Sal & Brasas
Manuel Manso | Sal & Brasas
Manuel Manso

Santos Populares em Lisboa: onde jantar antes do arraial, bairro a bairro

Gosta de bailarico, mas prefere começar a noite à mesa? Da tasca à estrela Michelin, saiba onde jantar perto das festas.

Hugo Torres
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Junho é mês de festa e assadores nas ruas, com sardinhas, entremeadas e salada de pimentos em cada esquina. Mas não estamos aqui para isso. Se é essa a experiência que procura, os arraiais populares têm oferta de sobra. Estamos aqui por quem não dispensa o bailarico, mas prefere começar a noite confortavelmente sentado à mesa. Preparámos o roteiro ideal, com duas opções para cada bairro (só para os que têm marchas a concurso). Propostas para todos os gostos, sempre perto das festas: de tascas tradicionais a espaços modernos, da estrela Michelin às cozinhas do mundo. Saiba onde comer nos Santos Populares antes de seguir para os melhores arraiais.

Recomendado: As melhores tascas de Lisboa

Restaurantes na Ajuda

  • Português
  • Ajuda

Da próxima vez que planear uma viagem aos Açores, aconselhe uma paragem prévia neste reduto insular na Ajuda, só numa de se habituar à gastronomia. Fundado por um casal que trocou a ilha do Pico pela capital, o Espaço Açores assume-se como uma embaixada autêntica da gastronomia do arquipélago. O grande chamariz é o Cozido das Furnas, servido aos almoços de sexta-feira e domingo. A proeza técnica é conseguida através de uma câmara que simula a actividade vulcânica, apurando o sabor das carnes, da batata-doce e do incontornável inhame. A carta convoca ainda grandes clássicos de conforto, das lapas grelhadas à alcatra à terceirense, passando pelo fresco atum na grelha. Se quiser provar um pouco de tudo, invista no farto buffet açoriano servido à quinta-feira.

  • Pizza
  • Ajuda

No pacato Largo da Paz, o Manápula é o refúgio onde Rita Alambre cumpre a ambição de transpor a hospitalidade lá de casa para um restaurante de porta aberta. O ambiente é descontraído, mas na cozinha o caso é sério. A base da carta são pizzas napolitanas de fermentação lenta, com ingredientes locais sempre que possível e queijos e enchidos importados directamente de Itália. O resultado prova-se em combinações que vão das versões clássicas às mais criativas, como a pizza de creme de trufa com provolone e burrata, ou a de pesto de pistáchio e pancetta. Nas sobremesas, prove o doce feito com camadas de bolacha, creme de leite condensado e natas aromatizadas com café. Tudo pensado para ser comido com as mãos, claro.

Restaurantes em Alcântara

  • Português
  • Estrela/Lapa/Santos
  • preço 1 de 4
  • Recomendado

O antigo Maravilhas mudou-se para este restaurante com mais espaço e mais pinta, mas a sua essência mantém-se intacta: continua a ser uma autêntica casa de pasto. A generosidade das doses e a forte relação qualidade-preço são a imagem de marca deste porto seguro de comida de conforto tradicional. O afamado bitoque, por exemplo, chega à mesa sob a forma de uma descomunal e tenra peça de novilho, selada no ponto com alho e louro, obrigando as batatas fritas a virem exiladas num prato à parte. Mas a ementa brilha igualmente nas opções de tacho e forno, do estaladiço entrecosto assado a largar do osso, à aveludada vitela estufada, sem esquecer a irrepreensível língua de vitela num apurado guisado de tomate e cenoura. Com um serviço eficiente e de simpatia tranquila, o repasto só fica completo com a imperdível torta de laranja.

  • Italiano
  • Estrela/Lapa/Santos
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Neste restaurante, tudo começa com massa fresca feita à mão e uma ideia clara: mostrar Itália longe dos seus estereótipos. Valentina Franchi prepara receitas ultra tradicionais, regionais, começando pelo Norte mas com ambição de percorrer o país, respeitando a sazonalidade. Há tortellini em caldo ou creme de parmesão, tagliatelle com ragu, tortelloni à bolonhesa e bigoli com ragu branco de pato. Para partilhar, a imponente costeleta petroniana, além de bochecha braseada e língua com pesto. Uma Itália séria, sem filtros – talvez daí o nome, Ruvida, que em português significa áspero.

Restaurantes em Alfama

  • Bistrôs
  • Alfama

Louise Bourrat, chef do Boubou’s, abriu com o companheiro, o mixologista Marco Cossu, da Sardenha, uma neo-tasca no antigo espaço do Boi Cavalo, em Alfama. É um restaurante descontraído, mas rigoroso na cozinha e no serviço, onde a comida de conforto ganha lugar de destaque. Misturam-se influências portuguesas, francesas e italianas numa carta que muda mensalmente para respeitar os produtos da época. Entre os pratos mais marcantes estão os arancini de cabidela, o tártaro de vaca à Brás e a couve-coração com molho picante. Nas sobremesas, há tiramisù, profiteroles e crème brûlée com CBD. O ambiente é caloroso, com boa música, vinhos de baixa intervenção e uma vontade clara de preservar o espírito do bairro, respeitando a história do lugar e de quem o habita.

  • Alfama
  • preço 3 de 4

A versão mais descontraída de Marlene Vieira conhece-se no Zunzum Gastrobar, o primeiro projecto da chef junto ao Terminal de Cruzeiros, e o nome já diz ao que vem: é para causar falatório, mas é também para se estar no falatório. Estamos no domínio da alta cozinha, sem preços proibitivos. Veja-se o exemplo da filhós de berbigão à Bulhão Pato. As técnicas são do mundo, mas os ingredientes e os sabores são bem portugueses. É também aqui que a chef tem muitas vezes espaço para testar pratos que podem vir a fazer parte do Marlene, (a porta ao lado, com uma estrela Michelin).

Restaurantes no Alto do Pina

  • Português
  • Areeiro/Alameda

A Tasca do Miguel é um bastião da cozinha de conforto. Com três décadas de história – passou de churrasqueira de bairro a tasca e é agora gerida pela terceira geração da família (o Miguel do nome é o filho do primeiro dono e pai do actual) –, o espaço mantém a alma intacta. As duas salas e a pequena esplanada enchem-se com uma clientela fiel, atraída pelas doses avassaladoras e pela confecção irrepreensível, com o peixe e a carne entregues diariamente. Na grelha brilha o famoso bife do lombo à Tasca, servido no ponto com esparregado caseiro e batatas estaladiças. Nos tachos, a rotação é sagrada: à segunda-feira há bacalhau com grão, à quinta serve-se o monumental cozido à portuguesa e, ao fim-de-semana, não falha a feijoada. Para rematar, o clássico leite de creme à moda antiga.

  • Areeiro/Alameda

No Turvo, Vasco Lello concretiza um sonho antigo: ter um restaurante próprio, onde a cozinha não se deixa limitar por rótulos. Instalado no Bairro dos Actores, o espaço recupera parte da memória do antigo Viseu mas abre-se a uma nova vida, com carta curta e dinâmica, vinhos menos previsíveis e um ambiente descontraído. A inspiração é sobretudo portuguesa, embora o chef não tenha pruridos em cruzá-la com técnicas e sabores de outras latitudes. Entre petiscos ou refeições completas, o Turvo distingue-se pela ambição de ser um restaurante “com substância, mas nunca óbvio”. Entre as opções encontra tomate, mole, manjericão; chicharro, ajo blanco; escabeche de perdiz; dourada grelhada com tomatada de mexilhão e batata doce; pica-pau; ou cachaço de porco confitado com guisado de feijão maduro.

Restaurantes no Bairro Alto

  • Brasileiro
  • Bairro Alto
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Uma referência da cozinha baiana. Primeiro no Bairro Alto, depois também na Rua de São José, o restaurante prosperou com uma carta fiel às origens – e uma clientela feita sobretudo de brasileiros. O destaque vai para o acarajé, pastel de feijão fradinho recheado de vatapá e camarão seco, frito em azeite de dendê e acompanhado de molho picante de malagueta. Há ainda escondidinhos, bobó de camarão, moqueca e, ao domingo, feijoada à brasileira que anima a casa pela tarde dentro. Carolina Silva está sempre impecavelmente vestida de baiana.

  • Bairro Alto
  • Recomendado

O Bairro Alto ganhou um novo sotaque com o Karater, um projecto que cruza a tradição georgiana com a alma portuguesa. O restaurante ocupa uma antiga leitaria na Rua Diário de Notícias, preservando o charme original do chão, das vitrinas e até das velhas tabuletas de aviso. À frente da cozinha está o mediático chef Guram Baghdoshvili, que propõe uma carta focada no respeito pelo produto. A beringela ganha aqui o merecido protagonismo, seja em formato de chips com sal de Svaneti, mel de castanha e romã, ou numa emulsão de nozes. Nos clássicos absolutos, são obrigatórios os khinkali, pastéis tradicionais pensados para comer à mão, e o incontornável khachapuri, um guloso pão em forma de barco recheado com uma mistura de queijos, manteiga e ovo. Um espaço onde o nome não foi escolhido por acaso.

Restaurantes no Bairro da Boavista

  • Português
  • Oeiras
  • Recomendado

Escondido em Monsanto, com vista para o relvado do Grupo Desportivo de Direito, o 1.º Direito é um oásis de frescura a dois passos do centro da cidade. Instalado num acolhedor chalet de madeira, o restaurante ganha o jogo no formato de buffet caseiro, farto e sem atalhos industriais. A oferta roda consoante os dias, mas a qualidade mantém-se firme: do gaspacho fresco a fugir para o salmorejo, ao bacalhau com natas equilibrado, passando pela carne estufada de comer à colher e por umas batatas fritas irrepreensíveis. A refeição remata-se com fruta da época ou um reconfortante leite creme. Com uma sala decorada com relíquias do rugby nacional e um serviço clássico e atencioso, o espaço é óptimo para grandes jantares de grupo.

  • Benfica/Monsanto

David Alves Rodrigues era da aldeia de Estorãos, em Ponte de Lima, mas foi aqui que fez história com este restaurante de comida portuguesa servida em doses fartas. Morreu em 2022, mas é a sua família que continua no leme. E o sucesso nem por isso se desvaneceu – basta ver a quantidade de carros ali estacionados nas horas das refeições, especialmente ao fim-de-semana. O cozido à portuguesa, o pernil ou o polvo à lagareiro são algumas das especialidades da casa. Além disso, o David da Buraca é sempre uma boa opção para jantares de grupo, já que espaço não lhe falta.

Restaurantes no Beato

  • Português
  • Xabregas
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Uma casa inteiramente dedicada a um dos produtos mais emblemáticos da cozinha portuguesa, o bacalhau salgado seco. Aqui, podemos não ter as míticas 1001 receitas de bacalhau, mas, entre entradas e pratos principais, conte com duas a três dezenas de propostas na ementa. Sob a orientação de João Bandeira, também responsável pelo Via Graça, o restaurante mantém o foco nos clássicos, como o bacalhau à lagareiro e à Zé do Pipo, mas inclui propostas menos convencionais, como risoto de bacalhau com espargos ou carpaccio com rúcula e parmesão. Os portugueses fazem bem em lá ir. Os turistas deveriam pôr os pés ao caminho e fazer o mesmo.

  • Xabregas
  • Recomendado

O saudoso Pistola y Corazon vive! Depois de fecharem o mexicano mais acarinhado de Lisboa na década passada, Marta Fea e Damien Irizarry recolheram-se no projecto Foodriders e em alguma iniciativas soltas. Mas estão de volta aos restaurantes e em força. No Duro de Matar, há tacos, mas não levam carne de vaca. Há aguachile, mas não leva camarão. Há tostada, mas não leva queijo. Os clássicos são reinventados e as novas criações espreitam o futuro. Embora não entrem aqui produtos de origem animal, reinam os melhores sabores mexicanos. A taqueria faz parte da selecção do Time Out Market.

Restaurantes em Benfica

  • Português
  • Benfica/Monsanto
  • Recomendado

Instalado numa esquina sossegada de Benfica, frente à Escola Superior de Comunicação Social, o Re’Tasco não é lugar para preconceitos. Apesar da decoração algo formal, pontuada por caixas de vinho de marcas exclusivas, e das entradas com laivos de catering clássico (como as trouxinhas de chèvre), a verdade revela-se nos pratos principais. O chef Filipe Marques, que durante anos cozinhou para os altos quadros do Banco de Portugal, assina aqui propostas exímias. O lombo de bacalhau confitado com molho à Bulhão Pato surpreende pela suculência e o rabo de boi Wagyu é tenríssimo. Do mar, os filetes de polvo com risoto de coentros não desiludem. Um discreto reduto de matéria-prima irrepreensível.

  • Português
  • Benfica/Monsanto

Antes de mais um aviso: há poucos restaurantes tão benfiquistas como este. Nas paredes, há fotografias de velhas glórias, recortes de jornais, cachecóis, camisolas e umas quantas águias, obviamente. O aviso serve a quem esta informação poderá servir de entrave. Acontece que, se se deixar levar por isso, poderá perder um belo repasto. No Zé Pinto, a grelha é certeira, tanto para peixe como para carne, e estão sempre a sair travessas de coelho, iscas e secretos, mas há um prato que se destaca: o entrecosto grelhado com batatas fritas. E se está a pensar que esta frase é um elogio ao entrecosto, é porque ainda ferrou o dente nestas batatas fritas.

Restaurantes na Bica

  • Peruano
  • Chiado/Cais do Sodré

Esta cevicheria da Bica nasceu de dois amores: o da lusa-alemã Katharina Goyke e do chileno Matías de Araujo um pelo outro, e o de ambos pela comida peruana. A estrela é o ceviche, seja o tradicional, com peixe branco do dia, comprado no Mercado da Ribeira; sejam as criações do chef como o nikkei, com atum, leite de tigre, yuzu-ponzu, alga wakame, edamame, amendoim japonês e abacate. Aqui, o ceviche não é uma entrada de preços carregados. É o prato principal, o único, nas suas variadas versões, e a ideia é cumprir a sua vocação popular e fazer com que deixe de ser uma excentricidade marginal.

  • Chiado/Cais do Sodré

Numa cozinha com vestígios de sazonalidade, as experiências de Bonneville cruzam diferentes inspirações e influências. Algumas vêem a luz do dia, outras não. Vamos encontrar pratos mais ou menos corriqueiros, receitas dentro da caixa, às quais o chef adiciona um factor surpresa. Comida para partilhar? Também não há esse conceito por aqui – cada um come como quer. A carta conta já com dois grandes sucessos: uma tosta de paté de cogumelos e um tártaro de vaca. Entre conversas intimistas e a algazarra das mesas de grupo, o Entropia proporciona também este conforto, o da atmosfera cheia, animada, toleravelmente barulhenta.

Restaurantes em Campolide

  • Marroquino
  • Campolide

A essência de Marrocos encontrou uma nova casa nas Amoreiras, sob a batuta de uma família de Casablanca e a criatividade de um chef português. O Arady, que significa "terras" em árabe, cruza as raízes do norte de África com os sabores portugueses. Num espaço elegante, marcado pelos tons verdes e dourados e pelos candeeiros marroquinos importados, a refeição arranca sempre com o ritual da lavagem das mãos com água de flor de laranjeira.  A carta, criada pelo chef Hélder Martins (com passagem por cozinhas Michelin, como o Tavares e o The Fat Duck), assenta numa fusão arrojada. Experimente o camarão à Bulhão Pato com msyer (limão lacto-fermentado marroquino), o arroz de polvo cremoso com sumac ou os ex libris da casa: o couscous de grão e os tagines (de galinha ou de borrego). Para fechar em grande, é obrigatório o cheesecake de figos com amlou. À hora de almoço, há um menu executivo que convida a visitas frequentes.

  • Português
  • Campolide
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Poucos restaurantes garantem uma boa refeição todas as vezes. O Sal & Brasas é uma dessas raras excepções. Funciona como uma máquina bem afinada, sem perder alma, rigor nem humanidade. O cozido à portuguesa, servido à quarta-feira em buffet, mostra-o bem: cada ingrediente no ponto certo, quente e íntegro, das carnes às couves, da farinheira à morcela. Aberto em 2017, com raízes em Coruche, a casa construiu reputação na cozinha tradicional e nas carnes maturadas, mas são muitas vezes os pratos do dia que brilham. Aqui, o detalhe manda e nota-se.

Restaurantes em Carnide

  • Carnide/Colégio Militar
  • Recomendado

Chanfana, cabrito e leitão à Bairrada digno desse nome, uma raridade em Lisboa. Muito oportunamente instalado no Norte da cidade, num bairro residencial de Carnide, está longe do circuito turístico, embora a pele estaladiça e a suculenta carne dos pequenos suínos, guarnecida de batatas fritas caseiras, valha o desvio. Comece com os croquetes de leitão, peça uma cabidela de leitão para dividir e dar variedade à refeição, invista num vinho da Bairrada e aproveite a simpatia do serviço, que no final não pagará uma exorbitância. À frente do restaurante está uma família de Cantanhede, que entretanto abriu um segundo espaço no centro da cidade, na Duque de Palmela.

  • Português
  • Carnide/Colégio Militar

Destacando-se pelo ambiente despretensioso, é ideal para refeições em grupo e com preços acessíveis (pelo que a reserva é recomendada). A especialidade incontestável da casa são os nacos na pedra, disponíveis em cortes de porco preto, rosbife, picanha e novilho, estendendo-se a oferta a carnes e peixes de excelente qualidade e a um muito saboroso arroz de vitela. Convém chegar de estômago vazio para dar atenção às entradas, onde pontificam os queijos da Serra e de Borba, enchidos à unidade e ovos com farinheira. Conduzido por funcionários atentos e simpáticos, o almoço termina com o bolo folhado com doce de ovos.

Restaurantes no Castelo

  • Português
  • Castelo de São Jorge

Sob as muralhas do Castelo de São Jorge, o Chapitô à Mesa alia uma vista ímpar sobre o Tejo a um nobre projecto de inclusão social. Dividido em dois pólos, o espaço desdobra-se em experiências distintas. No pátio interior, a Esplanada foca-se na partilha descontraída, destacando-se o polvo grelhado com batata-doce assada e a espetada de novilho. Já no piso superior, a sala panorâmica aposta num registo intimista ancorado na matriz tradicional, servindo opções clássicas como o bacalhau à Conde da Guarda e as bochechas de novilho confitadas. A visita encerra obrigatoriamente com o clássico arroz doce com baunilha de Madagáscar e caramelo salgado.

  • Castelo de São Jorge

Instalado no renovado Palácio Belmonte, no Pátio de Dom Fradique, praticamente ao lado do Castelo de São Jorge, o Grenache é o restaurante do chef francês Philippe Gelfi, que chegou a Lisboa depois de passar por várias cozinhas em França. A sua proposta assenta numa cozinha contemporânea de matriz francesa, elegante e técnica, construída a partir de produto sazonal e de ingredientes locais. O espaço, intimista e com vista para a cozinha, convida a acompanhar de perto o trabalho da equipa enquanto se percorrem dois menus de degustação – Grenache e Experience – onde a tradição gaulesa surge reinterpretada com criatividade e precisão, num diálogo constante entre técnica clássica e sabores actuais.

Restaurantes na Graça

  • Português
  • São Vicente 
  • Recomendado

Em poucos sítios de Lisboa encontra bom marisco a este preço. Percebes, amêijoas, camarão, sapateiras, navalheiras, santolas, lagostas… O arroz de marisco é um ex libris da casa e a dose para dois serve três à vontade (daí também o sucesso). E ainda há os pratos do dia: cabidela, mão de vaca, cozido à portuguesa. A Penalva não é perfeita, mas faz falta. Tanto é um restaurante para almoços honestos como para tainadas das antigas, tanto é para beber um copo e petiscar como é para aquelas mariscadas breves de final de dia antes de recolher a casa. Talvez nem seja um restaurante, talvez seja a sede da resistência.

  • Restaurantes de fast food
  • São Vicente 

O cruzamento da Rua da Graça com a Rua do Sol à Graça ganha nova vida com o Pow Chick’s, uma paragem obrigatória para os fãs de frango frito. O espaço recria a atmosfera de um diner americano dos anos 1950, pontuado por néones e azulejos. A estrela da casa é a Buffalo Chick’s, uma sandes de coxa de frango marinada em buttermilk, panada à mão e frita na hora, envolta num molho rico, picante qb. Além desta, a carta inclui as sandes já bem conhecidas da marca, que também está no Campo Pequeno e no Estoril, e entradas gulosas como as Mac and Cheese Balls, mas se quiser mostrar-se um conhecedor do sítio, peça o menu secreto. É lá que se escondem opções como a Chili Chick’s, a Colew Chick’s e um batido de café.

Restaurantes na Madragoa

  • Estrela/Lapa/Santos

O menu é curto e está afixado na porta – três entradas, cinco pratos, uma sobremesa e dois cocktails de assinatura a somar a uma carta de vinhos naturais e de baixa intervenção. O chef, Petter Nyström, construiu uma experiência gastronómica centrada no sabor. Em Portugal, descobriu novos ingredientes, deixando para trás um rol de cozinhas nórdicas – do Bagatelle, o primeiro restaurante em Oslo a ter duas estrelas Michelin, ao Holzweiler Platz, onde ocupava o posto de chef executivo. O resto é pura criatividade – em combinações improváveis de sabores e texturas que fazem o palato viajar. O espaço é pequeno e descontraído, mas convém fazer reserva.

  • Português
  • Santos

Clássico intemporal e seguríssimo refúgio para carnívoros, O Tachadas tem no bife A4, um monumental corte da vazia, servido na tábua, o seu principal chamariz. É um prato de grandes proporções, capaz de alimentar uma matilha. Fiel à confecção caseira, a ementa também brilha com outras carnes na grelha, como a posta de vitela à mirandesa e a picanha no churrasco, sem descurar o produto se mar, com opções como lulas grelhadas com legumes e choquinhos à algarvia. O espaço dispõe de estacionamento gratuito, por outro lado não aceita reservas, pelo que convém chegar com tempo.

Restaurantes em Marvila

  • Cervejaria artesanal
  • Marvila

O limite de Pedro Abril na cozinha da Musa é não ter limite, nem se levar demasiado a sério. O resultado é uma carta sempre fora da caixa e nunca igual – tantas vezes para se sujar os dedos e comer sem culpas. Pode ser um frango frito com brioche, um croquete de bacalhau com natas, uns nuggets vegetais ou uma pêra bêbada em stout. As novidades sucedem-se praticamente todos os meses porque o que se quer é uma carta rodada e não uma mesa parada. A condição é que tudo seja bom. O og burger, felizmente, parece manter-se intocável no menu. Falta dizer que desde que a Musa de Marvila se mudou para esta nova casa que o espaço se tornou ainda mais convidativo. A esplanada, cheia de pinta, é óptima para famílias durante o dia (tem até um parque infantil). À noite, o mambo é outro.

  • Marvila
  • Recomendado

Instalado no complexo 8 Marvila, o SUGOI! é um daqueles raros casos que consegue casar com mestria dois mundos complexos da gastronomia japonesa: o sushi e o ramen. O espaço, com o seu balcão e mesas ladeados por paredes inacabadas de charme industrial, afasta-se das fáceis montanhas de salmão. A aposta recai sobre o peixe selvagem e os cortes irrepreensíveis, visíveis nos precisos nigiris ou nas elaboradas entradas cruas, como a lula com lima e ovas picantes. Nos caldos, a fasquia mantém-se no topo. Os ramens fogem à monotonia através de receitas autorais e apuradas, onde brilha a notável versão de amêijoas à Bulhão Pato, com cachaço de porco assado, citrinos e coentros.

Restaurantes na Mouraria

  • Chinês
  • Martim Moniz
  • Recomendado

A sala é caótica, com as mesas a conviverem com uma espécie de armazém improvisado. O serviço é seco, sem cortesias e pouco solícito. Quer uma bebida? Levante-se e vá buscá-la. Mas a comida compensa tudo. Neste chinês da região de Wenzhou (conterrâneo do vizinho da frente, o Mi Dai), a especialidade são as sopas de noodles, pujantes, com caldos profundos e cheios de sabor. A primeira a provar é a de entrecosto. Depois, vá intercalando com outras (há muitas e algumas bem desafiantes para os hábitos citadinos da Europa), para logo voltar à de entrecosto. E vai voltar amiúde, porque preços destes são por si só um achado. Querendo variar, tem guo tie, massa frita no wok e petiscos de vísceras.

  • Castelo de São Jorge

A Tasca Baldracca partilha o ADN descontraído do vizinho O Velho Eurico, mas afasta-se das raízes estritamente tradicionais. Ocupando a antiga cantina homónima, preserva o ambiente modesto, de porta aberta e animado por um mural, entregando uma cozinha assente em técnica apurada e zero presunção. A ementa, anunciada na ardósia, convida à partilha livre. Nas mesas aterram opções arrojadas como o tártaro de novilho com massa de pastel de vento, o leitão de pele estaladiça com salada de laranja e funcho, a bochecha de novilho com castanhas, ou o choco sobre pão torrado com chouriço e molho béarnaise. Um espaço sem pressas, perfeito para ficar entre copos.

Restaurantes nos Olivais

  • Parque das Nações

O Biclaque nasceu em 2016 no Pena Park Hotel, em Ribeira de Pena, e desde então tem vindo a expandir-se pelo país, com conceitos ligeiramente diferentes. Em 2022, abriu em Chaves, perto da Ponte de Trajano, e em 2025, no Parque das Nações. Na cozinha está Vítor Miranda, que quer mostrar o que de melhor o receituário tradicional português tem para dar – nas suas palavras, “comida saloia, boa comida com estrutura e sabor”. Há uma preferência pelos produtos de pequenos produtores locais, especialmente do Norte, que desenvolvem algumas das propostas da carta: o presunto de pato curado e, a verdadeira estrela, a alheira de rabo de boi e cogumelos. Os pratos principais incluem bife de alcatra com presunto e mostarda, cabrito estufado, arroz de polvo no forno, ou bacalhau frito. Nas sobremesas, há gelado frito de doce de ovos com canela e tigelada com creme mascarpone e doce de ovos.      

  • Grande Lisboa
  • Recomendado

A Loja dos Vinhos, na zona oriental de Lisboa, esconde um dos grandes redutos da cozinha tradicional atrás de uma montra enganadora. Funcionando como garrafeira e restaurante, a casa destaca-se pelas doses familiares e pela comida de tacho servida num ambiente de estalagem. Na ementa, a escolha vai das minuciosas lulas à algarvia, recheadas com arroz e chouriço, ao clássico galo de cabidela, até a propostas raras de caça, como a lebre e o javali com feijão branco. Tudo isto pode ser harmonizado com uma vasta escolha de vinhos nas prateleiras. Para terminar, impõem-se as farófias com doce de ovos autêntico.

Restaurantes na Penha de França

  • Italiano
  • Beato
  • preço 2 de 4

Napolitano sem concessões ao clichê italiano para exportação, tanto os pratos como a música ambiente se podem resumir numa palavra: autêntico. O qualificativo abastardou-se nos últimos tempos, mas aqui encontra-se na plenitude do seu significado. O peixe e os bivalves são estrelas numa carta de mar, em que a pasta é sempre servida al dente e longe da banalidade que grassa um pouco por todo o lado. Atenção às entradas de lulinhas e petingas fritas, e aos polipetti affogati. Depois venha a massa, da tradicional com anchovas à de ovas de tainha. Um óptimo motivo para ir até à Penha de França.

  • Cafés
  • Beato

Criado no Cais do Sodré, onde se fez casa de jazz, poesia e boa comida, o Tati mudou-se para a Penha de França e em pouco tempo mudou também a nossa atitude nonchalante para com o projecto. Mais focado na comida, ganhou fôlego e substância extraordinários. Passou a bistrô. Com criatividade, detalhe e consistência, a chef argentina Romina Bertolini eleva a fasquia com pratos como o arroz de couves tostado, tosta de curgete e anchovas, cabeça de xara com picles ou suas cobiçadas empanadas. As opções estão sempre a mudar, assim como a carta de vinhos, com uma aprimorada selecção de vinhos naturais.

Restaurantes em São Domingos de Benfica

  • Sírio
  • Sete Rios/Praça de Espanha
  • Recomendado

No espaço de um antigo café de bairro, o Baraa Kitchen serve cozinha síria feita sem atalhos. Baraa é uma antiga professora de Matemática que veio como refugiada para Portugal, juntamente com o marido e os filhos. A sala é pequena, o serviço próximo e informal. A carta é feita de clássicos como hummus, falafel, mutabal, farikah ou fatteh, com ingredientes autênticos. Mas não deixe de provar as chamuças ou o baba ghanoush, e beber chá sírio de cardamomo (não há bebidas alcoólicas). No final, acabe com um arroz doce, uma baklava, uma mamounia ou uns bolinhos de pistáchio, sobremesas que também se podem levar para casa.

  • Africano ocidental
  • Sete Rios/Praça de Espanha
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Presença dominante tanto na cozinha como na sala, a Tia Alice, natural da ilha cabo-verdiana de São Vicente, é uma daquelas figuras que faz a casa. O restaurante fica nas Laranjeiras e aos almoços enche-se de uma clientela fiel que vai de escriturários a atletas do Benfica e do Sporting. Não admira. Aqui, a comida dá muita energia, sempre com pratos do dia de raiz africana, da moqueca à moamba, com passagem por Portugal (atenção ao arroz de pato de fusão cabo-verdiana ou às iscas de porco). O que nunca muda é a cachupa, que pode ser rica ou refogada (do dia anterior, com ovo estrelado). Para muitos, não há melhor em Lisboa.

Restaurantes em São Vicente

  • São Vicente 

No Campo de Santa Clara, o Almadrava tem uma belíssima esplanada voltada para o Tejo e o Panteão Nacional. A localização marca o ritmo do jantar, com a luz a mudar ao longo da noite, visível tanto do exterior como através das portas envidraçadas da sala. Este é o segundo projecto de Frederico Frank e Rodrigo Braga, dois brasileiros ligados à cozinha portuguesa, que dividem funções entre cozinha, gestão e sala. O espaço, onde durante décadas funcionou uma casa de bifanas e mais recentemente um restaurante vegetariano, foi renovado com inspiração numa peixaria, tendo uma carta centrada em peixe e marisco.

  • Italiano
  • São Vicente 

O ragu coze durante oito horas, o pão fermenta por 48 e as beringelas ficam a marinar três dias. Neste restaurante perto da Feira da Ladra, um casal italiano e franco-português promete sabores caseiros, mas intensos. O menu do Partenope – cujo nome se inspira na sereia da mitologia grega que terá dado origem a Nápoles – divide-se entre uma degustação (que inclui um aperitivo, antipasti misti, primo, secondo e um doce à escolha) e pratos à la carte, que vão do popular melanzane arrostite (fatias muito finas de beringela, assadas e marinadas em azeite e vinagre de vinho branco, alho e pimenta) à frittatina di pasta (um croquete de massa bucatini, bechamel de pecorino, pimenta preta e scamorza) ou ao ziti al ragù di costine, massa ziti acompanhada por ragu de costelinhas. Para rematar, há doces napolitanos como a pastiera di grano e a torta caprese.

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