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Man wearing a mask
Photograph: Shutterstock

Dez mandamentos da nova “normalidade”

Apesar de já andarmos a desconfinar há uns meses, a Covid-19 ainda não deu tréguas.

Por Renata Lima Lobo e Bárbara Baltarejo
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O chamado desconfinamento foi o grito do Ipiranga para muitos portugueses. Por outro lado, há quem ainda hesite em voltar ao normal, à rua, às lojas, às praias e a tudo o que implique não poder encomendar para casa. Seja qual for o caso, é ainda preciso alguma cautela na sua nova apresentação à sociedade. O pior parece já ter passado e agora não vamos estragar tudo. Por isso, pelo menos nos próximos tempos, é preciso abraçar uma nova forma de estar. Metemos a mão na consciência e redigimos os dez mandamentos para a nova “normalidade”. Quem não cumprir é um ovo podre.

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Dez mandamentos da nova "normalidade"

1. Não se ajuntará

No tempo da outra senhora dizia-se que três pessoas eram uma multidão. Entretanto, a liberdade conquistou-se, mas o maldito vírus voltou a limitar grandes reuniões (embora, agora, o possamos insultar à vontade). Neste novo estado continuam proibidos eventos e ajuntamentos com mais de dez pessoas na AML (e 20 no resto do país). Em espaços fechados o limite é de cinco por cada 100 metros quadrados. Por isso, vá à rua em modo “toca e foge” (e se tocar desinfecte), e faça valer as suas apps de videochamadas. Neste caso até nem precisa da máscara e pode dar ares da sua graça.

2. Terá nojo de superfícies

Não toque em nada. Em nada mesmo, a não ser que seja absolutamente necessário como, por exemplo, na comida que precisa de resgatar da prateleira da mercearia ou do supermercado. Temos um exercício para si: quando sair de casa, ponha as mãos nos bolsos e tente andar assim por todo o lado, resistindo mesmo a comichões no nariz que só aparecem quando não o podemos coçar. E quando andar às compras, pense nesta regra: se tocar, vai ter de comprar.

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3. Tapará a boca e o nariz com uma máscara

Use e abuse dela. E que fique claro que isto não é um comentário depreciativo em relação à sua compleição facial, mas, por estes dias, o que importa mesmo é a beleza interior. À venda, nas grandes superfícies comerciais, encontra caixas de máscaras descartáveis. Mas se preferir máscaras reutilizáveis (o ambiente agradece), marcas como a Springkode, a Daily Day e a Location Available, que podem ser encontradas online, estão a produzi-las com a certificação do CITEVE, autoridade que garante o cumprimento das normas comunitárias das máscaras em Portugal. Mas a máscara é para usar sempre, não é só quando entra no metro. Assim não vale.

4. Respeitará a bolha do outro

Usar máscara é essencial, sim, mas respeitar a bolha nunca foi tão importante como agora. A recomendação é que mantenha também uma distância de dois metros entre outras pessoas. Mesmo que veja o Marcelo Rebelo de Sousa a comprar livros, tire a fotografia da praxe, mas de longe. Faça uso do zoom. Até porque o Presidente da República faz parte de um grupo de risco. Em espaços comerciais, olhe para o chão, onde, muito provavelmente, estará desenhada a distância aconselhável. Na rua use o bom senso e afaste-se.

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5. Evitará elevadores

Elevador? Não, obrigada. Se o corpo permitir, vá de escadas e balde-se, de vez em quando, aos treinos em casa. Dependendo do andar em que mora, gastará mais ou menos calorias, mas uma coisa é certa: evita acolher nas suas mãos mais germes vindos de puxadores, botões e paredes onde todos os vizinhos tocam. Mesmo que tenha uma vizinhança asseada, esta não é a altura ideal para confraternizar num espaço tão apertado.

6. Terá farta cabeleira

Se o seu cabeleireiro ou barbeiro não tiver espaço na agenda para o atender, marque com outro. Ir à confiança é muito 2019. Se, ainda assim, todas as vagas estiverem preenchidas (o que é bem provável) e estiver em teletrabalho, como o próprio primeiro-ministro recomendou, arrisque um corte caseiro e liberte a veia criativa que há em si, longe de julgamentos sociais. Se correr mal, ninguém verá. E lembre-se: ele cresce.

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7. Não cuspirá para o chão

Não conhecemos um estudo sobre a tradição de cuspir para o chão e não queremos saber se é uma coisa portuguesa, se afecta mais homens ou mulheres, se é uma moda antiga, se é um tique ou um distúrbio de noção. Andamos todos preocupados com possíveis gotículas a viajar por toda a atmosfera e, de vez em quando, lá vem uma bomba nojenta que nos faz arrepiar os pêlos do pescoço. Vamos mudar de hábitos? Sugerimos um lenço de papel sempre à mão e uma consulta de otorrinolaringologia.

8. Manterá o recolhimento q.b.

Não há como dizer isto de forma mais simples e directa: fique em casa o máximo de tempo que lhe for possível. Ainda não é altura de assumirmos a liberdade em pleno. E sim, todos temos saudades de apanhar ar, não é só o caríssimo leitor. Aproveite e leia do princípio ao fim a Time Out Portugal, que está tão bonita e recheada de sugestões sobre como ocupar o seu tempo. Incluindo lá fora mas com a máxima segurança.

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9. Ajudará o próximo

As gerações mais velhas são o novo Rambo do coronavírus. Ou pelo menos sentem-se assim. “Estive na guerra, a beber águas paradas do chão” ou “eu era para morrer com um mês” são alguns dos argumentos divulgados pelos media sobre a postura de alguns cidadãos portugueses mais experientes nisto da vida, que saem de máscara na testa em jeito de manguito à pandemia. Por isso, esteja de olho nas pessoas que lhe são mais próximas. Alguém precisa de ajuda? Mantenha o contacto à distância, nem que seja com uma pequena conversa à janela, e se puder vá às compras e à farmácia pelos pais, avós, tios ou vizinhos mais velhos.

10. Portar-se-á lindamente

Evite comportamentos de risco. Se pensa que é a única pessoa a lembrar-se de fazer um piquenique no parque ou no jardim ou a estender a toalha na praia, não é. O ser humano funciona de forma muito semelhante, e se tiver uma ideia do género é muito provável que a mesma tenha passado pela cabeça de outras 10.529 pessoas. Só da sua freguesia. A praia é apetecível, sem dúvida, mas teremos tempo para matar as saudades da areia. Antes de fazer um programa deste género, pense duas vezes e, na dúvida, não saia. Qualquer coisa faça uso da app “Posso ir?” ou da “Info Praia”, lançada pela Agência Portuguesa do Ambiente, que o ajudam a descobrir o melhor sítio e hora para apanhar banhos de sol e sal.

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©IMDB

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