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Persona 5 Strikers
DR Persona 5 Strikers

‘Persona 5 Strikers’: Verão azul

‘Persona 5 Strikers’ é uma continuação da história contada há quatro anos, em ‘Persona 5’. Mas é um jogo completamente diferente.

Por Luís Filipe Rodrigues
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★★★★☆

Há muitas maneiras de descrever Persona 5 Strikers. É uma continuação de Persona 5; é um spin-off de Persona 5; é mais um sucedâneo de Dynasty Warriors; é mais um RPG japonês; é um romance adolescente atravessado por teorias junguianas; é sobre ter 18 anos e ir de férias com os amigos numa autocaravana; é uma celebração da gastronomia nipónica; é uma crítica às redes sociais e à dependência tecnológica; é um videojogo estranho e caótico que se prolonga por mais de 50 horas; é um jogo único que parece passar-se num instante; é tudo isto e mais. Muito mais.

O melhor é começar pelo princípio. Persona 5 Strikers é o mais recente fascículo da série Persona, que começou por ser um spin-off de Shin Megami Tensei, outra histórica franquia japonesa, mas entretanto emancipou-se. Apesar do cinco no título, já foram lançados mais de 20 Personas, incluindo três outros Persona 5 – o original, editado no Ocidente em 2017; Persona 5: Dancing in Starlight, um jogo rítmico sem qualquer relevância para esta história; e Persona 5 Royal, simultaneamente uma versão melhorada e uma sequela do original. Persona 5 Strikers é outra sequela de Persona 5, continuando a história começada há quatro anos, mas ignorando os novos acontecimentos do último acto da versão Royal

Ao mesmo tempo, é um spin-off de Dynasty Warriors. É co-produzido pela Omega Force, responsável por todos os títulos dessa franquia, e os seus combates são frenéticos e confusos, com os personagens controlados pelo jogador a despacharem vagas de inimigos com apenas dois ou três golpes – como em todas as produções deste estúdio japonês. No entanto, as parecenças acabam aí. A estrutura e a arquitectura dos níveis diferem muito de outros jogos com Warriors no nome, e as três primeiras masmorras parecem uma versão maior e melhor dos palácios de Persona 5. Os interlúdios narrativos também lembram os interlúdios da prequela, tal como os menus e muitas das mecânicas. Até os momentos mais calmos, em que passeamos pelas ruas do Japão, são semelhantes. 

Mas enquanto a acção de Persona 5 se desenrolava em Tóquio, ao longo de um ano lectivo, e o protagonista controlado (e baptizado) pelo jogador tinha tempo para explorar e descobrir tranquilamente a cidade, e relacionar-se com os seus habitantes, Persona 5 Strikers tem um ritmo diferente. A história passa-se durante as férias de Verão, entre 24 de Julho e 31 de Agosto. O protagonista adolescente regressa à capital japonesa para se reencontrar com os amigos que fez no jogo anterior, mas sem planos concretos para as férias. Antes que possam decidir o que vão fazer, os personagens são transportados para o metaverso junguiano da prequela – que julgavam ter desaparecido, ou pelo menos ficado inacessível – e percebem que alguém está outra vez a usá-lo para controlar a população.

Para descobrirem ao certo o que está a acontecer, embarcam numa viagem pelo Japão, a bordo de uma autocaravana. Pelo caminho, vão parando em várias cidades, saltando entre o mundo real e o metaverso, resolvendo pequenos e grandes problemas. Também passam dias inteiros na praia, fazem churrascos, provam a gastronomia local de cada sítio, divertem-se. E nós divertimo-nos com eles. Sem ser tão rico e complexo como o seu antecessor, é uma experiência igualmente efusiva. Menos meditativa e descontraída, mas mais fulgurosa. Como os dias de Verão da adolescência, vividos intensamente, em que temos tempo para tudo e as horas parecem dilatar-se.

Nenhuma das cidades por onde passamos tem tanta coisa a acontecer como a Tóquio de Persona 5, e até as ruas de Shibuya e Yongen-Jaya parecem mais vazias – muitas lojas estão fechadas e os personagens secundários tiraram todos férias. A capital japonesa, agora, não passa de uma sombra do que vimos antes; contudo, quando começamos a viajar pelo Japão, essa sensação de vazio desaparece. As reproduções das cidades continuam a estar limitadas a apenas duas ou três ruas, com as quais interagimos pouco, porém isso vai ao encontro da narrativa. Afinal, os personagens principais não passam de turistas numa road trip. E, como tal, apenas interagem com os locais superficialmente.

O novo jogo é mais breve do que os anteriores, que ocupavam entre 100 e 200 horas. É possível passá-lo em 40 horas, se bem que não é difícil demorar mais de 60. É muito, mas apenas uma fracção do que veio antes. Nesse tempo, lidamos com a violência sistémica da polícia, encontramos mais do que um político corrupto e influencers que abusam das redes sociais, os principais vilões são os engenheiros e CEOs de empresas tecnológicas. Mas tudo isso é secundário. O mais importante é o tempo passado com os velhos amigos, o reencontro com meia dúzia de personagens que conhecemos bem e de quem gostamos. Quem nunca tiver passado os jogos anteriores não vai saber valorizar isso, e talvez não compreenda o que torna Persona 5 Strikers tão especial. Não sabem o que perdem.

Disponível para PC, PlayStation 4 e Switch.

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