Os snack-bars mais modernos de Lisboa nos anos 50 e 60

Lisboa conheceu os snack-bars em 1950, com Victor Palla e Bento d'Almeida. A obra dos dois arquitectos apresenta-se no CCB
galeto
Fotografia: Arlindo Camacho
Por Catarina Moura |
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Em Lisboa nem se sabia bem como registar aquilo nas finanças: um balcão alto, com cadeiras altas para sentar e comer de frente para o empregado de balcão. Na América chamavam-lhes snack-bars e só se conheciam dos filmes. Até que os arquitectos Victor Palla e Joaquim Bento d’Almeida desenharam o Pique-Nique para o Rossio, com painéis de Júlio Pomar e tudo o resto desta dupla – dos bancos aos candeeiros. O CCB abre esta quarta-feira, 12 de Abril, ao público "Victor Palla e Bento d’Almeida: Arquitectura de Outro Tempo”, com curadoria dos netos dos arquitectos, João Palla Martins e Patrícia Bento d’Almeida, e mostra como estes dois modernos trouxeram este tipo de restaurante para Portugal.

Veja como eram os primeiros snack-bares de Lisboa na altura em que eram dos lugares mais glamorosos da capital.

Os snack-bars mais modernos de Lisboa nos anos 50 e 60

Interior do Snack-Bar Pique-Nique
©Estúdio Mário Novais/ Col. Ana Tostões

Pique-Nique

Em 1950, o atelier dos dois arquitectos e amigos recebeu uma encomenda: um snack-bar. Como assim? Fizeram viagens ao estrangeiro, consultaram revistas internacionais e pouco tempo depois estava na Baixa lisboeta o primeiro de muitos. Atrás do balcão, um painel de Júlio Pomar e cá fora um néon com o nome – nada de toldos com “snack-bar/casa de pasto”.

Montra do Snack-Bar Tique-Taque
©Estúdio Mário Novais/Coleção Estúdio Mário Novais, FCG-Biblioteca

Tique-taque

Em 1956, a Avenida de Roma ganhava o Tique-Taque, de montra rasgada, como pedia o desenho dos mais modernos estabelecimentos de consumo no estrangeiro. A dupla de arquitectos desenhou de restaurantes a cabeleireiros, e em todos quase não se dá pela passagem da rua para a loja. No segundo andar do Tique-Taque, com uma ampla janela, comia-se com luz natural de dia, e luz dos “reclames luminosos” à noite.

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Interior do Snack-Bar Pam-Pam
©DREstúdio Mário Novais/Coleção Estúdio Mário Novais, FCG-Biblioteca de Arte

Pam-Pam

De montra pequenina toda em vidro e para comer rapidamente, como se presta o conceito de snack-bar. Na Avenida Almirante Reis, o Pam-Pam abria em 1957 com um segundo andar amplo, salas compridas a abrirem-se lá para o fundo. Os snack-bars de Palla e Bento d’Almeida eram lições de arquitectura e modernismo para o seu tempo.

Snack-Bar Términus-palla bento
©António Sena da Silva/ Col. Maria Helena Souto

Términus

Na Rua 1º de Dezembro nasceu um dos primeiros snack-bars e trouxe o estranhamento de algumas pessoas, mas a admiração dos mais actualizados arquitectos, para quem era obrigatório conhecer as obras de Bento d’Almeida e Palla. Esta nova geração trazia linhas contrastantes com a arquitectura pública do Antigo Regime e tinha uma atitude mais descontraída do que as tertúlias da velha guarda.

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Snack-Bar Galeto
© João Palla Martins
Restaurantes, Hambúrgueres

Galeto

icon-location-pin Avenidas Novas

O único que ainda se mantém firme e hirto, como diria o bruxo Alexandrino. Muitos dos espaços desenhados pelos dois amigos se mantém mas de interiores alterados. No Galeto, na Avenida de República, o balcão, os bancos, os tectos e até os suportes para os molhos têm assinatura deste atelier que, com cerca de 700 projectos de casas, espaços púlicos e comerciais (todos presentes na mostra), ajudou a trazer a arquitectura moderna para o país.

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