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Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion
DRCrisis Core –Final Fantasy VII– Reunion

De olhos no futuro, o passado e o presente tocam-se em ‘Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion’

‘Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion’ recria um videojogo com mais de 15 anos. Apesar de acusar a idade, o trabalho de restauro e recuperação é louvável.

Escrito por
Luís Filipe Rodrigues
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★★★★☆

A maior parte dos RPG (role playing games, ou jogos narrativos) são histórias de fantasia ou ficção científica. Porém a sua maior efabulação é que, neles, o trabalho compensa. No capitalismo, uma pessoa pode passar anos e anos a estudar, a trabalhar e a aperfeiçoar o que faz, e nunca sair da cepa torta – ou quase nunca; é preciso haver a ocasional história de sucesso para convencer os mais crédulos de que o sistema funciona. Nestes jogos, não. Cada combate, cada acção se traduz em ganhos efectivos. Com perícia e uma boa estratégia, é possível ultrapassar a maior parte dos obstáculos, mas também dá para perder umas horas a combater inimigos, sem aprender nada, apenas para o personagem ou personagens ficarem mais fortes, com melhores atributos, e assim reduzir a dificuldade. Isso é nítido e encorajado no novo Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion.

Antes de sair Final Fantasy VII Remake (que é muito mais do que um remake), em 2020, o Crisis Core – Final Fantasy VII original era unanimemente considerado o melhor dos sucedâneos, prequelas e continuações do clássico Final Fantasy VII (1997). Mas o título de 2007 estava há muito confinado à descontinuada PlayStation Portable e à emulação. Um problema acrescido pelo facto de o final do jogo de 2020 e o primeiro trailer da futura sequela, Final Fantasy VII Rebirth, agendada para 2023 ou 2024, darem a entender que Zack Fair, o herói (spoiler: a escolha desta palavra é ponderada) desta prequela, está vivo nos remakes, que vão recontar e fazer da narrativa original uma trilogia. A solução mais simples teria sido fazer um remaster preguiçoso – como aqueles a que a Square Enix nos habituou nos últimos anos – mas desta vez os japoneses decidiram ir mais longe e garantir que o jogo de 2007 não destoava de Final Fantasy VII Remake e das suas continuações.

Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion não muda uma vírgula à história contada em 2007, os mapas preservam a arquitectura original, as missões são as mesmas, os sistemas de jogo e alguns movimentos de câmara também. Por outro lado, o interface, os modelos dos personagens e os cenários são decalcados do remake e as vozes são interpretadas pelos mesmo actores de 2020, trazendo o título original para o presente. O melhor, contudo, são os combates. Continuam a ser mais ou menos aleatórios, como nos RPG japoneses dos velhos tempos, no entanto foram reimaginados e juntam à fórmula original algumas mecânicas introduzidas por Final Fantasy VII Remake, colocando de novo um ênfase maior na acção e nos movimentos do protagonista. As alterações são subtis, mas o resultado é o melhor sistema de combate desenvolvido para um destes jogos nas últimas duas décadas.

Técnica e conceptualmente, o processo de restauro e recuperação de Crisis Core – Final Fantasy VII é um triunfo e vai muito além das paupérrimas remasterizações a que a editora japonesa nos habituou nos últimos anos. E, a julgar pelos excelentes resultados nas primeiras semanas de vendas, do ponto de vista financeiro a aposta também foi ganha. Muitos preferirão esta abordagem e respeito pela integridade do texto original ao trabalho de recriação e reenquadramento radical de Final Fantasy VII Remake, se bem que ambas as abordagens têm mérito e, no caso do título de 2020, o resultado foi não só um videojogo, mas um dos objectos culturais mais ambiciosos da década. 

Este jogo é mais modesto. Para o bem e para o mal. Tudo o que funciona e o torna especial é o mesmo que resplandecia na versão de 2007: a forma como Zack, o herói, se relaciona com o elenco secundário; os diálogos com humor e uma sensibilidade herdada do anime nipónico, mas evitando os tropos mais questionáveis e tóxicos do género; o prazer e a excitação de vencer os adversários com um único golpe, apenas ao alcance de quem perdeu horas a aperfeiçoar os atributos e a ver vídeos no youtube (o trabalho compensa); as maneiras como expande e materializada coisas a que Final Fantasy VII apenas aludia. 

A relação com a história e o jogo de 1997 é mesmo o maior ponto forte e paradoxalmente o principal ponto fraco desta prequela. Há decisões questionáveis e novas informações que deturpam e violam o cânone estabelecido nos 90s. Além disso, os temas centrais de ambos os títulos são diferentes: tanto o bom e velho Final Fantasy VII como o seu Remake de 2020 são relatos de resistência e sublevação (mas também de corrupção sistémica e egoísmo suicidário, no caso do original do século XX); já Crisis Core – Final Fantasy VII é uma narrativa heróica sobre honra e coragem, sobre a diferença que um homem pode ou não fazer. Em 2007, o final do jogo respondia cinicamente a essa pergunta: muito pouca. O final não mudou, mas a julgar pelas pistas dadas por Final Fantasy VII Remake, o primeiro capítulo de uma trilogia que pretende reexaminar o original à luz do presente (e do futuro), talvez agora a conclusão seja outra. Há um problema: ainda não se sabe sequer o título do último capítulo da saga, pelo que vamos ter de esperar uns bons anos para saber a resposta.

Disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Xbox One e Xbox Series X/S.

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