Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Portefólio: os casacos amarelos de Ivy e Athon
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©The Yellow JacketsBehind the Courtains
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©The Yellow JacketsAlways be kind, you never know what's inside
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©The Yellow JacketsA Contar os Dias - Metáfora sobre o Isolamento durante a Pandemia
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©The Yellow JacketsBeauty and the Beast
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©The Yellow JacketsBiblioteca Abandonada - Não deixem a Cultura Morrer
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©The Yellow JacketsChallet Azul
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©The Yellow JacketsSave Water, Shower Together
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©The Yellow JacketsShow Must Go On
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©The Yellow JacketsClassic(s)
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©The Yellow JacketsHotel Shangai
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©The Yellow JacketsEscondidos na Arca
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©The Yellow JacketsA Central Elétrica

Portefólio: os casacos amarelos de Ivy e Athon

São portugueses e vestem casacos amarelos enquanto exploram e fotografam edifícios abandonados. Contamos-lhe a história de Ivy e Athon, os The Yellow Jackets.

Por Sebastião Almeida
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Foi um casaco amarelo herdado que lhes fez ganhar o nome, mas foi o gosto pelo desconhecido que os aproximou. Ivy e Athon, nomes fictícios, são os rostos (ocultos) por detrás dos The Yellow Jackets, um casal português “na casa dos trintas”, que viaja por Portugal e pelo mundo com o objectivo de explorar e fotografar edifícios abandonados. “Por ironia do destino”, contam à Time Out, pouco tempo depois de começarem a usar o anoraque amarelo do pai de Athon, depararam-se com outro idêntico e em mau estado, num dos locais que visitaram. Lavaram-no, repararam-no e foi assim que ganhou forma o projecto que “pretende dar a conhecer a quantidade enorme de imóveis de cariz cultural carregados de história que se encontram ao abandono e completamente desprezados”.

E porquê a cor amarela? “Gostámos imenso do contraste [que a cor] criava nos locais abandonados, tipicamente sombrios, tristes e sem vida”, relatam. As semelhanças com o casaco usado pelo protagonista da série alemã Dark são evidentes, mas aqui não há nada de sobrenatural – só de imaginação. “O amarelo dava-lhes [aos locais], de certa forma, uma nova vida.” Fábricas, centrais eléctricas, prisões, palacetes ou centros comerciais – já perderam a conta ao sem-número de espaços abandonados que visitaram pela Europa. Em todas as explorações há, ainda assim, a preocupação de contar a história dos imóveis que fazem parte de uma comunidade, que guardam nas suas paredes e tectos histórias de seres humanos que em tempos lhes conferiram vida. “Nós tentamos manter cada um destes edifícios de pé apelando à preservação do património edificado que ainda resta e eternizando-o em fotografias”, resumem.

Numa exploração ao Norte do país, numa moradia, contam, encontraram uma arca gigante. “Queríamos ter uma fotografia no seu interior, só com o braço de fora.” “Mas quando lá estávamos dentro apercebemo-nos de que estavam a subir as escadas da casa na nossa direcção.” Os restantes exploradores que os acompanhavam apressaram-se a sair, mas, como tinham a máquina no tripé, continuaram a fotografar até obterem o resultado que pretendiam.  Não chegaram a saber quem era. Estes locais abandonados têm o poder de os deixar pensativos. Numa outra aventura, depararam-se com uma casa antiga que tinha uma das divisões cheia de plantas secas em vasos. Num canto encontraram um piano. Por cima, a fotografia de um homem. “Ficámos imenso tempo a olhar para a sala e a imaginar qual seria a sua verdadeira história. Será que aquele homem tocava piano enquanto a sua esposa regava as plantas? Porque teriam deixado tudo como estava?”

Apesar de tentarem reunir o máximo de informação sobre os locais que visitam, nem sempre é possível. Alguns deles, são “autênticas cápsulas do tempo”. Mas a dupla nunca deixa de imaginar as suas histórias e de tentar perceber mais sobre os hóspedes idos. “São todos estes pormenores que acabam por ser a maior inspiração enquanto fotografamos”, dizem. Ivy e Athon querem que o público, através das suas fotografias, consiga sentir-se um pouco na pele dos Casacos Amarelos, que “partam à descoberta e que vivam em constante auto-desafio”. “Precisamos cada vez mais de sair da nossa zona de conforto e de fugir ao ritmo frenético, monótono que se vive na sociedade actual. Precisamos de experienciar diferentes sensações e procurar novos caminhos”, defende o casal. 

Há um mundo por descobrir que parece saído de um imaginário fantástico. Estes locais abandonados, o esforço e o perigo para chegar a eles, é o que faz estes dois portugueses saírem da sua zona de conforto. Aos que não têm essa oportunidade, resta-lhes observarem com atenção as fotografias que se seguem e deixarem-se imergir numa viagem em que poderão dar azo à imaginação e questionarem sobre que outras vidas tiveram os sítios que agora lhes são mostrados, despidos e maltratados.

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