Tascas a não perder em Lisboa

Este roteiro tem atendimento simpático, doses generosas e boa comida portuguesa. Não pagámos mais do que 12€ por refeição.

Fotografia: Arlindo Camacho

Breves notas para definição de uma tasca

O que é uma tasca? O dicionário diz-nos que é "um estabelecimento modesto que vende bebidas e refeições", mas também nos ensina que "tasca" é o nome do "utensílio em que se espadela o linho". Para que não haja dúvidas: estamos a falar dos restaurantes. Mas para um restaurante ser uma tasca precisa de cumprir uma série de requisitos. Juntámos 20 características que ajudam a definir o nosso objecto de estudo para que, da próxima vez que frequentar um estabelecimento do género, possa perceber em que classe de tasca está.

Uma tasca deve ter

1. Toalha de papel. Ponto extra se o empregado a usar no final da refeição para fazer a conta
2. Vitrine com uma travessa com ovos cozidos repousando em cima de um monte de sal
3. Folha de louro penduradas
4. Fotografia aérea do próprio restaurante emoldurada
5. Azulejo a explicar as condições de fiado do estabelecimento
6. Picantes e aguardentes descritas como "caseiras"
7. Sobremesas caseiras. A mousse pode ser instantânea desde que nos digam que foi feita dentro de casa
8. Azulejo enquanto elemento decorativo dominante
9. Vinho da casa descrito pelo empregado como "muito bom"
10. "Uma dose chega para dois" e se for preciso mais arroz a gente traz
11. Um empregado que resmunga se não limpamos o prato. "O quê? Não gostou? Não estava bom?"
12. Decoração à base de alfaias agrícolas e cabaças; motivos tauromáquicos ou vitivinícolas
13. Cozido à Portuguesa uma vez por semana
14. Couvert composto por azeitonas, pacotinhos de manteiga, patê de sardinha e queijo Quero
15. "Petiscos" e nunca "Tapas"
16. O guardanapo está dentro do copo
17. Um excelente arroz doce
18. Pratos do dia escritos à mão numa toalha de papel
19. Um galhardete do clube local, um cachecol de um dos "três grandes" e uma foto do dono junto a um cliente famoso
20. Um ou vários familiares do dono entre o staff

A tasca em que entrou tem 

Até 5 elementos desta lista: É um Simulacro de Tasca. Tem alguma das suas características básicas mas o seu tasquismo está pouco apurado.

De 5 a 10 elementos: É um Tasquedo Clássico. Uma referência na arte do comer bem e barato.

De 10 a 15 elementos: É um Tascão. Uma instituição respeitada por todas as pessoas com um perímetro abdominal inspirado nos anéis de Saturno. 

De 15 a 20 elementos: Parabéns, está na Rainha de Todas as Tascas. E por favor partilhe connosco onde fica esse templo da tascaria: leitores@timeout.com. Muito obrigado

Rally das Tascas

Merendinha do Arco Bandeira
Fotografia: Manuel Manso
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Merendinha do Arco Bandeira

Foi um galego que abriu o restaurante, em frente ao célebre animatógrafo do Rossio, numa altura em que ainda havia carroças
 a passar, em 1944. Há 14 anos que está nas mãos de David Castro, mas os bons pratos 
e petiscos desta casa são obra da mulher, Fátima. O ambiente de tasca está lá todo, desde o balcão de alumínio aos garrafões pendurados na parede – só já não tem pata de presunto suspensa porque a ASAE não deixa. Serve refeições completas a toda a hora mas também umas moelas “cinco estrelas” ou pataniscas ao balcão

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Baixa Pombalina
O Cardoso da Estrela de Ouro
Fotografia: Manuel Manso
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O Cardoso da Estrela de Ouro

Na sala estreita, de um lado há os desenhos que Norberto Lobo faz nesta casa há uns dez anos. Do outro, para além dos azulejos antiquados, há um armário onde se guarda a biblioteca de referências ao Cardoso da Estrela de Ouro. A última foi no Lisboeta, do chef Nuno Mendes. Aparece lá o retrato da casa e do dono e “diz em inglês que os meus rissóis e croquetes são os melhores do mundo”, diz o Sr. Cardoso. Não se esqueça de verificar a lista de pontos turísticos da Graça na porta do estabelecimento. Imperdíveis: Cabrito ao sábado, bacalhau à minhota à quarta-feira e sábado, pastéis de bacalhau com arroz de feijão à terça-feira.

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São Vicente 
Tasca do Gordo
Fotografia: Arlindo Camacho
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Tasca do Gordo

Assim que se entra – cuidado com o degrau 
– vê-se logo o topo das paredes forradas a cachecóis vermelhos com toques aqui e ali de um branco e verde do Rio Ave ou de um azul do Belenenses. Essa primeira sala é só a entrada para um tasco cheio de potencialidades, com o expoente máximo no terraço das traseiras, com direito a umas quantas árvores e espaço para as corridas dos miúdos. Isto enquanto os pais resolvem uma dose de dobrada com feijão branco, a especialidade por que é conhecida esta casa em Pedrouços.

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Belém
Tendinha
Fotografia: Manuel Manso
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Tendinha

“Isto aqui é como se fôssemos uma família”, diz Alfredo Gramaça, que trabalha na tasca do Rossio há 20 anos. A fisionomia do espaço é a mesma “há uns 100 anos”, mas a localização turística fez com que as opções crescessem – além das sandes de panado e das bifanas grelhadas no pão, há agora também sandes de bacalhau – assim como os episódios caricatos, como um turista a pedir para aquecer um queijo fresco. Há rissóis
 de leitão, de camarão, pastéis de bacalhau e croquetes para comer com um copinho de vinho ou de ginja.

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Baixa Pombalina
Jorge d'Amália
Fotografia: Arlindo Camacho
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Jorge d'Amália

Assim que se entra dá para perceber que
  nesta casa são todos do Belenenses, tal é o arraial de camisolas e fotografias da equipa penduradas na parede. Amália, mãe de Jorge, já tinha mão nesta cozinha há várias décadas quando Maria José, a mulher de Jorge, chegou à cozinha. Não há propriamente um menu nem grandes invenções, apenas alguns pratos muito elogiados no bairro e arredores, caso do bitoque, servido numa travessa de inox com molho bem temperado e ovo, do pica-pau, da alheira ou das moelas guisadas com batatas fritas, sempre caseiras.

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Ajuda
Rui do Barrote
Fotografia: Ana Luzia
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Rui do Barrote

Há cada vez mais actividade cultural que justifica uma visita a Marvila, mas ao nível da grelha, o que nesta zona oriental de Lisboa nos chama não é de hoje. Tem pelo menos uns 12 anos. No Rui do Barrote a picanha é famosíssima e com razão, acompanhada por batatas fritas no ponto. A ela juntam--se os secretos de porco preto e um bitoque digno. Na sala com equipamentos de futebol 
a completar o feng shui, não deixe de fazer
a vontade à cozinheira, D. Sílvia, e provar os pratos do dia que vão além dos grelhados.


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Marvila
Cantinho do Bem Estar
Fotografia: Manuel Manso
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Cantinho do Bem Estar

É uma tasca típica mas o nome pedia mais conforto, então Tiago Parente, alentejano de Monforte, tratou de arranjar umas almofadas arranjadinhas, a condizer com os azulejos da casa, e uns grandes e fotogénicos girassóis para pôr no balcão. “Eu só quero que as pessoas se sintam bem aqui”, diz o cozinheiro, que já recebeu a “Oprah antes de ela ser conhecida” e tem um artigo do The New York Times na parede a recomendar a visita. Serve boa comida alentejana em doses generosas.

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Bairro Alto
Sé da Guarda
Fotografia: Arlindo Camacho
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Sé da Guarda

Para começar, o melhor peixe frito da Grande Lisboa é desta casa pequena em Algés – diz o crítico Alfredo Lacerda, que em Abril de 2017 deu quatro estrelas à Sé da Guarda. O Sr. José Esteves, nesta casa há 30 anos, garante que 
os jaquinzinhos, cachuchos e pescadinhas
 de rabo na boca chegam frescos todos os dias para acompanharem o arroz de tomate, de feijão ou a açorda. O Sr. José e a D. Rosa, que gere a cozinha, abrem às seis da manhã para os pequenos-almoços e mantêm-se por ali, sem fechar as portas, até às dez da noite.

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Oeiras
Zé dos Cornos
Fotografia: Arlindo Camacho
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Zé dos Cornos

Muita gente se há-de ter conhecido nestas mesas e bancos corridos que tanto dão azo 
à conversa. A família à frente do Zé dos Cornos veio de Ponte de Lima e instalou-se
 na Mouraria com o vinho da sua terra para instituir uma das grelhas mais clássicas da cidade, tanto na carne – onde o piano é rei – como nos peixes. A acompanhar, o arroz de feijão é dos imperdíveis. Quanto aos cornos do nome é olhar em frente quando se entra: estão pendurados ao alto, grandes e retorcidos.

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Castelo de São Jorge
Adega do Tagarro
Fotografia: Manuel Manso
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Adega do Tagarro

O Sr. António passou o negócio às filhas, Paula e Judite, que modernizaram esta tasca do Bairro Alto, sem lhe tirarem a essência. Mantiveram a antiga caixa registadora, assim como os azulejos pintados à mão na parede, mas aumentaram a casa, até para dar vazão aos jantares de grupo. Continuam a servir bom peixe frito, como os jaquinzinhos, iscas de cebolada e pataniscas, estas últimas receita premiada da mãe, a D. Amália. Na parede há garantia de “boa pinga”, num quadro pintado por um antigo cliente.

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Bairro Alto
As Bifanas do Afonso
Fotografia: Manuel Manso
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As Bifanas do Afonso

Já não é o Sr. Afonso a controlar a molhanga das bifanas, feitas numa grande frigideira na janela virada para a Rua da Madalena, mas José Rodrigues garante que a receita, que não tem segredo nenhum a não ser “amor, carinho, vinho branco e um bocadinho de banha”, é igualzinha. “Isto é uma casa para lisboetas, não temos preços para turistas”, diz José, que assumiu o peso da responsabilidade das melhores bifanas da cidade há ano e meio. Há ainda couratos e torresmos, tudo para comer ao balcão, com uma imperial, e seguir caminho.

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Castelo de São Jorge
Maça Verde
Fotografia: Manuel Manso
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Maça Verde

Antes chamava-se Green Apple e servia hambúrgueres – “era mais um snack-bar” – resume Zé Carlos, dono da casa desde esse tempo. Com a Expo-98 traduziram o nome e a comida também. Começaram a dedicar-se à comida tradicional portuguesa e o snack-bar tornou-se uma tasca espaçosa com muita luz e maçãs em autocolante a decorar o balcão de alumínio. De Tábua, de onde vem Zé Carlos e a D.Laura, na cozinha há 14 anos, veio a chanfana, servida entre segunda e quarta de quinze em quinze dias.

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São Vicente 
Zé Pinto
©DR
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Zé Pinto

O Sr. António não cozinha muito, mas é ele que se ocupa de um prato de responsabilidade. O cozido à portuguesa da sexta-feira tem a sua mão e não revela o segredo, se o há. Se não partilha a simpatia pelo Benfica, o melhor é discutir política em vez de futebol, que estas paredes coleccionam plantéis de muitas épocas do SLB, retratos do Eusébio e uma ou outra camisola. Na mesa, é pedir o entrecosto à confiança. A dica do Sr. António – e de Joaquim Gomes, o dono – é de casá-lo com arroz de feijão, servido e pago à parte.

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Benfica/Monsanto
Zé do Cozido
Fotografia: Arlindo Camacho
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Zé do Cozido

Há seis anos era uma “tasca total, daquelas que só servem ao almoço”, diz Marco Costa,
 o cozinheiro chef do Zé do Cozido. Nessa altura os pais deste profissional da cozinha tradicional com tatuagens nos braços compraram o espaço, mantiveram o nome
 e boa parte da ideia. “É uma tasca com um bocadinho mais de cuidado na apresentação”, resume. A especialidade continua a mesma e obrigatória: o cozido à portuguesa. Das Beiras, de onde vem esta família, vem também a morcela da entrada e o rancho.

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Areeiro/Alameda
Adega do Solar Minhoto
Fotografia: Manuel Manso
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Adega do Solar Minhoto

A D. Idalina está nesta cozinha pequena há quinze anos. Tem a companhia de mais duas cozinheiras
 e as três circulam dentro daquele aquário muito concentradas para não andarem umas em cima das outras. Nesta casa apertada cabem, entre duas salas 
e esplanada virada para o quartel de bombeiros de Alvalade, 45 pessoas e, entre sacos com comida para levar para casa ou pratos fartos, há sempre boa comida do Minho, dos rojões e do bacalhau à minhota à lampreia, por encomenda quando é tempo dela. E chegue cedo que não aceitam reservas.

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Alvalade
A Sesimbrense
Fotografia: Arlindo Camachoo
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A Sesimbrense

A Sesimbrense é de Paulo desde que nasceu. Os avós fundaram-na há 70 anos, vindos
 de Sesimbra, e desse tempo ficou a casa
 na família e o nome – pratos, nem um. A caldeirada à fragateiro e o ensopado de eiroses (aka enguias) deixaram de ser feitos no tempo da crise, já que a matéria-prima não é barata e o desperdício era algum. “Estou a pensar voltar a fazer, a Sr. D. Elisa é boa cozinheira.” É ela que orienta o polvo na canoa, no forno com uma cebolada, e as cachupas que em algumas quintas-feiras substituem o cozido.

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Areeiro/Alameda
Adega do Lagarto
Fotografia: Manuel Manso
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Adega do Lagarto

A mascote à porta não é um lagarto, mas sim um papagaio, que vai assobiando e mandado uns bitaites a quem passa. Lá dentro, a Adega é grande e espaçosa e não sofreu grandes alterações desde 1939. O longo balcão em alumínio tem sempre alguém a beber uma imperial, seja a que hora for, e à hora de almoço as mesas enchem num instante para comer o peixe fresco (todos os dias, menos à segunda-feira, em que há postas altas de bacalhau na brasa). No Verão há travessas de caracóis sempre a sair.

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Chiado/Cais do Sodré
Pomar de Alvalade
Fotografia: Manuel Manso
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Pomar de Alvalade

Com um cálice de conhaque gigante e cachecóis do glorioso e fotografias do Estádio da Luz, fica claro que o Sr. Carlos é pelo Benfica. Comprou a casa há 20 anos aos pais de Paulo Bento e conserva as fotografias do jogador nas paredes. Introduziu o arroz de moelas com gambas que tinha comido uma vez num restaurante e replicou em casa e
deu fama aos caracóis, no tempo deles – é ver nas toalhas de papel na montra se há destes bichos. Remate-se com o bolo folhado com doce de ovos legítimo do Prontinho, em Alvalade.

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Alvalade
A Provinciana
Fotografia: Arlindo Camacho
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A Provinciana

Há uns 50 relógios na sala e são todos obra do Sr. Américo Fernandes, à frente desta casa desde 1988, depois de a ter comprado aos galegos que a fundaram em 1930. Repare-se que o tema das pipas domina e a razão é simples: o pai de Américo fazia-as em Castro d’Aire, e Américo, que sempre gostou de trabalhar madeira, aproveita-as para os trabalhos mais complexos. Na sala está a filha Carla, a tornar o serviço rápido e simpático, e na cozinha, a mulher, Judite, com mão para tudo o que aqui se serve.

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Santa Maria Maior
O Maravilhas
Fotografia: Manuel Manso
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O Maravilhas

Todos os dias há uma especialidade diferente neste Maravilhas, o restaurante que Luísa e Carlos Tavares tomaram as rédeas há 10 anos, mas a história já vem desde 1936. A D. Ermelinda, cozinheira da casa há 33 anos, é a responsável pelos pratos esgotados todos os santos dias – os clientes habituais já sabem que o truque é ligar a reservar o prato do dia, seja o cozido à quarta-feira ou os filetes de polvo com arroz do mesmo à sexta. O que 
é realmente uma maravilha é que, refeição caseira feita, a conta raramente ultrapassa os 10 euros.

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Estrela/Lapa/Santos
Imperial de Campo de Ourique
©DR
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Imperial de Campo de Ourique

Nesta tasca todos se sentem em casa, muito por culpa do Sr. João, que fala com tanto entusiasmo do restaurante e das comidas feitas pela mulher, a D. Adelaide, como dos artistas que já por lá passaram. Andrew Zimmern, do programa americano Bizarre Foods, também trouxe fama à Imperial de Campo de Ourique, conta o dono. Na lista, carregadinha de pratos tradicionais portugueses que vão rodando conforme o dia da semana, há chanfana, como manda a tradição das Beiras, ou bacalhau à minhota (ou não fossem os proprietários de Ponte da Barca).

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Campo de Ourique
Das Flores
Fotografia:Ana Luzia
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Das Flores

Já esteve para fechar, com a iminente construção de um hotel, mas o finca-pé do
 Sr. José, há já 40 anos à frente de uma das mais concorridas tascas do Chiado, está a resultar. Só abre aos almoços – o espaço é pequeno e
 às onze e meia da manhã já começa a encher, por isso convém ir cedo. Tudo o que está na lista tem saída certa, sejam os pastéis de bacalhau com arroz de tomate, as iscas ou as sopas caseiras. Tudo em doses bem servidas. Guarde é espaço para as sobremesas, sejam as farófias ou a tarte de amêndoa.


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Chiado
O Eurico
Fotografia: Joana Freitas
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O Eurico

Basta um nadinha de sol para esta tasca ser o cenário idílico para qualquer turista: centro histórico, pequena esplanada à porta com duas árvores bem tratadas a fazer sombra
nas mesas, comida boa, serviço rápido e simpático. Não se deixe enganar pelo que está nos pratos desta esplanada cheia de estrangeiros - desconhecem as maravilhas de um prato do dia e não há tradução consensual para chanfana. Aqui come-se ainda um bacalhau à cas, isto é, um bacalhau à minhota com a marca d’ O Eurico.

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Castelo de São Jorge
Cantinho do Alfredo
Fotografia: Manuel Manso
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Cantinho do Alfredo

“O senhor é que o Alfredo?”. A resposta vai ser negativa. “Alfredo é só o nome comercial”, responde Albino José Miguel, que comprou esta casa há 28 anos, depois de andar uns quantos pela Suíça a ganhar prática no mundo da hotelaria. Nisto é provável que entre alguém a perguntar “Sr. Alfredo, tem fósforos?” e ele responde prontamente pelo tal “nome comercial”. Na cozinha, a D. Helena começa a preparar o cozido da quinta-feira às oito da manhã e há mais de dois anos que confecciona um dos bons bitoques da capital.

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Campolide
A Castiça
Fotografia: Arlindo Camacho
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A Castiça

Inocêncio Santos tinha uma oficina quase em frente à Castiça ainda Fernando Pessa
 lá ia comer cabeças de peixe. Isto há uns 30 anos. Depois comprou a casa, forrou-a com memorabilia do Benfica (e de outros clubes, que não se pode excluir ninguém) e deu fama ao churrasco de monta à porta. Umas três vezes por mês, aos sábados à noite, Inocêncio ainda afina a voz em noites de fados sem cartaz definido à partida. Depois da saída da D. Libânia da cozinha, é Joaquina, a mulher, que assegura os pratos do dia.

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Lumiar

Comida tradicional em Lisboa

Um cozido à portuguesa por dia, o bem que lhe fazia

No Inverno, no Outono ou mesmo no Verão para os muito apaixonados. Para comer na segunda-feira, na terça ou, se quiser, todos os dias da semana. Damos-lhe um sítio por dia para aproveitar este prato.  

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Por Catarina Moura
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