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Marvila é o novo Lisbon Beer District

A Lince, a Dois Corvos e a Musa decidiram criar o Lisbon Beer District, um quarteirão e meio em Marvila, para aproximar o povo da cerveja artesanal

ManuelManso
Bruno Carrilho, Susana Cascais e António Carriço: os vizinhos do Lisbon Beer District em Marvila

O acaso é um dos melhores promotores de encontros. Foi por acaso que a Musa, a Lince e a Dois Corvos se instalaram a alguns metros de distância, em Marvila, entre a Rua do Açúcar, a Rua Capitão Leitão e a Rua José Domingos Barreiros. Aí, este bairro da zona oriental de Lisboa, começou a cheirar a cerveja. Aí começou a lógica relacional dos vizinhos, do “não me emprestas dois quilos de trigo?”.

Agora, tanta que foi a convergência, decidiram criar o Lisbon Beer District, que é “um sítio onde o público pode vir conviver com as cervejeiras, provar boa cerveja e ter o contacto com esta indústria que é, de alguma forma, nova em Portugal”, esclarece Susana Cascais, da Dois Corvos. A inauguração da coisa toma lugar no este sábado (14 de Outubro), numa iniciativa a que decidiram chamar Oktober Festa.

Qualquer uma das cervejeiras foi atraída para esta zona pelos preços (ainda aceitáveis), pelos espaços (armazéns com tamanho para montarem as suas fábricas) e também “pelo ambiente cultural ou artístico que se vive em Marvila”, acrescenta Bruno Carrilho, da Musa. E isto é coisa importante para entender o conceito deste distrito entornado, ou seja, foi quase uma contaminação que Marvila provocou; o bom ambiente, a amizade, o desenvolvimento que tem sido feito a olhos vistos. “É um bairro onde as pessoas arregaçam as mangas e fazem coisas, faz todo o sentido estar aqui”, diz Susana Cascais. Algo que podemos trocar por isto não é só para gente que gosta de cerveja, é para todos, é para os que não são de Marvila e que gostam de a visitar, como é para os que não são de Marvila e gostam de ter gente e movimento no seu bairro. Bruno Carrilho, da Musa, explica que grande parte dos trabalhos de design, os pequenos objectos decorativos que têm no seu tap room, foram feitos por empresas de Marvila. De alguma maneira “isto é quase um retomar daquela tradição medieval onde as cidades estavam organizadas por profissão. A Rua do Ouro, a Rua da Prata, esta é a rua da cerveja”, comenta António Carriço, da Lince.

Não é inédita, a nível mundial, esta ideia de confluência de afinidades cervejeiras e palatos. Mas em Portugal, por certo, nunca se viu. E é, tal como aquilo que os uniu em moradas bastante próximas, um processo orgânico, que será aquilo que as gentes que ali se deslocarem quiserem que seja. E mais que se juntem, se for essa a sua vontade. “Neste momento há uma certa coincidência geográfica, mas não definimos uma fronteira rígida, isto é, se aparecer uma cervejeira 50 metros fora do nosso quarteirão adere imediatamente”, avisa António. E, eventualmente, poderá ir quase até ao Parque das Nações? “Quem sabe, desde que não se perca o sentido de comunidade”, responde.

A primeira pedra é colocada no sábado. E envolve um grande número de convidados, sítios aderentes, uma agitação da zona. É essa a lógica que parece pautar o Lisbon Beer District, isto é, através de eventos pontuais que reforcem o sentimento de comunidade, mais do que com promoções específicas no dia-a-dia que envolvam as três cervejeiras. “Queremos organizar eventos ao longo do ano. Com temas diferentes: quando chegar o Natal queremos fazer um mercado de Natal, na rentrée da cerveja, na Primavera, também devemos fazer algo. Há muitas oportunidades para convocar as pessoas até aqui e experimentar a cerveja de outra maneira”, conta Susana.

E uma dessas maneiras, dessas alternativas, foi algo que já existe no mercado da cerveja artesanal portuguesa: unirem esforços para cervejas colaborativas, com o dedo de todos. “Fizemos três cervejas, em cada fábrica, que vão aparecer com o rótulo Lisbon Beer District, e é algo que se deve repetir mais tarde. Uma é uma Oktoberfest, cerveja típica dessa celebração em Munique, uma German IPA, uma IPA com característica alemãs; e fizemos ainda uma Weiss, que é a cerveja de trigo”, diz António.

E que ambiente se espera desta celebração? “Sábado vai ter um ambiente itinerante, a ideia é fazer as pessoas circularem aqui à volta deste quarteirão, há concertos, street food, pode-se visitar galerias, há restaurantes com menus especiais Oktober Festa. Há um outro restaurante que fará um jantar de degustação com as três cervejas feitas especialmente para o evento. Vai haver street food e visitas às cervejeiras. Tentámos que as várias propostas fossem espalhadas no dia, para que as pessoas tenham tempo para ver tudo”. E, já agora, beber tudo. 

 

Quais são as cervejeiras deste bairro?

Comecemos pelo princípio, que é como quem diz pelos primeiros a instalarem-se em Marvila: foi a Dois Corvos. A cerveja começou a sair para a rua no Verão de 2015, e o tap room abriu as portas uns meses mais tarde, em Novembro. Hoje são uma das marcas artesanais mais bem distribuídas em Lisboa, com os principais rótulos à venda em lojas e supermercados, e algumas edições mais limitadas disponíveis em bares como o Duque ou a Cerveteca. O melhor sítio para beber Dois Corvos, no entanto, é mesmo o tap room, em Marvila, onde se encontram algumas cervejas que não dá para beber em mais lado nenhum. 

A história da Musa é parecida. As primeiras três variedades de cerveja foram abertas pelo público no início de 2016, e desde então têm vindo a instalar-se em lojas, restaurantes e hipermercados, onde vendem quatro rótulos. Além disso, há edições limitadas, em garrafa, à venda em bares e outros estabelecimentos especializados nestes licores de cevada. Inauguraram oficialmenteo tap room, na Rua do Açúcar, no início do mês. Com 12 torneiras e outras tantas cervejas diferentes, que são produzidas apenas uns metros ao lado. Algumas só se bebem ali. 

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E por fim chegamos à Lince. Os mais novos deste lote. Lançaram a primeira cerveja, uma belgian pale ale com um toque de laranja, no final do ano passado, e há uns meses introduziram mais duas garrafas: uma IPA de inspiração americana e uma blonde ale que tem a particularidade de ser vendida em garrafas de mini. A fábrica fica na Rua do Açúcar, mas ao contrário dos vizinhos não tem um balcão para quem quiser experimentar as cervejas in situ. E ainda não é tão fácil encontrá-los fora do circuito dos bares de cerveja artesanal. 

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