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Dias do Desassossego: até ao fim do mês não dá para sossegar

Por
Francisca Dias Real
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Dois escritores. Duas datas. Um evento. São assim os “Dias do Desassossego” que arrancam esta quinta, 16, o dia de nascimento de José Saramago, e terminam no dia 30 de Novembro, assinalando o dia em que morreu Fernando Pessoa. Uma iniciativa que gera um diálogo entre as obras de dois dos maiores autores da língua portuguesa com outros ofícios como a música, a arte urbana, o teatro, passeios literários e leituras.

Esta é a terceira edição que celebra a iniciativa no actual formato que une a Casa Fernando Pessoa com a Fundação José Saramago, uma espécie de coligação que permite criar uma união mais forte entre Pessoa e Saramago, trazendo para a rua todo o tipo de manifestações artísticas. “É um conjunto de programas que desejamos que sejam diferentes perspectivas dos efeitos da leitura”, explica Clara Riso, directora da Casa Fernando Pessoa. “Fazemo-lo em colectivo: as duas casas, com uma comunidade de artistas que vai mudando de ano para ano, para chegarmos a um grupo crescente de gente. Um tipo de comunidade de leitores, aberta.”

Ao longo dos vários dias da iniciativa, a programação cultural vai muito além da simples literatura e dos livros dos dois escritores. “Achamos que a literatura dialoga perfeitamente com diferentes manifestações artísticas”, afirma Sérgio Letria, da Fundação José Saramago. “Dizíamos um dia destes que quando o Fernando Pessoa se sentava em cafés da cidade ou quando o José Saramago se sentava diante da sua máquina de escrever, provavelmente não imaginariam que esses textos estariam na origem de peças de teatro, de passeios literários, de concertos ou de uma pintura numa parede de Lisboa.”

Além dos locais que organizam os Dias do Desassossego, outros palcos vão ser tomados pela cidade. O Teatro São Carlos, o Teatro São Luiz e o B.Leza também vão receber algumas das actividades da programação. E como já é habitual, a programação contempla algumas actividades para os mais jovens em torno da literatura e da escrita. “Se a obra de um escritor não for lida, não se cumpre”, argumenta Sérgio. “É fundamental criar novos leitores para Pessoa e Saramago, novos leitores que leiam o que quiserem, porque a leitura é um acto de liberdade.”

O programa completo pode ser consultado aqui, mas damos-lhe de antemão quatro destaques que não pode perder.

Uma Máquina Voadora Movida por Vontades:

Nos 35 anos da obra Memorial do Convento, esta performance é – tal como a famosa passarola na obra de Saramago – movida a vontades. André e. Teodósio, Rafael Esteves Martins e Ana Ribeiro relembram e reinterpretam esta história em palco.

Fundação José Saramago. Quinta durante todo o dia. Entrada livre.

Disquietheart:

Tamara Alves volta à carga para deixar a sua marca numa das paredes junto ao Mercado da Ribeira. A obra será inspirada nas palavras de Saramago – “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo o dia” – e pode ser vista desde o momento zero à arte final.

Largo D. Luís (Cais do Sodré). A partir de quinta.

Biblioteca dos Músicos:

São dois pianos em palco, um para Filipe Melo e outro para Filipe Raposo, que passam dos livros à música. Os dois pianistas apresentam dois inéditos, um para Fernando Pessoa e outro para José Saramago. Um espectáculo para ver e ouvir.

Teatro São Luiz. 22 de Novembro 21.00.12€.

Ruído Vário:

Os Dias do Desassossego encerram com um concerto inédito da cantora portuguesa Ana Deus e Lucas Argel, cantautor brasileiro. Os dois músicos juntam as vozes dos heterónimos de Pessoa no mesmo coro e passam dos poemas para as canções .

Casa Fernando Pessoa. 30 de Novembro 21.00. 8€

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