola roxa, chili, cebolinho, lima e teriaki, por 8,5€) são apostas seguras. Quando entrar, ponha os olhos no tecto, forrado com 3267 garrafas vazias. Para enchê-las, precisaria de 2450 litros de vinho.

Balcão: 16 metros

Chiado/Cais do Sodré

Talho

“Adoro balcões. Gosto da dinâmica de falar com os empregados mas também de ver as pessoas a cozinhar o que vou comer.” A confissão é do próprio chef Kiko e isso ajuda a perceber porque é que ele tem aqui a sua segunda entrada na lista. O balcão do Talho é um mimo (do tampo aos bancos), apesar de só sentar três felizes pessoas, todas elas com vista larga sobre a cozinha e a zona de empratamento. “É pequeno mas já temos clientes fiéis”, atesta o chef – que põe as mãos no fogo pela sua carne grelhada (picanha do Uruguai, 21,80€), e pelo tártaro, para muita gente o melhor da cidade (24,90€). À saída, passe pelo talho propriamente dito e leve a mesma matéria-prima que acabou de comer para fazer em casa.

Balcão: 2,40 metros

São Sebastião
Mostrar mais

Pratos a não perder em Lisboa

Os melhores bitoques de Lisboa

Provámos dezenas de bifes, mergulhámos o pão em molhos castanhos de origens duvidosas, vimos passar ovos a cavalo, enfrentámos batatas fritas de pacote e voltámos a casa a cheirar a fundo de frigideira.

Por Luís Leal Miranda

As melhores sopas de Lisboa

Felizmente, há cada vez mais cozinheiros para quem a sopa não é apenas uma panela com cenouras e batatas trituradas.

Por Editores da Time Out Lisboa

Comentários

0 comments