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Vincent Cassel interpreta Vidocq
Vincent Cassel interpreta Vidocq

Jean-François Richet e “o malfeitor que se tornou chefe da polícia” em Paris

O realizador de “O Imperador de Paris” fala sobre Vidocq, o ladrão que se tornou chefe da polícia no tempo de Napoleão.

Por Eurico de Barros
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Eugène François Vidocq era um criminoso que foi perdoado e nomeado director da polícia francesa em 1811. Foi ainda um dos pioneiros da criminologia e fundou a primeira agência de detectives privados. Em O Imperador de Paris, Jean-François Richet conta a extraordinária história de Vidocq até ele passar para o lado da Lei.

O primeiro filme francês sobre Vidocq data do tempo do mudo. Houve outros depois, e duas séries de televisão, nos anos 60 e 70. A que se deve esta popularidade da personagem? E o seu interesse por ela?
É a história de um malfeitor que se tornou chefe da polícia.Na nossa época, isto soa-nos impossível. Só que depois da Revolução em França, e durante o regime de Napoleão Bonaparte, tudo é possível. Tem-se direito a uma segunda oportunidade, é o tempo da meritocracia. Se somos bons numa certa área, podemos chegar a marechal de França, a príncipe, até a director da Sûreté de Paris. Mesmo se formos um malfeitor. O meu interesse por Vidocq tem também a ver com estas razões. E ainda com o facto de nunca ter sido feito um filme sobre a personagem tal como ela era na verdade.

É por isso que o filme se passa entre uma das evasões espectaculares de Vidocq e a sua nomeação para director da polícia?
Exacto. O que eu queria era contar como é que ele se tornou chefe da polícia. Depois, são outras histórias. Além disso, o Vidocq sempre foi representado no cinema e na série com uma aura algo extravagante e cómica. Mas eu li as Memórias dele e o Vidocq não era nada assim.

O Imperador de Paris baseia-se nas Memórias de Vidocq. É um filme muito factual ou mais ficcional?
Nós tivemos que sintetizar e dramatizar muita coisa. E por vezes isso obrigou-nos a recorrer à ficção. Mas os factos estão sempre lá e as personagens reais também. Se a forma é por vezes ficcional, o filme é sempre verdadeiro no fundo.

Já trabalhou várias vezes com Vincent Cassel, que interpreta Vidocq. Tem uma relação especial como ele enquanto actor?
É o quarto filme que faço com ele. Compreendemo-nos sem falarmos e já o conheço muito bem. E o Vincent tem uma enorme latitude dramática, tanto é credível numa cena de amor como numa cena de assalto a um banco. Não há muitos actores em França que consigam isso, na faixa etária dele. Pensei logo nele para o papel de Vidocq. Sem o Vincent, eu nunca teria feito O Imperador de Paris.

Crítica: “O Imperador de Paris”

De Jean-François Richet, 120 minutos

★★★☆☆

Filme de época, história biográfica, enredo policial, aventura de capa e espada. O Imperador de Paris, de Jean-François Richet (na foto), consegue ser tudo isto e inscreve-se num tipo de cinema cada vez mais raro na produção francesa: o grande filme popular de qualidade. Ao contar como, sob o regime napoleónico, no início do século XIX, Eugène François Vidocq, um conhecido e carismático malfeitor que se queria regenerar, foi perdoado dos seus crimes e nomeado director da polícia pelo temido e poderoso ministro da Polícia Joseph Fouché, Richet conta-nos também um pedaço da história dessa França que se refaz após as convulsões e as barbaridades da Revolução Francesa, passada em parte numa Paris em renovação (e quase totalmente recriada em estúdio, como nas grandes produções históricas a cuja linhagem O Imperador de Paris pertence). O filme combina com trepidante eficácia peripécias tipicamente romanescas e folhetinescas, e factos reais tirados às memórias escritas por Vidocq, personificado com intensidade atormentada por Vincent Cassel. Ele sucede no papel a Harry Baur, George Sanders, Bernard Noel, Claude Brasseur ou Gérard Depardieu, demonstrando a popularidade perene desta personagem tão singular e maior da pequena história de França. EB

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