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Fotografia: Greg Rakozy/ Unsplash
Fotografia: Greg Rakozy/ Unsplash

Eclipses e chuvas de meteoros: o que vamos ver no céu em 2026

Olhe para cima. Já viu como o céu está bonito? Estes são os eventos astronómicos a não perder este ano.

Raquel Dias da Silva
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Apesar de o calendário astronómico para 2026 contar com fenómenos raros, a maior parte não vai ser visível a partir de Portugal. Os astroturistas vão ter de se contentar com pouco e lembrar-se de que o mais importante é ver as estrelas a brilhar. De qualquer forma, para não perder pitada, espreite esta lista de eventos astronómicos e comece a pensar nos próximos dias à janela, no jardim ou no terraço, a apreciar eclipses e chuvas de meteoros. Se puder optar por uma escapadinha, as Aldeixas do Xisto são reconhecidas como Destino Turístico Starlight, o que significa que há baixa poluição luminosa e é um dos melhores locais para observar o céu.

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Eventos astronómicos a não perder

Janeiro

O ano começou com as Quadrântidas, uma chuva de estrelas conhecida pelo seu pico curto e intenso, com origem no asteroide 2003 EH1, mas a Lua Cheia da noite de 3 de Janeiro dificultou a observação dos meteoros. Não faz mal, porque o mês ainda não terminou: no dia 29, Vénus e Mercúrio vão surgir muito próximos ao anoitecer, visíveis a oeste logo após o pôr do Sol. Um encontro planetário interessante para observação a olho nu e até para fotografia, desde que o horizonte esteja limpo.

Fevereiro

Tradicionalmente conhecida como Lua da Neve, a Lua Cheia de Fevereiro estará na constelação de Caranguejo, perto do famoso aglomerado estelar da Colmeia. Mas o grande destaque do mês é um eclipse solar anular a 17 de Fevereiro. Infelizmente, a fase do “anel de fogo” será visível apenas na Antárctida. Um eclipse parcial poderá ser observado no extremo sul da Argentina e do Chile, assim como em grande parte do sul da África.

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Março

Está previsto um eclipse lunar total, também conhecido como “Lua de Sangue”, para 3 de Março. Infelizmente não será observável em Portugal. A única hipótese de o ver é estar de férias na América do Norte, por exemplo. O que vai acontecer é que a Terra vai projectar a sua sombra sobre a Lua, dando-lhe tonalidades avermelhadas, resultantes da luz solar filtrada pela atmosfera terrestre.

Abril

Entre 21 e 22 de Abril, as Líridas marcam o regresso das chuvas de meteoros da Primavera. São ideais para observação em locais escuros e com horizonte amplo. A Lua crescente não será um grande problema e é melhor começar a observar as Líridas após as 22.30 no horário local em latitudes médias do hemisfério norte.

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Maio

As Eta Aquáridas atingem o pico na noite de 5 para 6 de Maio. Sob céus escuros, observadores no hemisfério norte podem observar cerca de 10 a 30 estrelas cadentes por hora. Mas as condições vão ser desafiantes: o pico ocorre apenas cinco dias após a Lua Cheia, e o forte brilho lunar apagará muitos meteoros fracos. Recomendamos que arranje uma app, como a Sky Tonight, para poder encontrar o radiante na sua localização – quanto mais alto estiver acima do horizonte, mais meteoros verá.

Junho

O Solstício de Verão celebra-se a 21 de Junho, assinalando-se o dia mais longo do ano no hemisfério norte. A partir desta data, os dias começam lentamente a encurtar.

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Julho

As Delta Aquáridas têm o seu pico nos dias 30 e 31 de Julho, oferecendo boas taxas de meteoros por hora, especialmente em madrugadas sem Lua.

Agosto

Em 2026, Agosto concentra vários dos momentos mais aguardados do ano, a começar logo por um eclipse solar total, visível numa pequena área do nordeste de Portugal, com elevado grau de obscurecimento em todo o país. Além disso, o pico das Perseidas, uma das melhores chuvas de meteoros do ano, terá o seu pico nos dias 12 e 13 de Agosto, beneficiando da Lua Nova. Estão também previstos alinhamentos planetários, visíveis antes do nascer do Sol, com vários planetas observáveis a olho nu.

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Setembro

Tirando o início do Outono, que no hemisfério norte é chamado de “Outono boreal”, a 23 de Setembro, este mês não vai contar com muitos eventos astronómicos dignos de nota. Um fenómeno comum na Europa associado a esta altura do ano é aquele “período de calor fora da estação” que geralmente ocorre no final de Outubro e Novembro. Em Portugal, chamamos-lhe o “Verão de São Martinho”.

Outubro

A decorrer de 4 de Outubro a 14 de Novembro, o pico de intensidade das Oriónidas – produzida pelos fragmentos de um dos cometas mais famosos da história, o 1P/Halley – está previsto para 22 de Outubro, ocasião em que a taxa horária zenital pode chegar a 23 meteoros por hora.

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Novembro

As Leónidas, associadas à passagem do cometa Tempel-Tuttle, podem ser observadas todos os anos por volta de Novembro. Este ano não será excepção. As chuvas – mantêm o céu em movimento no Outono, com meteoros rápidos e rastos luminosos bem definidos – começam a 6, mas o pico é de facto entre os dias 17 e 18. De 30 em 30 anos, costumam haver verdadeiras tempestades de Leónidas: a última foi em 1998, por isso só lá para 2028 é que terá oportunidade de assistir a uma. Em 2026, esperam-se cerca de 15 meteoritos por hora.

Dezembro

Em Dezembro, além da mudança de estação, com o Solstício de Inverno no dia 21, que marca o dia mais curto e a noite mais longa do ano, conte com duas chuvas de meteoros. As Geminídeas são consideradas uma das mais espectaculares chuvas de meteoros do ano. Com sorte, conseguimos avistar cerca de 120 meteoros por hora no seu pico, que em Portugal será entre os dias 13 e 14. Ao contrário da maioria das outras chuvas, as Geminídeas não estão associadas a um cometa mas a um asteroide: o 3200 Phaethon, que demora cerca de 1,4 anos a orbitar o Sol. Segue-se a chuva de meteoros Ursídeas – associada ao cometa 8P/Tuttle –, que está anualmente activa entre 17 e 26 de Dezembro. O pico ocorre geralmente entre os dias 21 e 22.

Guia para astroturistas

  • Música

Além de tornar as noites menos escuras e de fazer subir e descer a superfície dos mares, o satélite da Terra também agita os cantos escuros e misteriosos das almas dos compositores. De uma peça obscura de um autor ibérico anónimo do século XVI ao celebérrimo Clair de Lune, de Debussy, muitos foram os compositores que foram inspirados pela lua – como foi o caso de Haydn, Schubert ou Schumann.

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  • Música

É verdade que a poluição luminosa tem vindo a arruinar o espectáculo do céu nocturno, mas nem por isso este deixou de ser uma forte inspiração para os escritores de canções pop. Das décadas de 70 e 80 até aos dias de hoje, não faltam pérolas sobre as estrelas, algumas tão boas que nos conseguem até levar ao céu.

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