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Cyberpunk 2077
DRCyberpunk 2077

‘Cyberpunk 2077’ promete, mas (ainda) não cumpre

‘Cyberpunk 2077’, um dos videojogos mais antecipados dos últimos dez anos, foi lançado este mês. Mas só vai estar pronto em 2021.

Escrito por
Luís Filipe Rodrigues
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Cyberpunk 2077 foi lançado em Dezembro, mas a sua história já vai longa. Por um lado, as suas origens remontam à década de 80, quando Mike Pondsmith e a R. Talsorian lançaram o primeiro jogo de mesa da franquia Cyberpunk. Por outro, a editora polaca CD Projekt Red, que até agora só tinha feito os elogiados videojogos de The Witcher, começou a trabalhar no projecto em 2012 e desde então o burburinho em torno dele nunca parou de crescer. O lançamento chegou a estar agendado para os primeiros meses deste ano, mas foi sendo adiado até agora, enquanto uma equipa de mais de 5000 pessoas trabalhava horas extra e não tinha fins-de-semana. E mesmo assim ainda não estava pronto para ser lançado.

Quase uma semana depois de ter sido lançado e de várias actualizações, continua a não estar pronto. Lembra uma versão beta. No PC, a julgar pelo que se lê e vê online, os bugs são muitos. Há armas e pessoas a flutuar no ar, músicos que tocam guitarras invisíveis e inimigos que disparam contra nós com pistolas inexistentes, os personagens falam sem abrirem a boca e algumas notificações teimam em não desaparecer do ecrã. E este é o melhor cenário. Nas consolas, então, os bugs são mais do que muitos. Sobretudo nas velhas PlayStation 4 e Xbox One, o jogo arrasta-se e a experiência é precária, os gráficos não têm lustro e parecem toscos. Supostamente, é melhor – mas ainda não o suficiente – nas novas PlayStation 5 e Xbox Series X/S, que só vão ter uma versão optimizada para elas em 2021.

Os problemas são tantos que nos fazem pensar se alguns elementos do jogo não serão antes bugs. A inteligência artificial dos inimigos, por exemplo, parece pobre – alguns, a meio do combate, ficam parados, outros demoram demasiado tempo a reagir ao que se passa. Por agora, não se sabe se eles vão ser sempre assim, ou se vão ficar mais espertos e responsivos quando o jogo estiver pronto. Há até missões cujo desfecho pode ou não ser mais um erro. Numa, temos de falar com um homem deprimido que perdeu o seu melhor amigo e, a não ser que se pergunte e responda uma sucessão de frases em particular, no final somos avisados de que falhámos a missão. É possível continuar a jogar depois disto, como se nada se tivesse passado; será mesmo suposto falharmos? Também não se sabe.

Enterrado por baixo de todos os erros informáticos e decisões questionáveis, encontra-se um bom jogo. Talvez um óptimo jogo, porém só vamos ter a certeza daqui a uns meses, quando se espera que já esteja a funcionar em condições – nessa altura, vamos voltar a escrever sobre ele e atribuir-lhe uma pontuação. Porque, nos momentos em que tudo corre bem, Cyberpunk 2077 é fascinante e um testemunho da ambição dos homens e mulheres que dedicaram os últimos anos da sua vida ao projecto. Pode ser descrito como um RPG (role-playing game), mas é também um competente jogo de tiros, e de acção furtiva, e uma aventura num vasto mundo aberto. Cada um pode experienciá-lo como bem entender.

Tematicamente, o jogo é tão ou mais ambicioso. É uma meditação sobre o valor da individualidade e da consciência, da vida humana, numa sociedade hipercapitalista e distópica, em que todas as interacções interpessoais foram mercantilizadas e as grandes empresas usurparam as funções do Estado. Há ecos de Neuromante e Blade Runner, mas o motor da narrativa é o conflito interno entre um protagonista criado pelo jogador, que responde apenas pelo nome de V, e o fantasma digital de Johnny Silverhand (um Keanu Reeves em pico de forma), um famoso roqueiro e terrorista supostamente desaparecido há quase meio século, cujas memórias e personalidade ameaçam sobrepor-se às de V.

O Johnny Silverhand de Keanu Reeves é superlativo, mas os restantes personagens secundários também são carismáticos e é fácil simpatizar com – ou pelo menos sentir empatia por – eles. Já Night City, a megacidade onde se passa a acção, é magnética e cheia de vida. Foi desenhada e construída horizontal e verticalmente, e há algo que fazer em cada quarteirão, em cada andar. Explorá-la e conversar com os seus habitantes seria embriagante se o jogo não estivesse prestes a desintegrar-se. Talvez venha a sê-lo um dia, quando o jogo estiver pronto e for próprio para consumo. Nessa altura, será um prazer andar pelas suas ruas. 

Disponível para PC, PlayStation 4, Stadia e Xbox One.

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