Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Roteiro: à descoberta de Amália Rodrigues por Lisboa
discoteca amalia
Fotografia: Inês Félix Discoteca Amália

Roteiro: à descoberta de Amália Rodrigues por Lisboa

É o maior ícone do fado, é conhecida em todo o mundo e Lisboa presta-lhe homenagem um pouco por todo o lado.

Por Renata Lima Lobo
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Amália da Piedade Rebordão Rodrigues nasceu em Lisboa em 1920, a mesma cidade que lhe disse adeus em 1999. Amália cantou a saudade, em concerto, no cinema e na revista. Pisou grandes palcos mundiais, de Paris a Nova Iorque. Cantou poemas de Pedro Homem de Mello, Ary Dos Santos, Alexandre O’Neill, José Régio, Manuel Alegre ou mesmo Vinicius de Moraes, num disco que foi alvo de censura durante o Estado Novo, em 1970. Nem tudo isto é triste, mas tudo isto é Amália, um ícone da cultura portuguesa que é homenageada em vários espaços e iniciativas de Lisboa.

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Roteiro: à descoberta de Amália Rodrigues por Lisboa

Amália Rodrigues
Amália Rodrigues
©Rob Mieremet (ANEFO)

Amália e os Média – um ensaio

Arte Fundação Portuguesa das Comunicações | Museu das Comunicações, Chiado/Cais do Sodré

A Fundação Portuguesa das Comunicações | Museu das Comunicações tem uma nova galeria e inaugura hoje, sexta-feira, a primeira exposição – embora a organização explique que é mais um “ensaio de exposição” e um “work in progress”. Feita em parceria com a Fundação Amália Rodrigues e a Valentim de Carvalho, “Amália e os Média – um ensaio” mostra aos visitantes a evolução dos meios que gravaram a voz de Amália Rodrigues ao longo da sua carreira, tecnologias que mostraram “a voz de Portugal” a todo o mundo, entre equipamentos de estúdio usados nas gravações de Amália e aparelhos audiovisuais. Na galeria também também pode ver um conjunto de recortes de jornais que testemunham a dimensão da fadista na imprensa nacional e internacional, além de fotografias, edições discográficas com inéditos pelo meio, cartazes de espectáculos, entre outros.

casa amalia rodrigues
casa amalia rodrigues
©Fundação Amália Rodrigues

Casa-Museu Amália Rodrigues

Museus Lisboa

Garantem que no número 193 da Rua de São Bento, morada da Casa e Fundação Amália Rodrigues, ficou quase tudo como a ilustre dona deixou. A cantadeira das cantadeiras viveu meio século nesta casa amarela onde os serões se encheram de fado. As visitas são guiadas, duram uma média de 20 minutos, e levam-no por bustos, bandolins, pinturas de Maluda e muitas outras relíquias. Mais recentemente abriu ao público o jardim da casa, onde os visitantes podem ouvir a canção de Lisboa ao vivo.

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Calcada by Vhils e calceteiros de Lisboa
Calcada by Vhils e calceteiros de Lisboa
©Bruno Lopes

Calçada de Vhils

Esta obra chamada Calçada mora no largo entre a paragem do eléctrico 12 na Rua de São Tomé e a Rua dos Cegos (a caminho das Portas do Sol). É da autoria de Vhils e é o seu primeiro projecto feito em calçada, a partir de um convite do cineasta luso-francês Ruben Alves. Após o sucesso de A Gaiola Dourada, Ruben foi desafiado pela Universal France a criar um álbum referência de fado com a nova geração de fadistas a cantar Amália. Mas o disco não foi suficiente para o ambicioso realizador, que convidou Vhils para desenvolver uma obra única e marcante com o rosto de Amália, imagem que serviu de capa do disco Amália: As Vozes do Fado.

Panteão Nacional
Panteão Nacional
Fotografia: Ana Luzia

Panteão Nacional

Atracções São Vicente 

O Panteão Nacional abriga os cenotáfios (túmulos de corpo ausente) de personalidades ligadas aos Descobrimentos, como o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, e túmulos de escritores e presidentes da República. Amália Rodrigues morreu em 2009, mas dois anos depois os seus restos mortais foram transladados do Cemitério dos Prazeres para o Panteão Nacional, tornando-a na primeira mulher a descansar na casa dos heróis nacionais (a segunda foi Sophia de Mello Breyner Andresen). Na altura, a lei exigia um intervalo mínimo de quatro anos para uma operação deste tipo. O momento foi testemunhado pelas mais altas figuras de Estado, como o então presidente da República Jorge Sampaio, o presidente da Assembleia da República Almeida Santos, o primeiro-ministro António Guterres e uma multidão de gente que saiu à rua para um segundo último adeus.

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Museu do Fado - Fachada
Museu do Fado - Fachada
©DR

Museu do Fado

Museus Alfama

Este património da humanidade ganhou casa própria antes de o ser, em 2011. Foi no ano de 1998 que abriu portas no coração de Alfama, pondo a nu tudo toda a história do fado, seus artistas, instrumentos ou mesmo a relação da sociedade com a canção de Lisboa. Aqui pode-se inteirar do percurso biográfico e artístico de dezenas de personalidades do universo fadista, um grupo liderado por Amália Rodrigues, e conhecer colecções cedidas por centenas de intérpretes, autores, músicos, compositores, construtores de instrumentos, investigadores ou simples amadores. 

amalia no cafe luso
amalia no cafe luso
©DR

Café Luso

Restaurantes Bairro Alto

É uma das mais conceituadas casas de fado de Lisboa. Fundada em 1927 no espaço das adegas e antigas cavalariças do Palácio Brite Freire, no Bairro Alto, foi aqui que Celeste Rodrigues cantou quase até morrer e onde a sua irmã, Amália, gravou o álbum Amália no Café Luso (1995), a mais antiga gravação ao vivo que se conhece da cantora, numa altura em que era uma das fadistas residentes desta casa de fados.

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Museu Nacional do Teatro e da Dança

Museus Lumiar

Localizado no Palácio do Correio-Mor, onde em 1985 foi oficialmente inaugurado o museu, aqui vive o grande arquivo das memórias das artes do espectáculo em Portugal. E inclui todo um Núcleo Amália Rodrigues, com cerca de 60 trajes que a cantora vestiu em teatro, cinema, no dia-a-dia ou em grandes concertos, como o Olympia em Paris, o Lincoln Center em Nova Iorque, o Canecão no Rio de Janeiro, o Teatro Sistina em Roma ou o Coliseu dos Recreios em Lisboa. Jóias, xailes, documentos e fotografias completam o núcleo.

discoteca amalia
discoteca amalia
Fotografia: Inês Félix

Discoteca Amália

Compras Música e entretenimento Baixa Pombalina

Nasceu em 1991 para divulgar o fado e é gerida pela Fundação Manuel Simões, a mesma que zela pela carrinha “Lisboa, Cidade do Fado”, que está estacionada na Rua do Carmo, durante o seu horário de expediente, antes de ir dormir para uma garagem algures no centro da cidade. A homenagem a Amália não se fica pelo nome da discoteca que na montra instalou uma espécie de altar composto por um cartaz com a fotografia da fadista acompanhado de um bouquet de rosas vermelhas. Lá dentro encontra a discografia da Amália (em vinil, CD e até cassete), bem como alguns livros que contam a sua história.

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SMILE
SMILE

Tributo a Amália Rodrigues de Smile

A propósito do projecto Casal Ventoso Sempre BIP/ZIP, o artista português SMILE pintou um mural em tributo à fadista Amália Rodrigues na Quinta do Cabrinha. A figura da cantora aparece em grande plano, acompanhada no seu fundo, semelhante a uma parede rasgada, por alguns versos da famosa canção “Cheira a Lisboa”.

guitarra na proa
guitarra na proa
©Pedro Ribeiro Simões

Guitarra na Proa

Amália Rodrigues está ainda eternizada em frente à Cordoaria Nacional, na Avenida Brasília, numa escultura em bronze, assente num pedestal de pedra. A obra, inaugurada a 14 de Abril de 2000, é da autoria de Domingos de Oliveira e foi financiada pela Administração do Porto de Lisboa, pela Câmara Municipal e pelo Governo que se uniram nesta homenagem.

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teatro maria vitoria
teatro maria vitoria
©José Gonçalves

Teatro Maria Vitória

Teatro Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Tem o nome de outra rainha do fado, mas foi aqui que Amália Rodrigues se estreou como actriz em Junho de 1940, um segundo talento que lhe rendeu muitos sucessos, do teatro ao cinema. A revista chama-se “Ora Vai Tu!”, um espectáculo de Aníbal Nazaré e Nelson de Barro para o Maria Vitória. Poderíamos sugerir a casa onde a fadista se estreou como cantora, mas já não existe: era o Retiro da Severa, com morada no nº 5 da Rua António Maria Cardoso, onde hoje encontra um edifício mais recente.

Lisboa de outros tempos

Toy Department
Fotografia: Francisco Santos

Roteiro vintage em Lisboa

Compras

Já lá vai o tempo em que os lisboetas ficavam de pé atrás com a segunda mão. A moda do vintage chegou, viu e venceu — e não quer arredar pé da cidade. No armário, em todas as divisões da casa, no cabelo, no prato e na ponta do pé, o vintage tem sido adoptado de forma mais ou menos radical e pode aparecer sob a forma de bagatela ou de artigo de luxo — veja-se os carros. Escolha a década do século passado que faz mais o seu género e procure-a neste roteiro vintage em Lisboa. Vai encontrar muitos tesourinhos (e nada deprimentes).

fotografia triunfo
©Inês Félix

Lojas históricas em Lisboa: velhas, mas boas

Coisas para fazer

São espaços centenários, com histórias para contar e muitos tesouros para descobrir. Conhecer a cidade é também conhecer as lojas históricas em Lisboa. Cada uma é como uma gaveta de memórias da cidade que somos. Mas são históricas também porque resistem. Corremos a cidade e atravessámos séculos de porta em porta para lhe trazer um roteiro de grandes lojas que continuam a servir bem e à antiga, hoje, numa rua perto de si. Uma viagem que aqui começa em 1741 com a Fábrica Sant’Anna (1741) e termina no acolhedor Armazém das Malhas, um negócio nascido em 1962.

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Necrolojia: as lojas tradicionais que fecharam e deixam saudades

Compras Lojas vintage

Nem todos os estabelecimentos históricos têm um final feliz, como foi o caso do restaurante Antiga Casa Faz Frio. Apesar de ter encerrado em 2017, regressou um ano depois de cara lavada e com a história intacta. Felizmente não entrou para a necrologia das lojas históricas, perdão, necrolojia. Uma lista um tanto ou quanto tristonha que fazemos, com algum sacrifício, sobre as lojas de Lisboa que fecharam para todo o sempre. De coração pesado, lavramos o epitáfio das baixas registadas nas fileiras do comércio histórico da cidade. Eis uma pequena amostra.

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