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DR | Vinhos portugueses para uma sardinhada
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Vinho e sardinha assada: quatro garrafas perfeitas para os Santos Populares

Nem só de cerveja se faz a festa. Selecionámos quatro vinhos portugueses com a frescura e a estrutura ideais para casar com a rainha dos arraiais de Lisboa.

Liana Saldanha
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Junho é o mês mais esperado do ano em Lisboa. Arraiais por todo o lado, músicas de Quim Barreiros, Rosinha ou José Malhoa em cada esquina, gente feliz e o icónico cheirinho de sardinha assada a invadir as ruas. Sou uma completa apaixonada pelos Santos, pela sardinhada e por este ambiente de festa que nos faz querer dançar até a música acabar.

Mas vamos ao que interessa: o que beber com a rainha da festa?

A sardinha é um peixe azul, de gordura vincada e sabor intenso – e a minha relação com uma sardinha gordinha e fresca é de devoção absoluta. Embora a cerveja geladinha seja a companhia de eleição nas festas de rua, venhp mostrar que este peixe pode ter um casamento um pouco mais ambicioso.

Seleccionei quatro vinhos portugueses que trazem frescura, estrutura e a personalidade necessária para acompanhar a gordura da sardinha, o sal grosso e os aromas fumados da grelha.

Preparem os copos: a festa vai começar.

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Quatro vinhos portugueses para os Santos Populares

Vinevinu Guri Gentil Branco 2024

Escolhi este branco de alvarinho e loureiro por vários motivos: o seu baixo teor alcoólico de 8,5%, o perfil marítimo, a acidez vibrante e um toque de doçura. Esta ligeira doçura contrasta com o sal grosso e o leve amargor da sardinha, enquanto a acidez mantém tudo em equilíbrio. Num universo cheio de brancos secos para acompanhar peixe, este consegue surpreender.

Esporão Colheita Rosé 2025

Um rosé produzido com a uva Trincadeira. De perfil gastronómico, entrega uma fruta vermelha fresca, nada enjoativa. A sua estrutura e textura cremosa permitem lidar com a untuosidade da sardinha grelhada sem a dominar, garantindo uma bela harmonia entre a intensidade do peixe e a elegância do vinho.

 PVP: 8,55€

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Aprt3 Superavit Tinto 2024

Este é um palhete, um blend de uvas tintas de castelão com brancas de Moscatel. Os taninos mais leves deste exemplar criam uma ponte fascinante entre a intensidade do mar e o lado mais rústico das sardinhas, tornando a experiência surpreendentemente completa. Se fosse um tinto com taninos mais intensos, teria uma forte probabilidade do vinho ficar metálico, por causa do iodo encontrado nas sardinhas.

PVP:12,90€

Espumante Campolargo Bruto (Bical, Arinto, Cercial) 

O trunfo final. A acidez vibrante das castas, especialmente a do Arinto, aliada à bolha fina, atua quase como um bisturi, cortando a gordura do peixe e renovando a vontade de repetir a dose até ficar de barriga cheia. Este vinho também possui uma textura cremosa que amacia o caráter iodado da sardinha e equilibra a sua intensidade de sabor.

PVP: 12,69€ 

Outros copos

Feito para ser bebido jovem, substitui na perfeição uma sidra ou uma cerveja leve e acompanha o mesmo tipo de comida descomplicada e gulosa. Enquanto os puristas torcem o nariz aos aromas pungentes de levedura, o resto de nós aproveita algo que não exige um curso de sommelier para ser decifrado. Alguns dizem que é "bolha de hipster", mas o Pét Nat é perfeito para um piquenique na Gulbenkian ou num wine bar na Praça das Flores. É despretensioso, delicioso e refrescante, perfeito para os dias quentes que estão a chegar.

Há uns tempos, dissemos que na hora de combinar vinho e comida, há dois caminhos clássicos que podemos seguir: o da semelhança e o do contraste. Com a pizza não tem de ser diferente (e, não, pizza não vai bem só com refrigerantes ou cerveja): existe, aliás, uma química quase sexual quando abrimos o vinho certo para acompanhar uma fatia. Não é exagero: alguns vinhos conseguem tirar a pizza do lugar comum e transformar a refeição em algo mais especial, mais provocador, mais sexy.

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Ouvimos por aí que “vinho bom é aquele que a gente gosta”. Eu concordo, mas deixo aqui um segredinho: a gente costuma gostar muito mais quando entende o que está no copo. 

Estudar vinho não é só sobre enriquecer a experiência, é expandir nosso paladar. É treinar o nariz para reconhecer aromas que antes passavam despercebidos e ensinar a língua a decifrar estrutura, acidez, textura. É olhar para uma carta de vinhos num restaurante ou para a prateleira de uma garrafeira e escolher com mais segurança, sem depender apenas do rótulo mais bonito ou do preço mais alto (dois critérios que, convenhamos, já nos enganaram muitas vezes). 

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