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Miguel Castro e Silva: o chef está imparável

Cafeteria Gulbenkian pelo Chef Miguel Castro Silva.
©Jorge Simão

Não é uma nem duas, são três novidades que o chef portuense traz aos lisboetas. A sua atenção, sff. Miguel Castro e Silva acaba de se instalar a sério na Gulbenkian e de fazer um extreme makeover à cafetaria do museu. O mesmo sítio onde dá a provar, pela primeira vez, uma linha de pastéis de assinatura, doces e salgados que vai vender também em Londres. Apesar de ser em Lisboa que vai abrir, já em Maio, dois novos restaurantes, um deles a traçar o caminho da cozinha de autor [termo que detesta, mas que deu autorização para ser usado neste texto]. Sim, tudo isso. Conheça cada um dos projectos.

 

O chef Miguel Castro e Silva
Fotografia: Manuel Manso

 

 

 

 

 

A Cafetaria do Museu Calouste Gulbenkian

Se já havia boas desculpas para passar algumas vezes pelo museu e jardins da Gulbenkian, a instalação definitiva do chef Castro e Silva, já consultor da Fundação há dois anos, veio dar novas razões para lá ir. Abriu a cozinha, agora totalmente à vista de quem lá vai almoçar, importou um bonito serviço de loiça Costa Nova e dividiu a bancada de self-service em duas partes. De um lado há uma imensidão de salgados, como pastéis de bacalhau, rissóis, quiches, saladinhas frias e a nova linha de pastéis do chef; do outro lado alinham-se bolos à fatia, éclaires caseiros e outros doces que fazem equacionar se não é melhor trocar a ordem da refeição convencional para sobremesa-prato-sopa. Mais: tem sempre pratos do dia e uma ementa fixa onde entram alguns nomes conhecidos, como o brás de pato com curgete e cogumelos, o bacalhau à brás, a francesinha puxa-carroça com carnes assadas, o arroz de vitela maronesa ou o pica-pau à Ribeira. “Ganhámos o espaço num concurso e abrimos há um mês. Foi tudo muito rápido, só tivemos 15 dias para montar tudo”, conta. Para qualquer refeição lá basta fazer a fila, apreciar a montra (cuidado com o estrabismo), pagar e sentar-se – os empregados tratam de levar os pratos ao destino. Horário: Qua-Seg 10.00-18.00

 

Os pastéis

Miguel Castro e Silva não é o primeiro, nem há-de ser o último, chef a criar uma linha própria de pastéis de nata – José Avillez, por exemplo, lançou a sua quando abriu o Café Lisboa. Mas os seus diz, semi-envergonhado, “estão óptimos”. A ideia de os criar, dentro de uma linha de pastéis salgados de base redonda, acrescenta, “até vai um bocado contra o meu pensamento. Eu sou um fundamentalista. Uma alheira é uma alheira, pode haver um enchido de bacalhau, mas não é a mesma coisa”. Acontece que foi desafiado pela empresa que tem a marca I Love Nata, em Londres, a confeccionar pastéis salgados e aventurou-se. “Para já existem seis.” O de bacalhau, o de pescada com espinafres, o de frango e cogumelos, frango e alho-francês, um de legumes e o de nata. “Vou agora fazer um de maçã e outro de chocolate e avelã.” E apesar da ideia ser para o mercado inglês, há sempre três ou quatro para provar na cafetaria do Museu Gulbenkian (1,60€).

 

Pastéis salgados
©Jorge Simão

 

 

 

 

 

Os restaurantes

Lumni e Mercado Simply Portuguese. São dois nomes a entrar no léxico dos lisboetas a partir de meados de Maio. Os dois futuros restaurantes do chef (em parceria com a empresa com a qual gere a cafetaria do museu) ficam num mesmo edifício do Chiado, mesmo na linha que o separa do Bairro Alto, na Rua de São Pedro de Alcântara. Há mais para dar: o prédio, que vai ser um hotel e apartamentos, está nos finalmentes mas é um daqueles que se encontra em obras há anos e já obriga quem passa a atravessar a estrada ou fazer fila indiana – sim, esse mesmo, com barras metálicas por fora, ao lado do Solar do Vinho do Porto. Não tarda vai ver a luz do dia, e os lisboetas vão vê-lo, tanto no andar de baixo, com o Mercado, restaurante mais ao estilo desta nova cafetaria, como lá em cima, com o Lumni. “Aqui vou voltar muito aos tempos do Bull&Bear, fazer uma cozinha com mais liberdade.” Ou seja, cozinha de autor. Para já sabe que vai ter um menu de degustação, alguns pratos em doses pequenas e que vai servir pratos como o robalo com funcho e laranja ou “um bacalhau que foi alvo de insultos há uns 12 anos quando o fiz pela primeira vez, mas que causou admiração no ano passado, na Essência do Vinho. É recheado com compota de cebola e vinho do Porto e servido com um guisado de mão de vitela. Demora horas a fazer.” Mais não adianta. Nem com muita insistência. “Vai ser comida de conforto. Não conto mais.” 

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