Roteiro vintage em Lisboa
Já lá vai o tempo em que os lisboetas ficavam de pé atrás com a segunda mão. A moda do vintage chegou, viu e venceu — e não quer arredar pé da cidade. No armário, em todas as divisões da casa, no cabelo, no prato e na ponta do pé, o vintage tem sido adoptado de forma mais ou menos radical e pode aparecer sob a forma de bagatela ou de artigo de luxo — veja-se os carros. Escolha a década do século passado que faz mais o seu género e procure-a neste roteiro vintage em Lisboa. Vai encontrar muitos tesourinhos (e nada deprimentes).
Roteiro Vintage em Lisboa
Toy Department
Depois de anos a vender em feiras, Jorge Santos decidiu avançar para uma loja, depois de ter descoberto uma paixão por brinquedos. Nem sempre foi assim. Tudo começou com “coisas em segunda mão” até ao dia em que comprou um lote de brinquedos antigos. Sem saber, começava o negócio que hoje dá a conhecer na Toy Department, a loja que abriu muito perto da Avenida da Liberdade. O negócio são os brinquedos com os quais não podemos brincar, apenas sonhar.
Timeless Garage
Uma chamada para os amantes de carros: a Timeless Garage é isso mesmo, uma espécie de clube-oficina-stand de carros clássicos que se dedica aos verdadeiros apaixonados pelo vintage do volante. Tiago Freixo, o proprietário, cresceu acompanhado de carros e herdou do avô esta paixão e negócio. Agora, concretiza sonhos de quem quer personalizar o carro vintage que tem lá em casa ou a quem quer juntar mais um à colecção.
A Outra Face da Lua
A Outra Face da Lua mostrou à cidade que do fundo do baú podem sair relíquias com muito estilo: dos acessórios às calças de ganga com os mais diversos cortes (incluindo aquele dos anos 80 que agora voltou a ser tendência). A loja vintage da Baixa, que também tem uma zona de cafetaria, é uma orgia de cores e padrões de outras décadas. A irmã e vizinha da frente, Viúva Alegre, dedica-se em exclusivo ao armário feminino, com vestidos de festa cheios de brilhos e chumaços, malas clássicas e intemporais e brincos espalhafatosos.
A Paródia
O pequeno bar criado pelo mesmo fundador do Procópio, Pavilhão Chinês e Fox Trot abriu dois dias depois do 25 de Abril de 1974. Para entrar é preciso tocar à campainha. O bar tem uma zona de fumadores e está decorado com objectos antigos e caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro. Uma das salas está repleta de caixas de fósforos onde os clientes deixavam trocos para futuras visitas ao bar.
Swing Station
As danças de outros tempos voltaram à berra e na Swing Station é possível aprender e praticar os moves de danças vintage americanas como tap, balboa, blues, vintage jazz ou – a estrela da companhia – lindy hop. Há aulas de segunda a quinta-feira – quer para principiantes e pés de chumbo, quer para casais com dom para o rodopio. Fique ainda atento ao site e ao Facebook da Swing Station: de vez em quando há festas para quem quer partir a pista à antiga, de saia rodada e sapatinho de atacadores.
Belarmino
O nome é uma homenagem ao pugilista Belarmino Fragoso, que em 1964 protagonizou o documentário de Fernando Lopes. O espaço é uma homenagem às barbearias tradicionais portuguesas e leva os clientes directamente das cadeiras em pele para as décadas de 20 a 60 do século passado. Aqui, Miguel Leão corta o cabelo e trata da barba à antiga. Pentes, tesouras, pincéis, navalhas, pomadas, ceras, luvas de boxe e skates compõem o cenário.
Pensão Amor
As camas, armários, poltronas e espelhos dos tempos em que o número 38 da Rua Nova do Carvalho era um bordel, com quartos alugados a prostitutas e marinheiros que atracavam no Cais do Sodré, sobrevivem na Pensão Amor, o lugar mais vintage da noite lisboeta. A decoração é burlesca, o ambiente é boémio e as actividades espalham-se pelas diferentes divisões: é possível dançar, beber, ler e até ler a sina.
Bang Bang Tattoo
Se quer fazer uma tatuagem old school e gravar na pele uma andorinha, uma pin-up ou uma caveira mexicana rume a Sintra: a Bang Bang é especializada no traço antigo e tem o ambiente mais kitsch que pode imaginar, com flamingos cor-de-rosa, leques chineses, uma havaiana em tamanho real, imagens da Nossa Senhora, bancos almofadados de padrão tigre, máscaras tribais e até um Zé Povinho. Nazaré e Pinela – ela especialista em piercings, ele em tatuagens – são os responsáveis pelo espaço que abriu em 2001.
Retroshop
Máquinas de escrever, telefones de disco, máquinas fotográficas analógicas: as engenhocas de outros tempos não podem competir com computadores, tablets e máquinas digitais, mas dão belos acessórios de decoração. Na Retroshop, no Lx Factory, há gadgets de antigamente e muito mais: candeeiros, aparadores, sofás, letreiros, peças de carrosséis e aviões... Haja imaginação, gosto e orçamento e é possível reciclar tudo.
Louie Louie
Velhotes ou novinhos em folha, os vinis da Louie Louie são uma viagem pela história da música. Achadões como Ike & Tina Turner, José Afonso e Chico Buarque e tesourinhos como Elvis ou Beach Boys – há discos para todos os que não se importam de ouvir música na companhia dos avós. Revivalistas mais indecisos, nada temam: há um bar dentro da loja, com café a 50 cêntimos, ideal para tomar decisões musicais difíceis.
A Vida Portuguesa
Catarina Portas ressuscitou marcas portuguesas de outros tempos e nas lojas A Vida Portuguesa é possível matar saudades de produtos como a pasta de dentes Couto, o sabonete Benamôr, a cera Encerite, a farinha Zelly ou o chocolate Regina. Há ainda loiças, púcaros, atoalhados e outros acessórios de decoração vintage, como as lanternas da Latoaria Maciel, com 200 anos de vida – estes têm agora lugar de destaque na nova Vida Portuguesa na Rua Ivens.
Du Chic à Vendre
Chanel, Valentino, Prada, Gucci, Louis Vuitton – quem sonha ter no armário peças de assinatura, mas não tem orçamento para a Avenida da Liberdade, encontra na Du Chic à Vendre, em Campo de Ourique, uma bela oportunidade. Os artigos em segunda mão da loja da libanesa Monique Gealland, que vive em Portugal há mais de 40 anos, podem chegar aos 1500 euros – são raridades vintage valiosas que nasceram antes dos anos 80 e sobreviveram até ao século XXI.
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