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©DR Trials of Mana (2020)

Seis remakes de videojogos que são mais do que cápsulas do tempo

No cinema e na televisão, “remake” costuma ser uma palavra feia. Mas nos videojogos, não. Explicamos porquê, e recordamos alguns dos melhores remakes dos últimos anos.

Por Luís Filipe Rodrigues
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Desde que as pessoas olham para os ecrãs em busca de entretenimento que se fazem remakes. De filmes, de séries, de videojogos. Mas enquanto no cinema é infrequente a recriação ser mais bem amada do que o original – mesmo quando é o mesmo autor a assinar as duas versões, como Alfred Hitchcock, que em 1956 voltou a contar a história de O Homem Que Sabia Demais de 1936, ou Michael Haneke, que em 2007 refez Brincadeiras Perigosas (1997) com actores anglo-americanos – os remakes de videojogos são sempre recebidos de braços abertos. E, frequentemente, mais adorados do que os originais.

Isso acontece, em grande parte, porque a passagem do tempo pesa mais sobre os jogos de vídeo. Todos os anos a tecnologia evolui, e aquilo que é possível conceber e programar muda: os gráficos tornam-se mais realistas, os controlos mais fluídos, os mapas e os mundos mais vastos, e por aí adiante até duas versões do mesmo título serem irreconhecíveis. Por exemplo, era impossível fazer ou até imaginar uma obra como Final Fantasy VII Remake quando o título original saiu em 1997. Por outro lado, não há nada no Psico (1998) de Gus Van Sant que Hitchcock não pudesse ter feito no clássico de 1960.

Não se pense que este fenómeno é recente. Fazem-se remakes praticamente desde que se fazem jogos. Só que à medida que a tecnologia evoluiu, e os orçamentos dos principais lançamentos cresceram até adquirirem dimensões hollywoodescas, os estúdios foram-se virando cada vez mais para o seu passado. Porquê gastar milhões de dólares a fazer um jogo de raiz, que pode não ter o retorno financeiro esperado, quando é possível actualizar, aprimorar e voltar a vender um clássico? Sobretudo quando o original deixou de ser visual e mecanicamente apelativo, e muitas vezes nem é possível jogá-lo nas plataformas actuais?

Não é por acaso que alguns dos títulos que mais tinta fizeram correr em 2020 foram remakes. No início de Março saiu Black Mesa, que apesar do nome é o primeiro Half-Life (1998), recriado de raiz por fãs. Pela mesma altura, a Nintendo editou Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX, que reimagina um título de 2005. Em Abril foi a vez de Resident Evil 3 e Final Fantasy VII Remake, o lançamento mais aguardado do ano. Agora acaba de ser reeditado Trials of Mana. E vêm mais a caminho. Porque o presente e o futuro dos jogos passam cada vez mais pelo seu passado.

Seis remakes de videojogos

Trials of Mana (2020)

Seiken Densetsu 3 foi editado em 1995, para a Super Famicom (Super NES), mas demorou quase 25 anos a aparecer no Ocidente. Chegou finalmente no ano passado, sob o título Trials of Mana e integrado na Collection of Mana, juntamente com as versões originais do primeiro Seiken Densetsu (vulgo Final Fantasy Adventure) e do segundo (traduzido como Secret of Mana). Agora, menos de um ano depois, renasceu em 3D, com uma estética inspirada nos anime nipónicos e pequenas mudanças face ao original. Neste RPG japonês, com ênfase na acção, o jogador começa por escolher três de seis personagens e leva-as numa aventura que se prolonga por cerca de 30 horas. Uma história efabulada, que agora pode ser redescoberta por uma nova (ou por uma velha) geração.

Disponível para PC, PlayStation 4 e Switch.

Final Fantasy VII Remake (2020)

O remake do clássico RPG japonês era um dos lançamentos mais aguardados do ano – aliás, dos últimos anos. Não desiludiu. Começa por ser uma recriação do jogo de 1997, com o grupo ecoterrorista Avalanche a destruir um reactor energético. Lentamente, no entanto, revela-se mais do que isso e transforma-se numa meditação metanarrativa sobre o que é um remake e quanto se pode afastar do original antes de se tornar algo novo.

Disponível para PlayStation 4.

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The Legend of Zelda: Link's Awakening (2019)

The Legend of Zelda: Link’s Awakening já teve várias vidas. Saiu no Game Boy em 1993, renasceu no Game Boy Color em 1998, e chegou à Switch no ano passado. O remake é fiel ao original, com os mesmos níveis, combates e quebra-cabeças, mas uma nova direcção de arte. Os cenários são pequenos dioramas e os personagens parecem brinquedos. Tudo feito com um cuidado quase artesanal.

Disponível para Nintendo Switch

Resident Evil 2 (2019)

O Resident Evil 2 de 1998 continua a ser um marco do terror e um dos pontos altos da franquia. Contudo, foi ultrapassado e tornado quase obsoleto pela versão do ano passado. Com gráficos e mecânicas de jogo melhoradas e ao nível do melhor que se faz hoje, assim como outras melhorias e acrescentos à narrativa original, é um dos melhores videojogos dos últimos tempos. Indispensável.

Disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

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Shadow of the Colossus (2018)

Concebido pelo japonês Fumito Ueda, e lançado em 2005/2006 para a PlayStation 2, Shadow of the Colossus é uma experiência introspectiva e desolada, um tratado sobre a solidão e o vazio, num diálogo com o passado e o futuro dos jogos de aventura. Em 2011 saiu uma versão remasterizada para a PlayStation 3, e em 2018 o jogo foi recriado de raiz para a PlayStation 4. Porém, tirando os gráficos e os controlos, (quase) nada mudou.

Disponível para PlayStation 4.

Yakuza Kiwami (2016/2017)

Por ocasião do décimo aniversário da série policial Yakuza, a Sega começou a trabalhar na adaptação e modernização do primeiro capítulo, feito para a PlayStation 2 em 2005/2006. O resultado foi este Yakuza Kiwami, que reconta a história de Kazuma Kiryu, um tenente da yakuza que vai preso por um crime que não cometeu. É solto passados dez anos e depara-se com uma realidade diferente daquela abandonou, neste misto de RPG e jogo de acção criminal.

Disponível para PC, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox One

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