Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Amadora BD: quatro exposições a não perder

Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme sempre antes de sair de casa.

Amadora BD
Câmara Municipal da Amadora "30 anos, 30 cartazes", retrospectiva sobre o festival

Amadora BD: quatro exposições a não perder

O Amadora BD celebra este ano a 30.ª edição. Aproveitámos para descobrir mais sobre esta história aos quadradinhos e destacar quatro exposições

Por Raquel Dias da Silva
Publicidade

A Amadora é “a cidade da BD”. Estas palavras lêem-se na parede de um túnel a caminho do Fórum Luís de Camões, que é há muitos anos o principal pólo do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. O que começou por ser apenas mais um salão de banda desenhada é hoje a maior festa de tiras e vinhetas do país. A 30.ª edição começa na quinta-feira, 25, e encerra ao fim de dez dias, a 3 de Novembro.

“O I Salão de Banda Desenhada realizou-se em 1990, no edifício da Câmara Municipal, com as principais exposições na actual Galeria Artur Bual. Lembro-me que conheci na altura um Manuel Cruz [dos Ornatos Violeta] muito novo, vencedor de um dos prémios do concurso de banda desenhada”, recorda Ricardo Blanco, ilustrador e realizador de cinema de animação. Antes, ele próprio apresentara uma proposta à autarquia para um festival. A ideia era expôr jovens talentos e homenagear O Mosquito, o mítico jornal de banda desenhada portuguesa, fundado em 1936 pelo amadorense António Cardoso Lopes, mais conhecido por TioTónio. Mas já havia um projecto em fase adiantada de concretização. Era precisamente esse primeiro salão, que não era suposto repetir-se e onde o editor Rui Brito também esteve presente.

“Participo desde o início com uma banca de fanzines. No segundo ou no terceiro ano, comecei a montar exposições. Lembro-me que numa das edições, já na Fábrica da Cultura, organizámos uma de um autor brasileiro, o Arthur Garcia. Estivemos 36 horas, sem parar, a pintar e a mobilar tudo para a inauguração”, conta o responsável pela editora de banda desenhada Polvo, que regressa com um stand na área comercial e cinco lançamentos de autores portugueses e brasileiros (dia 26, das 16.30 às 17.00; dia 27, das 16.30 às 16.45; e dia 2, das 16.00 às 16.30).

“O festival terá menos uma semana e não vão ser promovidas extensões noutros equipamentos culturais do concelho. Mas tentámos criar uma relação mais próxima com os editores e trazê-los para a programação através de exposições dedicadas a novos lançamentos”, revela a nova directora criativa Lígia Macedo. Escolha interna da autarquia, era a responsável pelas relações internacionais do evento desde 2001. “Foi um ano terrível, quando caíram as torres”, recorda. “Todas as exposições americanas que tínhamos previstas foram canceladas para aí um mês antes. Eu nunca tinha feito produção, por isso aprendi imenso de repente.” Agora, abraça o desafio de substituir Nelson Dona, que esteve à frente da organização durante duas décadas.

Nesta fase de transição, as mudanças são estruturais e incluem um novo plano de arquitectura, com cenografia assinada pela artista plástica Joana Vasconcelos. “A intenção passou por criar um espaço mais amplo e menos labiríntico”, explica Lígia. “Aumentámos a área comercial e de autógrafos, o que retirou espaço expositivo ao piso superior, mas também criámos praças de convívio, incluindo uma dedicada a crianças, revestida a alcatifa.” Esta atenção para com os mais novos não é, contudo, novidade. O Amadora BD, como é carinhosamente apelidado, é desde sempre um evento para visitar em família. 

“O meu filho começou por ir de carrinho de bebé, depois começou a fazer o percurso pela minha mão e mais tarde a correr os stands, a desenhar nas salas de animação para crianças, a fugir para fora do recinto e a meter conversa com os seguranças que lhe davam rebuçados”, relembra o professor de economia Rui Cartaxo, fã de quadriculados e quadradinhos, que se tornou habitué desde a primeira vez que visitou o festival, em 1993. “Estava-se ainda no tempo da mítica Fábrica da Cultura [o actual Parque da Mónica], cujo pé direito permitia soluções arquitectónicas e cenográficas de grande arrojo”, acrescenta Mário Freitas, que este ano é comissário de “Stan Lee: O Mito e as Criações”, uma exposição com originais de Kirby, Ditko e outra dezena dos principais artistas que construíram com Stan Lee o universo Marvel.

Já o actual poiso do festival apresenta as suas limitações, mas há mais de dez anos que se transforma para receber dezenas de exposições, sessões de autógrafos, visitas guiadas, debates e oficinas para todas as idades. Nesta edição, destaca-se a retrospectiva “30 anos, 30 cartazes”, um verdadeiro catálogo do talento da “casa”, que fará uso da nova tecnologia de realidade aumentada, através de uma aplicação (iOS e Android) que poderá instalar no momento. Mas esta não é a única exposição a promover uma viagem pela história da banda desenhada nacional. As homenagens a Geraldes Lino e a Vasco Granja retratam a vida e obra de dois dos maiores divulgadores de banda desenhada e cinema de animação em Portugal.

Ao todo, estão previstas 20 exposições no Fórum Luís de Camões, incluindo uma dedicada ao autor espanhol Alfonso Font, um dos nomes associados ao universo da série Tex, que estará presente no festival a propósito desta exposição, comissariada pelo Clube Português de Banda Desenhada. Entre os convidados, encontram-se ainda Marjolaine Leray, Susa Monteiro, Rubén Pellejero, Miguel Mendonça, Keko, Peter Snejbjerg e Tommi Musturi. A inauguração, marcada para esta quinta-feira, 25, é grátis. Nos restantes dias, o bilhete custa 3€, mas recomendamos o livre-trânsito a 10€.

Recomendado: Roteiro de arte urbana na Amadora

Três perguntas a Miguel Mendonça

Banda Desenhada
Banda Desenhada
Miguel Mendonça

Licenciado em design gráfico, Miguel Mendonça acabou por se tornar o primeiro português a desenhar volumes da saga Detective Comics, uma das mais antigas da DC. No Amadora BD, onde estará presente em sessão de autógrafos, será possível ver pranchas da sua autoria na exposição do 80.º aniversário do Batman.

Como começou a fazer banda desenhada?

Eu sabia que queria tirar um curso relacionado com arte, mas não sabia muito bem o quê. Não pensava em banda desenhada, porque não via ninguém à minha volta a fazer. Pensar que, quando crescesse queria trabalhar no Batman, era mais ao menos como dizer “gostava de ganhar um Óscar”. Fui parar ao design gráfico, mas sempre que fazia pausas aproveitava para me dedicar às minhas bandas desenhadas. Depois decidi experimentar, naquela de “e se”, e as coisas começaram a acontecer. Trabalhei mais ao menos dois anos com a Zenescope, antes de receber um convite da DC.

Como é que é trabalhar para a DC?

Receber uma primeira proposta para trabalhar na Wonder Woman foi um sonho alcançado. Fiquei muito contente, mas foi um bocadinho surreal ao mesmo tempo. Depois é aprender a lidar com o peso da responsabilidade. No meu caso, já tinha experiência por ter trabalhado numa editora mais pequena, que me ajudou a saber lidar com a pressão. Como freelancer, é preciso muita disciplina, rigor e organização. Tento trabalhar durante o dia e descansar à noite, o que muitos freelancers não conseguem. Para conseguir cumprir prazos, convêm fazer uma página por dia, o que são pelo menos umas doze horas de trabalho.

Tem tempo para ler banda desenhada?

Quando acabo um trabalho, não é a propriamente a primeira coisa que me apetece fazer. Mas tenho como influência autores portugueses, que trabalham para a Marvel, como o Filipe Andrade, o Jorge Coelho e o Nuno Plati. Já agora o Ricardo Tércio também, que foi um dos primeiros a colaborar com a Marvel e que faleceu esta semana infelizmente. Eles foram muito importantes para me fazer perceber que o sonho era possível.

Mais coisas para fazer na Grande Lisboa

As novidades em Sintra que tem de conhecer

Coisas para fazer

Sintra será sempre um postal, não há volta a dar. Um postal cheio de monumentos, restaurantes clássicos imperdíveis, lojas de souvenirs e bons doces tradicionais. Mas há muito mais para descobrir para lá de todos os clichés incontornáveis. Fique a par destas novidades em Sintra.

Palácio Marquês de Pombal
Manuel Manso

Coisas para fazer em Oeiras

Coisas para fazer

O concelho encaixado entre Cascais e Lisboa, com mais de 170 mil pessoas, tem muito para nos dar – e estava mais que na altura de nós olharmos atentamente para ele. Descubra as melhores coisas para fazer em Oeiras, onde o rio encontra o mar.

Recomendado

    Também poderá gostar

      Publicidade