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Ticiana Landeiro – Vida de Mar1/8
©Ticiana Landeiro
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Ticiana Landeiro – Vida de Mar8/8
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Portefólio: em Rabo de Peixe a pesca não é arte só de homens

Ticiana Landeiro fez-se ao mar em Rabo de Peixe e descobriu como se vive nesta vila piscatória dos Açores. É duro, mas há alegria e muito azul.

Por Sebastião Almeida
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Quando em 2014 começou a viajar pelo mundo, estava longe de adivinhar que seis anos depois estaria a viver em Portugal e a tentar fazer vida através da fotografia. Ticiana Landeiro, 33 anos, nasceu em Salvador da Bahia e tornou-se advogada. Mas cedo sentiu necessidade de ir conhecer paragens mais longínquas e, com isso, veio a fotografia. Há dois anos, mudou-se para Portugal e resolveu “aprofundar os conhecimentos na área”. Foi assim que rumou até aos Açores para dar corpo a um projecto que inicialmente seria sobre mulheres pescadoras.

Chegada a Rabo de Peixe, vila piscatória na ilha de São Miguel, percebeu que não seria tarefa fácil. “Por um lado foi uma frustração”, confessa. Tentou encontrar quem a ajudasse, mas todos lhe bateram com a porta. “Neste tipo de trabalho tem que ter uma gentileza e um carinho”, diz. O que Ticiana encontrou foram mulheres que se sentiam, talvez, exploradas pela imagem que os meios de comunicação passaram de Rabo de Peixe como sendo um local pautado pelo tráfico de droga, criminalidade e violência. Mas desse infortúnio e da resiliência de querer encontrar uma história para contar, cruzou-se com as pessoas certas.

Em vez de se debruçar sobre a questão da pesca praticada por mulheres, procurou entender a importância do papel escondido da mulher nesta arte, que é ainda o sustento de muitas famílias da região. “Todas as mulheres ajudam os maridos, nem que seja só dentro de casa”, conta. Ainda existe um certo preconceito no que diz respeito à mulher poder participar nas actividades de pesca, mas todas ajudam os pescadores a fazer os apetrechos e tratar dos utensílios para serem usados no mar.

Foi através de uma dessas mulheres que conheceu o senhor Domingos, como é conhecido um dos pescadores da vila. Fez-se ao mar com a sua tripulação e passou 12 horas “aos abanões”. É uma vida dura, esta, que “pouco assegura o sustento”. Dessa vez, pescaram 40 quilos de peixe, a dividir por oito elementos – o que se traduz em muito pouco retorno. Ticiana percebeu, e registou, uma Rabo de Peixe que não é feita apenas de aspectos negativos. As suas fotografias mostram-nos que o mar também é vida e que há quem viva para ele.

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