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Miguel Loureiro
Vitorino Coragem

Miguel Loureiro: “Não me apetece fazer programa político ou autoral”

O encenador não quer saber da política em 'Frei Luís de Sousa', que encena a partir desta sexta, na Sala Garrett do TNDMII.

Escrito por
Miguel Branco
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A Sala Garrett do Teatro Nacional Dona Maria II recebe Frei Luís de Sousa, obra central do teatro português, escrita por quem dá nome à sala onde agora se apresenta: Almeida Garrett. Fala-nos de ser português, de um fantasma que afinal estava vivo, do casamento de D. Madalena de Vilhena e de Manuel Sousa Coutinho, assombrado por D. João Portugal, que se julgava morto na Batalha de Alcácer Quibir. E fala-nos de política. Ainda que isso não seja aquilo que mais importa a Miguel Loureiro, encenador do espectáculo que estreia esta sexta-feira e fica até dia 7 de Abril.""

Lembra-se da primeira vez que leu Frei Luís de Sousa?
Foi na escola. Gostei. Não tinha gostado d’Os Lusíadas, da lírica, e deste gostei, não só porque tinha várias personagens, era teatro, mas porque se lia muito bem, tinha essa coisa do romeiro, do fantasma, do “há-de saber-se no mundo que ainda há um português em Portugal”, aquelas coisas que nos habituámos a ouvir e depois encontrei a referência. Gosto do Garrett, ao contrário do Camilo Castelo Branco, que me custou mais.

Quando aparece a vontade de fazer isto?
Foi o José Luís Ferreira, que me desafiou a fazer, ele tinha um projecto que era desafiar outros encenadores a fazer coisas como O Livro do Desassossego, assim marcos ligados à nacionalidade ou ao pulsar português. Achei um piadão à proposta. E como gosto do lirismo do texto, da acepção que tem, aceitei. Era para ser um coisa mais pequena, com duas ou três personagens, e depois o Tiago Rodrigues interessou-se por isto. Então decidi que não queria muito pôr uma autoria minha, queria fazer de uma forma canónica, estou um bocadinho farto de cinismo e da perspectiva sobre. Será que é possível ainda fazer o referente? Parece que hoje nunca há um vergar perante um material, um texto, que montas em palco.

Há aquela ideia de que este texto não é muito bom.
Há pessoas que não gostam, claro, eu acho maravilhoso, no século XX não há assim muitos textos ao nível deste.

Dizia que queria fazer isto canonicamente. Mas há coisas suas.
Nunca é canonicamente, mas sim, o que há meu tem que ver com trabalho de recorte fraseado e de enunciação, não é uma tentativa de resgatar o texto para algum lado que não lhe pertença, na minha perspectiva de leitura acho isso pouco honesto, posso fazer isso com outros materiais e com este não queria, porque acredito na beleza deste texto. Nesse sentido não me apetece fazer programa político ou programa autoral.

Mas reconhece que há ali uma ideia de revolução, a forma como o D. Manuel Clemente incendeia a sua casa…
O Eduardo Lourenço diz que o Frei Luís de Sousa é só política. Não me interessa trabalhar o projecto político de Garrett, fundar um repertório para um país que ainda não o tem nessa altura e que continua sem. O que me interessa é aquilo que é transversal à Europa naquele momento, o exacerbar dos sentimentos, cortei um bocado um certo pietismo português e religioso que não é o meu, interessa-me o exercitar da língua portuguesa no texto de Garrett.   

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