Dorcy Rugamba
DR | Hewa Rwanda, Letre Aux Absents, de Dorcy Rugamba
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As melhores peças de teatro e dança para ver em Lisboa esta semana

Seja um frequentador assíduo ou ocasional, estas são as peças de teatro e dança em cena em Lisboa hoje.

Raquel Dias da Silva
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Não precisa de procurar mais por peças de teatro e dança para ver hoje em Lisboa. Aqui, encontra boas sugestões de produções artísticas para preencher a sua agenda de toda a semana. Algumas têm temporadas muito curtas e é costume esgotarem rapidamente, quer sejam estreias absolutas, reposições há muito aguardadas, propostas de companhias nacionais ou digressões internacionais de prestígio. Como mais vale prevenir do que remediar, esta lista vai ajudá-lo a planear com tempo as suas incursões culturais pela cidade. Vale tudo. Só não vale ficar à porta.

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As peças de teatro e dança para ver em Lisboa

  • Avenida da Liberdade

Após o sucesso de público em 2025, a comédia Agora É Que São Elas! está de regresso a Portugal, com paragens confirmadas em Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Águeda, Vale de Cambra e Funchal. Escrita pelo humorista Fábio Porchat, a peça desafia as barreiras de género. Em palco, três actrizes transformam-se em 20 personagens distintas, masculinas e femininas, para protagonizar nove sketches. São elas a carioca Maria Clara Gueiros, estrela que conquistou o grande público no fenómeno televisivo Zorra Total; Júlia Rabello, actriz que explodiu no panorama digital como um dos rostos mais marcantes do colectivo Porta dos Fundos; e a paulistana Priscila Castello Branco, que tem consolidado o seu espaço no stand-up comedy e esgota salas há anos com o espectáculo a solo Tô Quase Lá. O que se propõe, mais do que um bom momento, é uma reflexão mordaz sobre a sociedade, a política e o comportamento humano contemporâneo.

  • Avenidas Novas

Neste encontro entre a encenadora Mónica Calle e o Grupo de Teatro do Técnico, as palavras de Heiner Müller dão corpo a uma batalha onde o indivíduo se apaga e a obediência esmaga o desejo. Entre pratos cozinhados em cena, copos de vinho partilhados, canções e o fumo de cigarros, a produção entrelaça a componente comunitária do trabalho com reflexões viscerais sobre o conflito, a violência, a morte e a urgência de fuga. A colectiva recolha de palavras e manifestos garante que nada fica por dizer antes de a paisagem final se fechar. Em cena de 13 a 17 de Setembro, domingo às 19.30 e de segunda a quinta-feira às 21.00, no Instituto Superior Técnico. O bilhete custa entre 5€ e 10€. As reservas de lugares são feitas directamente online através da plataforma oficial da companhia.

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  • Marvila

Os Artistas Unidos levam à cena um texto da dramaturga britânica Zinnie Harris, sob a encenação de João Meireles, que aborda a fragilidade do isolamento e o impacto do progresso humano. A acção situa-se numa das comunidades mais recônditas do mundo, onde a rotina se rege por um tempo próprio até à chegada de um estranho que introduz novas formas de poder, desejos latentes e a lenta ruína de um equilíbrio sustentado em crenças e silêncios. Quando o passado e a tensão interna deixam de poder ser contidos pela ilha, a erupção iminente de um vulcão obriga os habitantes a abandonar o único mundo que conhecem. O espectáculo conta com as interpretações de Andreia Bento, António Simão, Inês Pereira, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Carraca. Os bilhetes custam 12€ (7€ à terça-feira, Dia do Espectador).

  • Avenidas Novas

Com texto e direcção de Tiago Rodrigues, esta peça leva-nos até 2077. Enquanto a humanidade luta para sobreviver, assolada pela precariedade económica e as consequências da emergência climática, parte da população vive exilada em Marte. A partir da Terra, um pai esforça-se por manter uma relação com a filha, que se encontra no Planeta Vermelho. A interpretação é de Alison Dechamps e Adama Diop. Em cena de 10 a 20 de Setembro, na Culturgest.

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  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Em Hewa Rwanda, Lettre Aux Absents, o artista ruandês Dorcy Rugamba confia aos seus filhos um testemunho intimista e doloroso sobre o genocídio dos tutsis em 1994, acontecimento histórico e pessoal que marcou de forma irreversível a sua trajectória humana e artística. No palco, o próprio Rugamba dá voz a este relato na primeira pessoa, num diálogo constante com o universo musical e a cumplicidade do multi-instrumentista senegalês Majnun. O espectáculo é falado em francês com legendagem em português e inglês, com bilhetes a 12€ e integração no programa Passe Cultura (com levantamento exclusivo na bilheteira física do teatro).

  • Dança
  • Belém

Criado originalmente em 2014 pelo coreógrafo belga Jan Martens e recriado em 2025 com um novo elenco, The Dog Days Are Over afirmou-se como uma das produções mais emblemáticas da dança contemporânea europeia, acumulando mais de uma centena de apresentações internacionais. Partindo de uma premissa do fotógrafo Philippe Halsman – segundo a qual o acto de saltar faz cair a máscara social para revelar a verdadeira identidade –, a peça eleva o salto a dispositivo coreográfico central. Em cena, oito bailarinos submetem-se a uma partitura matemática e física de exaustão extrema, onde sequências contínuas de saltos colocam à prova a sincronização e a resistência. É precisamente no confronto entre a repetição mecânica e o cansaço acumulado que a uniformidade se desmorona, deixando a nu a fragilidade, o esforço e a individualidade de cada corpo. Para ver no Centro Cultural de Belém.

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  • Marvila

Em plena Segunda Guerra Mundial, Nan Shepherd escreve A Montanha Viva, descrevendo as suas viagens pelas Cairngorms numa meditação sobre o consolo e a força das regiões indomadas, focando-se nos elementos ocultos da montanha e na nossa relação imaginativa com o mundo selvagem. Em 1940, a publicação do manuscrito é recusada e ficaria guardado numa gaveta durante mais de três décadas. Com criação de Bruno Alexandre e Maria Gil, este espectáculo – em cena no 8 Marvila até 26 de Setembro – parte dessa Montanha Viva.

  • Chiado

Gonçalo Waddington encena uma das peças mais ferozes do dramaturgo sueco August Strindberg, escrita em 1887. O enredo centra-se no conflito aberto entre o Capitão e a mãe, Laura, sobre o futuro e a educação da filha, Berta. Para impor a sua vontade, Laura instila no marido a dúvida sobre a sua real paternidade, lançando-o num processo de paranóia, alucinação e demência. O espectáculo, que retrata as relações entre homens e mulheres como uma luta pelo poder, conta com a tradução de António Cabrita e Luís Miguel Cintra, e um elenco composto por Carla Maciel, Cecília Borges, Gonçalo Waddington, Hugo Narciso, Joana Bárcia, João Pedro Vaz e Miguel Sopas. Em cena de 16 a 27 de Setembro, quarta a sábado às 20.00 e domingo às 17.30, no São Luiz. O bilhete custa 12€ e 15€.

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  • Avenida da Liberdade

Com libreto, música e letras de Irene Sankoff e David Hein, encenação de Pedro Pernas e direcção musical de Nuno de Sá, este musical baseia-se nos acontecimentos ocorridos na cidade de Gander, em Newfoundland, no Canadá, na semana que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro de 2001. Nesse período, com o espaço aéreo dos EUA fechado, 38 aviões com quase 7000 passageiros foram desviados para Gander. Os residentes da localidade acolheram essas pessoas, hospedando-as, alimentando-as e apoiando-as até que pudessem prosseguir viagem.

  • Parque das Nações

Com texto e encenação de Renato Arroyo, o clássico de Shakespeare é recontado através do olhar de Rosaline, a primeira paixão de Romeu que, para complicar a história, é prima de Julieta. Afinal, o amor mais famoso de sempre não é bem como nos contaram. Mas este musical repõe a verdade e dá-nos a conhecer a história por trás da história. A direcção musical é de Miguel Amorim, que co-assina a música com Filipe de Albuquerque, e as letras de Inês Branco. Em cena de 23 de Setembro a 4 de Outubro, no Casino de Lisboa.

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  • Carnide/Colégio Militar

Com encenação de Miguel Thiré, esta comédia de Stefan Cuvelier conta a história de Francisco, uma estrela do mundo do espectáculo com um feitio insuportável. Tão insuportável que os actores de uma peça com estreia para breve recusam-se a participar. Como precisa de substituir o elenco o mais rápido possível, Francisco contrata um grupo de pessoas que não são actores, nem querem ser: o seu agente, a empregada e um canalizador. A trama fica rocambolesca, como seria de esperar… Em cena de 10 de Setembro a 11 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Teatro Armando Cortez.

  • Chiado

Com texto de Constança Bourgard e encenação de Miguel Fragata, este espectáculo, distinguido com o Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, acompanha um casal decidido a construir uma vida a dois, no apartamento com que sempre sonhou, no centro de Lisboa. Mas diferenças salariais, ressentimentos de classe e expectativas de género transformam o refúgio idealizado num fardo constante.

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  • Santa Maria Maior

Depois de três anos fechado para obras, o Teatro Nacional D. Maria II reabre as suas portas com três dias de festa. A programação inclui Macbeth, a mesma que estava em cena na fatídica noite de 2 de Dezembro de 1964, quando um incêndio deixou o teatro em ruínas, alimentando as lendas e superstições que sempre rodearam a tragédia de Shakespeare. Com tradução e encenação de Pedro Penim, esta nova produção desafia as velhas superstições do meio teatral e coloca nos papéis principais um elenco encabeçado por Bárbara Branco e José Raposo.

  • Chiado

Com texto de Tom Schulman e encenação de Hélder Gamboa, leva-nos até um colégio interno dos Estados Unidos, onde “Tradição, Disciplina, Honra e Excelência”, os pilares de um ensino rígido e espartilhado, serão postos à prova pelo carismático professor de Literatura, John Keating. Instigando os jovens alunos a questionarem o mundo e a adoptarem novos pontos de vista, Keating vai provocar-lhes uma intensa catarse e grande perturbação na vida diária do colégio. Em cena até 30 de Dezembro, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.30, no Teatro da Trindade. O bilhete custa entre 11€ e 19€ às quartas e entre 15€ e 24€ de quinta a domingo.

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